Hospital de campanha fica pronto, mas ainda não funciona

Unidade no Riocentro aguarda chegada de equipamentos e só funcionará quando hospital de referência tiver 70% de ocupação

Redação
A unidade de campanha da capital é a maior da rede pública no estado. São 16,5 mil m² de pavilhão e 13 mil m² de área construída (Foto: Divulgação/ Prefeitura do Rio)
Com capacidade para receber 500 pacientes da Covid-19, o primeiro hospital de campanha do Rio de Janeiro ficou pronto no Riocentro, na Zona Oeste da cidade. As obras foram entregues neste domingo (19), mas a unidade só vai entrar em operação quando a capacidade total do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, referência na rede pública municipal para o tratamento da covid-19, chegar a 70% de ocupação (dos 381 leitos). Por enquanto, o município aguarda a chegada de equipamentos vindos da China, o que só deve ocorrer no fim do mês.
Enquanto isso, a Prefeitura do Rio já admite contratar leitos em hospitais privados para tratamento dos infectados pelo novo coronavírus, se a ocupação da rede municipal de saúde chegar a 100%. O prefeito Marcelo Crivella mostrou-se preocupado quanto à curva ascendente da Covid-19, já que os equipamentos comprados, entre os quais respiradores, chegarão em duas levas, no fim deste mês e no de maio.
Estamos chegando ao momento crítico de enfrentamento dessa doença. Todo o sacrifício que fizemos não pode ser jogado fora agora que a curva (de casos) se acelera.  Fazendo uma comparação, estamos construindo nossa arca, e não é possível que, por imprudência, a gente antecipe o dilúvio. Nós temos que estar com a arca pronta para quando o dilúvio chegar, que é o ponto máximo de inflexão da curva de contaminação”, afirmou Crivella.
Segundo ele, a prefeitura vai publicar edital para pagar por leitos em hospitais particulares e a população não ficar desatendida, caso as unidades municipais ainda não estejam inteiramente equipadas. “Não vamos arrestar, vamos pagar o mesmo que o governo federal estipulou, para termos a garantia de que o colapso não vai chegar nesse momento”, disse ele.
Na quinta-feira (16), a taxa  de ocupação dos leitos de UTI da rede SUS — que inclui as unidades municipais, estaduais e federais em toda a cidade do Rio de Janeiro — era de 88,45%. Isso significa que 548 dos 619 leitos disponíveis de UTI na rede SUS no município estão ocupados, sendo 203 por covid-19 e os demais por pacientes vítimas de infartos, AVC, câncer e outras doenças graves.

Equipamentos só chegam no fim do mês

A ampliação dos leitos está sendo realizada gradualmente e será concluída com a chegada, prevista para os próximos 10 dias, de novos respiradores e monitores, comprados pela prefeitura antes da pandemia para reequipar os hospitais da cidade. Cem dos respiradores serão instalados no hospital de campanha, no Riocentro. Outros oito hospitais de campanha serão construídos no Estado do Rio, gradativamente.
No próximo dia 27 sairá da China um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) com nova leva de equipamentos e materiais para o hospital de campanha do Riocentro. A previsão de chegada é entre os dias 29 e 30 de abril. A Prefeitura já iniciou a contratação de pessoal para o trabalho no local, como médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes de apoio.
Todos os leitos no hospital de campanha  têm saídas de gases medicinais para os respiradores, com oxigênio,  ar comprimido e vácuo para sucção,  distribuídos por meio de 16 km de tubulações de cobre. Os leitos são equipados, ainda, com botões para comunicação com os postos de enfermagem, quatro pontos de energia elétrica para os aparelhos necessários ao monitoramento dos sinais vitais dos pacientes,  e um móvel de cabeceira, além de kits de higienização.
Foram montados no espaço 13 postos de enfermagem, sendo um para cada 30 leitos.  São 65 banheiros femininos, masculinos e para pessoas com deficiência, que funcionarão junto aos postos de enfermagem e estão equipados com lavatórios, sanitários e boxes com chuveiros. Haverá uma farmácia, um centro de admissão de pacientes, uma cozinha industrial e um refeitório.

