Homeopatia pode diminuir sintomas agudos da Covid-19

Pesquisa brasileira demonstra que diferentes medicamentos homeopáticos geram mudanças no comportamento de células-tronco. Literatura mostra o uso da terapia em epidemias e pandemias históricas

Redação

A homeopatia, para diminuir os sintomas e melhorar o da Covid-19, é alvo de vários estudos no Brasil e no mundo. A mídia mundial atribuiu à homeopatia a recuperação do príncipe Charles, do Reino Unido, que foi acometido em março pelo coronavírus. O argumento é que a Covid-19, quando tratada como terapia homeopática precoce, juntamente com o apoio da terapia convencional, pode vir a trazer resultados positivos para o paciente enfrentar a doença.

Com 71 anos, o filho mais velho da rainha Elizabeth II não é o único da família real que faz uso da homeopatia – boa parte do reinado britânico, desde o rei George VI (1895-1952), é adepta à terapia. A divulgação foi feita pelo membro do Parlamento Shri Manish Tewari em carta ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em que enfatizava o uso de tratamento homeopático para pacientes em quarentena e à sociedade em geral para aumentar a imunidade. 

A homeopatia é considerada eficaz no tratamento de infecções virais, tanto como um complemento para aumentar a imunidade quanto para combater os sintomas de doenças. Medicamentos homeopáticos já foram utilizados com excelentes resultados nas grandes epidemias desde o século XIX e, com a Covid-19, a homeopatia está sendo aplicada para combater os principais sintomas agudos nas diferentes fases da doença. 

A pesquisadora brasileira,  Marli Cristina Pereira, do Mestrado Profissional em Biotecnologia Industrial da Universidade Positivo (UP), fez um estudo sobre diferentes medicamentos homeopáticos gerarem mudanças no comportamento de células-tronco. “No caso da pandemia da Covid-19, homeopatas de todo o mundo têm observado a repetição de vários sintomas, aos quais sugerem alguns medicamentos homeopáticos, envolvendo a prevenção e o tratamento”, diz ela.

A especialista esclarece de que não há apenas um único medicamento homeopático para a Covid-19, “porque a homeopatia segue um caminho um pouco diferente da alopatia, ou medicina tradicional. A maneira como ocorreu o desenvolvimento da doença no organismo, informação obtida na avaliação inicial do paciente, passa a ser muito importante e a influenciar a prescrição homeopática. Assim, um mesmo problema pode ter vários tratamentos, ou seja, é possível que em alguns casos, sintomas idênticos possam resultar na prescrição de medicamentos homeopáticos diferentes.

Além disto, Marli Cristina também ressalta que, dependendo da gravidade da doença, o uso da homeopatia pode não evitar sua evolução. “Sabemos que a Covid-19 se apresenta assintomática ou evolui para um estágio tão grave que exige intubação. Nesses casos, assim como em outras doenças graves, a homeopatia também pretende contribuir minimizando o sofrimento emocional e físico”, afirma. Sobre o tempo de resposta do organismo ao tratamento, a mestranda explica que “depende da gravidade da doença e da suscetibilidade da pessoa”.

Homeopatia já foi usada em várias epidemias

A homeopatia é reconhecida e regulamentada como uma especialidade médica, odontológica, veterinária e farmacêutica, podendo ser prescrita apenas por profissionais destas áreas, para as diversas situações específicas dentro das áreas de atuação de cada um. Segundo Marli, há registros científicos do uso da homeopatia em doenças como a Escarlatina (1799-1820), cólera asiática (1831-1849), difteria (Nova Iorque, 1862), gripe espanhola (1918), dengue (Brasil, 2008-2012) e H1N1 (Brasil, 2009).

Associação Médica Homeopática Brasileira formou um comitê especial de pesquisa e desenvolveu um estudo preliminar de avaliação do primeiro estágio da pandemia se baseando nos sintomas primordiais da doença que se repetiam e é um ponto de partida para novos estudos clínicos.

Na Índia, o Advanced Research Laboratory, o DRW & Research in Homoeopathy, Homoeopathic Medical Education, o Department of AYUSH e o Government of Kerala na Índia publicaram o artigo Preventive and curative protocol for homoeopathic management of COVID-19  para propor um protocolo de colaboração com o Departamento de Homeopatia para aumentar a imunidade da população de Querala.

Comprovações científicas

A escassez de comprovações científicas sobre os efeitos das formulações homeopáticas na saúde, tanto no ser humano quanto em animais, é argumento tanto para quem questiona a homeopatia quanto para quem a defende. O estudo de Marli Cristina Pereira teve início em 2018 e se propôs a avaliar o comportamento das células-tronco frente a diferentes medicamentos e dosagens homeopáticos. Os resultados demonstraram que, de acordo com o tipo e dosagem, a medicação homeopática pode ser citotóxica (tóxica para a célula) ou, ao contrário, pode até estimular a proliferação celular.

A pesquisa culminou com a defesa da dissertação “Avaliação da influência de medicamentos homeopáticos com tropismo ósseo sobre células-tronco mesenquimais da polpa de dente decíduo”, em fevereiro deste ano. Orientado pelo professor João César Zielak, o trabalho foi realizado no Centro de Processamento Celular da Curityba Biotech, localizado dentro da UP que, além de pesquisas, também faz armazenamento de células-tronco de origem dentária. Marli Cristina Pereira é odontopediatra, homeopata e vice-presidente da Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas Homeopatas (ABCH)

 

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