Hipertensos, cardíacos e obesos sofrem mais com apneia do sono

Veja dados e pesquisas sobre o tema e conheça algumas novidades tecnológicas no controle do sono que serão apresentadas durante a Hospitalar 2018, em São Paulo

Redação
Equipamento mede apneia do sono Feira Hospitalar 2018, em São Paulo, apresenta novidades no tratamento da apneia do sono (Foto: Divulgação)
Máscaras nasais e faciais
Modernas e anatomicamente adaptáveis, as máscaras nasais e faciais também são importantes recursos durante o tratamento da apneia do sono (Foto: Divulgação)

Sono leve, ronco ou insônia? Você não está sozinho. Cerca de 75% dos brasileiros relatam ter pelo menos uma queixa dessas durante a noite, ou seja, 108 milhões de pessoas, segundo a Associação Brasileira do Sono. Um terço dos adultos e 10% das crianças têm apneia do sono, uma doença caracterizada pelas pausas respiratórias durante o sono.

As consequências da síndrome da apneia obstrutiva do sono são múltiplas e por vezes catastróficas.  As mais óbvias são as neurocognitivas, com sonolência excessiva diurna levando a graves problemas, como queda importante da qualidade de vida, produtividade e graves prejuízos no trabalho e relações sociais. Depressão, redução da libido, impotência sexual e cefaleia pela manhã são alguns sintomas da apneia, que pode levar ao aumento do risco cardiovascular, hipertensão arterial, aumento na incidência de infarto, derrames cerebrais, arritmias cardíacas e diabetes.

Segundo especialistas, os pacientes têm risco aumentado de acidentes automobilísticos. O sono superficial, fragmentado, e de má qualidade, contribui para a perda de memória e é importante fator de risco para depressão. Em alguns pacientes (particularmente importante para as crianças) a principal manifestação é irritabilidade e dificuldade para concentração.

A apneia do sono é muito mais comum do que imaginávamos. Um a cada três adultos na cidade de são Paulo tem apneia, que pode causar, além de ronco alto, sono de má qualidade, sonolência diurna, cansaço e também contribuir para hipertensão, arritmia cardíaca e risco aumentado de morte por doença cardiovascular”, explica Geraldo Lorenzi Filho, médico pneumologista especialista em sono.

Estudos mostram que a doença está associada a algumas comorbidades como hipertensão, diabetes e obesidade. Cerca de 83% de hipertensos com resistência a medicamentos sofrem com a apneia obstrutiva do sono (OSA). O distúrbio é definido por episódios recorrentes de eventos respiratórios constituídos de paradas totais (apneias) ou reduções do fluxo (hipopneias) das vias aéreas superiores. Os dados da pesquisa concluem que a alta prevalência de OSA nesses pacientes sustenta seu potencial papel na origem ou evolução da hipertensão resistente a medicamentos.

Poligrafia pode ser feita dentro de casa

Equipamento para apneia do sono
Equipamento é conectato a plataforma que pode ser acessada a distância por médico (Foto: Divulgação)

O diagnóstico da apneia do sono é feito pela poligrafia ou polissonografia, exame em que o paciente dorme conectado a dispositivos que avaliam toda sua respiração durante todos os estágios do sono. A boa notícia é que a tecnologia já permite diagnosticar, tratar e monitorar esse distúrbio à distância, trazendo mais saúde e qualidade de vida ao paciente, com autonomia que permite melhor adesão ao tratamento.

Tão eficiente quanto o exame feito em hospital, a poligrafia reduz a quantidade de fios e cabos conectados e permite que o diagnóstico seja feito na casa do paciente, através de um dispositivo cujos dados registrados à noite são encaminhados, pela nuvem, para o médico. Os chamamos CPAPs, equipamentos portáteis conectados a um tubo e máscara que permite alívio respiratório, se conectam a uma plataforma que pode ser acessada pelo médico diretamente do consultório.

Chamada de AirView™, a tecnologia com dados armazenados na nuvem permite o monitoramento remoto dos distúrbios respiratórios do sono e garante melhor adesão ao tratamento, , de acordo com o fabricante Resmed, empresa especializada em dispositivos conectados para distúrbios do sono. Esse é um dos destaques da 25ª edição da Hospitalar 2018, que acontece entre os dias 22 e 25 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo.

Resultados após AVC e crises de hipertensão

médico Alexandre Pereira de Oliveira, de 41 anos, começou a usar o CPAP após um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e passar a sofrer com apneia central. “Senti de imediato a diminuição da sonolência diurna, uma melhora na disposição e ânimo no dia a dia. Mesmo nas noites que durmo pouco (de 5 a 6 horas), não me sinto tão cansado como antes”, afirma. Ezidia Maria de Paula, 61, usa o aparelho há um ano e  meio  e garante que melhorou bastante a qualidade  do seu sono. “A minha pressão alta subia à noite,  fiz uso de medicamentos por um tempo e hoje já não preciso mais”, conta ela.

O impacto da apneia é muito grande no paciente hipertenso, visto que um terço deles podem apresentar apneia do sono e 64% dos pacientes com hipertensão resistente, forma mais agressiva de hipertensão, possuem a doença. Os dados de nossas pesquisas enfatizam a alta prevalência e em estudos posteriores, demonstramos que o controle da apneia do sono com o CPAP foi capaz de reduzir a pressão arterial”, explica Rodrigo Pedrosa, cardiologista especialista em Medicina do Sono e doutor em Ciências pela USP.

