Hipertensão arterial se alastra entre os mais jovens

Especialistas relacionam crescimento à obesidade. Doença silenciosa pode levar a doenças cardiovasculares, as que mais matam no Brasil

Redação

Segundo o Ministério da Saúde, somente em 2017, ocorreram 34 mortes por hora, 829 óbitos por dia e mais de 302 mil óbitos ocasionados por doenças cardiovasculares no Brasil (infarto, hipertensão, AVC e outras enfermidades), que têm como principal fator de risco a hipertensão arterial. Popularmente conhecida como “pressão alta”, a doença  chega a afetar 30 milhões de brasileiros adultos, em uma proporção de um a cada quatro.

Chamada pelos médicos de “inimigo oculto” dos adultos e idosos, por sua ação silenciosa, a doença tem se tornado mais preocupante ao atingir, cada vez mais, os jovens. Atualmente, estima-se que a hipertensão já atinja três milhões de crianças e adolescentes dos 3 aos 18 anos de idade, no país.  Com números tão alarmantes, não só aqui, mas em todo o mundo, fez-se necessária a institucionalização do Dia Mundial da Hipertensão, em 17 de maio.

Para a presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), Frida L. Plavnik, o aumento exponencial de crianças hipertensas pode ser explicado pelo crescimento da obesidade em todo o mundo. A nefrologista ainda destaca que para a definição de pressão arterial normal ou elevada há de se levar em conta variáveis, como sexo, peso, altura e idade, tanto nos mais jovens quanto nos mais velhos.

“É importante frisar que o sedentarismo e hábitos alimentares inadequados têm contribuído diretamente para o aumento dos casos de elevação pressórica, principalmente entre as crianças. Ainda, dados de uma pesquisa americana recente sugerem que a PA elevada é maior em meninos (15%-19%) do que em meninas (7%-12%)”, afirma dra. Frida.

De acordo com as recomendações das diretrizes brasileiras e internacionais a pressão arterial deve ser medida em crianças a partir dos três anos de idade, a fim de detectar precocemente a elevação da mesma: “Quando não diagnosticada, a hipertensão arterial promove alterações nos chamados órgãos-alvo da doença hipertensiva. Desse modo, a presença de hipertrofia ventricular esquerda durante a adolescência, por exemplo, pode ser um precursor de arritmias e insuficiência cardíaca na idade adulta, entre outras complicações”.

Dra. Frida finaliza reforçando que as preocupações devem envolver não apenas a criança, mas toda a família no que diz respeito à mudança alimentar e de estilo de vida. “Os jovens devem ser estimulados a praticar atividade física e manter-se na faixa de normalidade para o peso, dando preferência a alimentos in natura e evitando o consumo de produtos industrializados, embutidos, junk food, etc.”, pontua.

UMA DOENÇA SILENCIOSA

De acordo com Bruno Penha, médico do corpo clínico do Hospital Dona Helena, de Joinville (SC), a hipertensão arterial normalmente é assintomática. “Esse é o grande desafio, já que o paciente pode apresentar pressão alta durante vários anos, sem apresentar sintomas. Alguns pacientes podem ter cefaléia (dor de cabeça) quando a pressão fica elevada, mas não é a regra”, explica.

Segundo Rodrigo Hammes Strelow, cardiologista da mesma instituição, além da dor de cabeça, podem ocorrer queixas de sensação de peso na nuca, tontura, zumbido e mal estar. “É uma condição silenciosa. Não se deve aguardar por sintomas para que o diagnóstico seja feito”, alerta.

Na maioria das vezes, o aparecimento da hipertensão arterial é causado ou antecipado pelo aumento de peso, consumo excessivo de sal, abuso de álcool e pelo sedentarismo. “Além disso, a prevalência da hipertensão aumenta progressivamente com a idade e é significativamente maior em pessoas da raça negra”, explica Strelow. O médico frisa que, para realizar o diagnóstico e tratamento, a pressão arterial precisa ser medida periodicamente e de forma correta.

Em algumas situações, podem ser utilizadas a monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) ou a monitorização residencial da pressão arterial (MRPA) para confirmação ou exclusão do diagnóstico. Sāo exames complementares que auxiliam o médico em caso de dúvida diagnóstica e no controle da eficácia terapêutica.”

O tratamento tem como base medidas não farmacológicas. Recomenda-se realizar mudanças no estilo de vida, como restringir o consumo de sal e álcool, praticar atividades físicas e controlar o peso corporal. “Muitos pacientes, no entanto, precisarāo de tratamento medicamentoso, que deve ser utilizado diariamente (na maioria das vezes, em uma dose única no dia). O ajuste da dose e as mudanças terapêuticas sāo feitas durante as consultas médicas, cuja periodicidade necessita ser individualizada”, detalha Strelow. “São mais de cinco classes de medicações aprovadas para o controle e cada paciente deve ser avaliado para a escolha da melhor medicação, que pode ser usada isoladamente ou em associação”, complementa Penha.

CAMPANHA MEÇA SUA PRESSÃO 2019 

A classe médica está bem preocupada com a situação e se mobiliza para conscientizar a população. Realizada anualmente, a campanha Meça sua Pressão, da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), recebe, em 2019, a atriz global Isabela Garcia como embaixadora oficial. Sob o slogan Menos Pressão nas Mulheres, a ação visa alertar os cidadãos sobre a importância de verificar, frequentemente, a quanto anda a pressão arterial assim como manter hábitos saudáveis, com uma dieta equilibrada e a prática de exercícios.

No Dia Mundial da Hipertensão, 17 de maio, das 10h às 17h, a SBH atuará no Terminal Jabaquara – EMTU e na Estação Santo Amaro – Linha Lilás do Metrô, orientando os passantes sobre as melhores formas de prevenção, fornecendo apoio psicológico em relação ao enfrentamento da doença, juntamente a dicas nutricionais e de atividades físicas. Além de claro, oferecer a medição da pressão arterial gratuitamente. Saiba mais em sbh.org.br .

Da Redação, com Assessorias

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.