Hipertensão e diabetes: riscos para doença renal crônica

Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), aproximadamente 1,5 milhão de brasileiros têm doença renal crônica. A hipertensão (pressão alta, como é popularmente conhecida) é responsável por 35% dos casos e o diabetes, por 30%. Obesidade, presença de doença renal na família, tabagismo e idade acima de 50 anos também são fatores de risco para o desenvolvimento da enfermidade. Diante deste cenário, Paulo Sergio Rovai, nefrologista do Seconci-SP (Serviço Social da Construção), chama a atenção para os riscos da doença.

O médico explica que a doença renal é silenciosa e afeta consideravelmente a qualidade de vida de seus portadores, por isso, a importância da prevenção. “As principais causas de doenças nos rins são o Diabetes Mellitus e a hipertensão arterial. Além de invisível, o dano renal é irreversível e pode progredir até converter-se em insuficiência renal crônica terminal, com necessidade de diálise”, diz.

De acordo com o Ministério da Saúde, há 30 milhões de pacientes com hipertensão arterial, representando aproximadamente 24% da população de adultos. E, ainda, há nove milhões de pacientes diabéticos – aproximadamente 8% da população de adultos. “Todos esses pacientes apresentam chance importante de desenvolver um quadro renal em algum momento de suas vidas, por isso a importância do incentivo ao tratamento preventivo dessas doenças”, afirma o nefrologista.

A doença renal não tem cura. Enquanto o diagnóstico precoce permite tratamentos que podem retardar a progressão da doença, a falta de uma identificação prévia do problema pode acarretar uma insuficiência renal, exigindo que o paciente realize terapia de diálise ou até mesmo o transplante do órgão. Nestes casos, o paciente também pode desenvolver doenças cardiovasculares, levando-o à morte prematura ou sequelas graves.

Os custos para se tratar a doença renal crônica e suas consequências sobrecarregam os sistemas de saúde em todo o mundo. Somente no Brasil, em 2016, o Ministério da Saúde anunciou um investimento de 11 milhões de reais a mais por ano no custeio dos procedimentos de diálise peritoneal, uma terapia indicada para pacientes que apresentam quadros de insuficiência renal aguda ou crônica. Com internações, transplantes e medicamentos, o Ministério da Saúde aplica quase 4 bilhões por ano na Terapia Renal Substitutiva, que são a hemodiálise e a diálise peritoneal, de acordo com informações do Portal da Saúde.

Hipertensão e diabetes são fatores de risco

Deise De Boni alerta que a hipertensão arterial e o diabetes sem controle são os maiores vilões da saúde renal. Fazem parte da lista também as glomerulonefrites, que são doenças inflamatórias causadas principalmente por reações a processos infecciosos ou imunológicos; o Lúpus Eritematoso Sistêmico e outras doenças autoimunes; os cálculos renais e a gota, entre outros. A médica chama atenção ainda para outros fatores de risco, como as doenças cardiovasculares, o uso frequente de anti-inflamatórios, o tabagismo, o histórico familiar e a idade superior a 65 anos.

De acordo com a especialista, o diagnóstico de doença renal deve ser feito por meio de exames de sangue ou de urina, mas é bom estar atento a sintomas como edema na face, tornozelos, alteração da cor e do volume ou presença de espuma na urina, palidez, mal estar, perda de apetite, náuseas e cefaleia. Muitas vezes, as doenças renais avançam de forma silenciosa e quando os sintomas são reconhecidos, o comprometimento da função renal já está em estágio avançado.

As doenças renais com frequência permanecem silenciosas durante muitos anos, sem sinais ou sintomas reconhecíveis ou com sinais muito genéricos. Por isso, é muito importante fazer exames de rotina. Eles podem revelar sangue ou proteínas na urina ou níveis elevados de creatinina e de ureia no sangue, que são sinais precoces de lesão renal. Entretanto, alguns avisos de doença renal não devem ser ignorados. É necessário procurar um médico imediatamente quando ocorrem:

  • Inchaço (edema), especialmente em torno dos olhos ou na face, nos pulsos, no abdome, nas coxas e nos tornozelos
  • Urina espumosa, sanguinolenta ou cor de café
  • Diminuição do volume urinário
  • Problemas durante a micção, como queimação ou secreção anormal, ou alteração da frequência urinária, especialmente à noite
  • Dor lombar, abaixo das costelas, perto da localização dos rins
  • Hipertensão arterial

Com o progresso da doença renal, os sintomas podem incluir:

  • Aumento ou diminuição da frequência urinária
  • Prurido
  • Cansaço, perda da concentração
  • Perda do apetite, náuseas e vômitos
  • Inchaço e/ou dormência nas mãos e nos pés
  • Escurecimento da pele
  • Espasmos musculares

 

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