Apenas 18 entre 100 pacientes procuram um médico

Estudos da Resmed mostram que de 100 pessoas que suspeitam do problema, apenas 18 procuram o médico. “Entre o diagnóstico feito em hospital com mais de 30 fios conectados ao corpo, que claro, são desconfortáveis, até o tratamento, apenas três pessoas aderem aos cuidados. Por isso a importância de fazer uso da tecnologia, que permite que a jornada seja mais tranquila desde o diagnóstico”, afirma a fisioterapeuta Claudia Albertini, doutora em Fisiopatologia Experimental pela Faculdade de Medicina da USP.

“Nossos dispositivos registram diariamente dados como número de horas que o paciente usou o CPAP a cada noite, além de vazamentos, eventos residuais etc. Como esses CPAPs têm um chip de internet conectado, automaticamente, lá do consultório ou via celular e tablet, o médico consegue monitorar se o paciente está fazendo o uso correto do dispositivo e, assim, tomar as medidas necessárias em conjunto com o paciente para seguir com o tratamento”, complementa Claudia, que é gerente clínica para a América Latina da ResMed. Segundo ela, homens e mulheres possuem mecanismos fisiológicos de respiração diferentes, por isso o uso de CPAPs deve ser corretamente indicado pelo médico de acordo com o tipo de apneia.

Por que os obesos têm maior propensão à apneia?

A pesquisa mostra ainda que 76% de indivíduos com insuficiência cardíaca sofrem de problemas respiratórios do sono, e a apneia está relacionada principalmente aos pacientes com insuficiência cardíaca crônica. Os obesos também sofrem com a parada respiratória durante o sono e em muitos casos – segundo a pesquisa Evidence supporting routine polysomnography before bariatric surgery-  não foram diagnosticados antes da consulta para cirurgia bariátrica. “O volume de tecido adiposo depositado adjacente à via aérea faríngea está relacionado com a presença e gravidade da OSA”, conta Claudia Albertini. 

Os distúrbios metabólicos são muito frequentes nos pacientes com obesidade e apneia do sono. “Recentemente, demonstramos que um terço dos pacientes com diabetes podem apresentar apneia e 40% dos pacientes com síndrome metabólica são portadores desse distúrbio do sono. Essa importância vai além da associação frequente. Estudos recentes demonstram que o tratamento da apneia também pode ajudar no controle dos hormônios que pioram o controle da glicose no sangue, além de melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, acrescenta Dr. Pedrosa.

Mulheres na menopausa tendem a ter mais apneia

Embora acredita-se que homens sofram mais com apneia obstrutiva do sono do que as mulheres (4% versus 2%), as diferenças no que diz respeito à prevalência desse distúrbio do sono diminuem conforme a idade, principalmente quando a mulher se aproxima da menopausa. É o que diz estudo que sugere que os hormônios sexuais femininos têm um efeito na patência (um termo médico usado para se definir a capacidade de manter uma via desobstruída) das vias aéreas superiores e / ou no drive ventilatório.

O hormônio progesterona é um conhecido estimulante respiratório que colabora no aumento do tônus muscular da via aérea. Porém, os níveis de progesterona diminuem após a menopausa. “Há grande prevalência de insônia e apneia após a menopausa. Cerca de 60% das mulheres menopausadas se queixam de insônia. Dessas, cerca de metade apresenta apneia ao ser avaliada por especialista. A perda dos hormônios femininos nessa fase, em especial a de progesterona, bem como aumento de gordura abdominal aumentam a prevalência de apneia nas mulheres após a menopausa”, conta a Dra. Helena Hachul (Unifesp), ginecologista especialista no sono na mulher.

Entre alguns dos sintomas da apneia estão cansaço, sonolência excessiva, irritabilidade e problemas de memória. Cerca de 75% dos brasileiros relatam ter, pelo menos, uma queixa de sono, sendo as mais comuns: sono leve e insuficiente, ronco e insônia. De acordo com a Sleep Foundation, são recomendadas de 7 a 9 horas de sono, por volta dos 16 aos 64 anos, idade que compreende a mulher na menopausa (entre 45 e 55 anos).

“O ronco é apenas um dos sinais da apneia do sono. Para essas mulheres e qualquer outra pessoa, desde que com orientação de médico especializado, é possível fazer o diagnóstico em domicílio por meio de um dispositivo simples e fácil de usar, que registra na nuvem, entre outros dados, o fluxo de ar nasal e esforço respiratório durante o sono, permitindo avaliar a maioria dos tipos de distúrbios respiratórios”, afirma Alexander Gaya, gerente de Desenvolvimento de Mercado da ResMed para América Latina.

Principais números

– Cerca de 75% dos brasileiros relatam ter pelo menos uma queixa de sono, sendo as mais comuns: sono leve e insuficiente, ronco e insônia

–  Aproximadamente 108 milhões de brasileiros podem ter algum distúrbio

– Cerca de 30% dos adultos e 10% das crianças têm apneia do sono

– Estudo conduzido na cidade de São Paulo aponta que 32.8% das pessoas têm apneia do sono

– Outra pesquisa mostrou que distúrbios respiratórios do sono estão presentes em 76% dos pacientes com insuficiência cardíaca

– Cerca de 45% das mulheres reportam ronco moderado a severo durante o terceiro trimestre da gestação

– 20% de mulheres apresentam apneia também no terceiro trimestre de gestação

– De cada 100 pacientes apenas 18 procuram ajuda médica

– Desses 18, apenas em 7 deles o médico consegue detectar se existe alto risco de apneia

– Desses 7, apenas 4 realizam o teste de diagnóstico e desses 4, só 3 são diagnosticados

– Dos 3 diagnosticados, apenas 2 seguem o tratamento com CPAPs

Fonte: Pesquisa ResMed

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