Tecnologia para desinfecção e câmeras com rede wi-fi

A unidade de campanha da capital é a maior da rede pública no estado, com 16,5 mil metros quadrados de pavilhão e 13 mil metros quadrados de área construída. São 500 leitos destinados a pacientes com o novo coronavírus, sendo 400 de clínica médica e 100 de UTI, entre os quais, 15 com recursos para hemodiálise.
Foram montados também um centro cirúrgico em uma área de 500 metros quadrados, com aparelhos de autoclave e termo-desinfectador, e três salas para procedimentos, além de um centro de imagens com tomógrafo e raio-x digital.
Quando o hospital de campanha entrar em operação, a rede municipal de saúde terá mais de mil leitos para atendimento de pessoas infectados pela doença causada pelo novo coronavírus. Desde no início da pandemia, a Secretaria Municipal de Saúde já abriu 313 novos leitos exclusivos. Desse total, 109 leitos são de UTI.
Os leitos estão distribuídos no Hospital Ronaldo Gazolla, em Acari, e outras nove unidades da rede. Somente no Ronaldo Gazolla,  foram abertos 186 leitos, sendo 65 de UTI. O hospital terá ao todo 381 leitos exclusivos – 201 deles destinados aos pacientes que precisam de cuidados intensivos.
Ao chegar e sair, os profissionais de saúde farão a desinfecção na área externa do hospital, em containers com 18 chuveiros femininos e 18 masculinos, além de local para depósito de roupa suja. Todo fluxo de desinfecção foi elaborado com o apoio de técnicos da Subsecretaria de Vigilância Sanitária. O CTI, o centro de imagens e o centro cirúrgico têm instalações de ar-condicionado independentes.
Todos os leitos são monitorados por 90 câmeras espalhadas estrategicamente e têm rede de wi-fi. Para isso, foram utilizados 18 km de cabos. Dos quatro mezaninos já existentes, três funcionarão como sala de descanso para médicos e enfermeiros. Toda parte de equipamento médico e pessoal será fornecido pela Secretaria Municipal de Saúde.
Foram investidos cerca de R$ 10 milhões na construção da unidade, fora o valor destinado à operação e manutenção. Ao todo, 160 funcionários trabalharam diariamente, divididos em dois turnos, na construção do hospital.

Três novos tomógrafos chegam ao Rio

A Prefeitura do Rio também anunciou que entrega nesta nova semana três novos e modernos tomógrafos para unidades de saúde da rede municipal nas zonas Oeste e Norte da cidade. Fundamentais para o diagnóstico do novo coronavírus, os equipamentos serão instalados nas policlínicas Lincoln de Freitas Filho – Santa Cruz, Rodolpho Rocco – Del Castilho, e Manoel Guilherme da Silveira Filho – Bangu.

Os tomógrafos têm 128 canais e alta definição das imagens captadas, o que vai ampliar a precisão do diagnóstico da covid- 19. Cada aparelho custou U$ 950 mil  e deverá realizar, em média, 1.200 exames por mês.  A previsão é entrarem em funcionamento em até 15 dias, após as obras de adequação realizadas pela Secretaria municipal de Infraestrutura, Habitação e Conservação.  Os tomógrafos fazem parte do lote de seis que chegaram ao Rio no mês passado.

Outros 10 tomógrafos modernos como esses estão a caminho do Brasil, com previsão de chegada no final do mês.  Eles fazem parte do investimento de mais de R$ 300 milhões da atual gestão municipal na compra de equipamentos para renovação do parque tecnológico da rede municipal de Saúde.

O hospital de campanha, construído no Riocentro para tratamento de pessoas infectadas com o covid-19, já recebeu um dos tomógrafos na quinta-feira (16/04). O outro será instalado no Hospital Miguel Couto e um equipamento será doado para o Hospital Mario Kroeff, na Penha, para ajudar no tratamento e diagnóstico  de pessoas com câncer atendidas na unidade federal.

Centros de testagem e EPIs para profissionais de saúde

Na sexta-feira (17), a prefeitura anunciou duas medidas para reforçar a proteção aos profissionais de saúde da linha de frente de combate ao novo coronavírus: a implantação de 10 centros de testagem de Covid-19 exclusivos a quem trabalha na rede municipal e apresentar sintomas suspeitos de Covid-19, e a entrega de 460 mil capotes para uso nas unidades.
Cada uma das dez Coordenadorias de Atenção Primária do município distribuídas pela cidade vai estabelecer um local para que os testes sejam feitos nas próprias regiões onde os profissionais trabalham. O material coletado será enviado para exame laboratorial no Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels), do governo do Estado. A determinação é que os centros sejam criados o mais rápido possível.
Capotes impermeáveis  – A Secretaria municipal de Saúde vai também entregar 460 mil capotes impermeáveis (nome técnico para os aventais médicos) em todas as unidades de urgência e emergência, além do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla. A carga já chegou ao Rio e começará a ser distribuída no início da próxima semana.
A Prefeitura do Rio já comprou mais de 3 milhões de máscaras, óculos e outros itens de proteção individual, que chegarão da China em aviões da FAB. A primeira remessa tem previsão de chegada para 27 de abril. Outros 1,1 milhão de máscaras N-95 foram adquiridas no mercado nacional, devido à dificuldade de encontrar e transportar o produto no mercado internacional. A primeira remessa, de 500 mil máscaras N-95, chegará ao Rio na próxima semana.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) está suspendendo as visitas a pacientes internados, como medida de segurança para evitar a transmissão do novo coronavírus.

Com Assessorias