Junho Vermelho: Tive Covid-19, posso doar sangue?

Hematologista tira dúvidas e desvenda alguns tabus sobre doação de sangue durante live nesta segunda-feira, véspera do Dia Mundial do Doador de Sangue

Menos de 2% da população brasileira é doadora de sangue, segundo o Ministério da Saúde, o que não é suficiente para manter as demandas dos hemocentros do país. Uma das principais explicações da baixa adesão é o medo e o desconhecimento sobre a doação.

“Muita gente só pensa em doar quando alguém próximo precisa. A maioria desconhece o processo da doação e ainda, há alguns tabus que impedem que o ato seja realizado com frequência. Uma doação de sangue pode salvar até quatro vidas. É um gesto voluntário e altruísta”, afirma a hematologista Lorena Bedotti, do Grupo SOnHe – Oncologia e Hematologia.

Para ajudar a esclarecer dúvidas e desvendar tabus sobre doação de sangue, no dia 13 de junho, véspera do Dia Mundial do Doador de Sangue (14/6), às 19 horas, o Grupo SOnHe realiza uma live no Instagram @gruposonhe, do oncologista André Sasse, CEO do grupo, e da hematologista Jamille Cunha.

“Será um bate-papo bem descontraído com muita informação para incentivar a doação. Participem! Todo auxílio é válido para continuar a permitir que este ato de solidariedade continue a salvar vidas por todo o mundo”, convida Jamille.

Confira algumas questões que serão abordadas durante a live que a Dra Jamille já respondeu:

Tive covid, posso doar?

Sim. Dez dias após a completa recuperação da doença é possível se candidatar à doação. Uma semana após recuperação de resfriados comuns já é possível realizar a doação. No caso de outras doenças bacterianas com uso de antibióticos, é recomendado esperar duas semanas após término de tratamento para prosseguir com a doação. Já para Dengue recomenda-se esperar um mês. Se o doador apresentou infecção prévia por HIV, hepatite C ou B e doença de chagas, a inaptidão para doação é definitiva.

Tive câncer, posso doar?

Infelizmente, pela legislação brasileira atual, não. Os únicos tipos de tumores que não contraindicam a doação são o carcinoma basocelular (um tipo de tumor de pele) e carcinoma de colo uterino in situ. Tal proibição deve-se ao risco teórico de que células cancerígenas do doador possam ser transmitidas pelo sangue e se implantem no receptor. Tal proibição é alvo de debates frequente, pois, até o momento, não há comprovações científicas contundentes, porém, ainda se mantém.

Mulheres amamentando podem doar?

Mulheres que estão amamentando só podem doar se o parto tiver ocorrido há mais de 12 meses. Em mulheres que não estão amamentando a doação pode ser feita três meses após o parto (ou aborto). Não é possível doar sangue durante a gravidez para evitar problemas à gestante e ao bebê.

Tenho hipertensão, posso doar?

Candidatos em boas condições de saúde, com algumas doenças como hipertensão, dislipidemia, hipotiroidismo, entre outras; desde que controladas, podem doar. Doenças que impedem a doação: diabetes insulino-dependente, doença cardíaca importante, asma grave, enfisema grave, embolia pulmonar, anafilaxia prévia, AVC prévio, cirrose hepática, doença renal crônica e outras doenças graves.

Devo estar em jejum para doar sangue?

A recomendação do Ministério da Saúde é a oposta: o doador de sangue não deve estar em jejum, apenas é recomendado que se evite refeições gordurosas antes da doação.

Posso ter bebido álcool?

O Ministério da Saúde exige que doadores não tenham feito uso de bebida alcoólica por pelo menos 12 horas antes da doação. Alcoolismo crônico é inaptidão definitiva para doação.

Homossexuais podem doar?

Sim! Após a RDC 399/2020, independente da orientação sexual, candidatos com parceiro (a) sexual fixo, sem relações ocasionais com terceiros, há pelo menos 12 meses, podem doar.

E quem tem tatuagem ou piercing, pode doar?

Seis meses após a realização da tatuagem ou colocação de piercing é possível se candidatar à doação (12 meses se não houver condição de avaliação da segurança do procedimento realizado). No entanto, se piercing em região oral ou genital, o voluntário não poderá doar enquanto estiver com piercing. Quando retirá-lo, terá de esperar 12 meses para voltar a doar sangue (devido ao risco de infecção permanente).

Menor de idade pode doar?

No Brasil, a lei permite doação a partir dos 16 anos de idade, sendo que para aqueles que ainda não completaram 18 é necessária aprovação por escrito de um responsável legal. É necessário também ter peso mínimo de 50 kg (a quantidade de sangue doada é padronizada, o que pode não ser tolerado caso o doador tenha baixo peso). A doação é permitida até os 69 anos (desde que o voluntário tenha doado pela primeira vez antes dos 60 anos). O intervalo entre as doações de sangue atualmente recomendado é de 90 dias para mulheres e 60 dias para homens.

Doar sangue é seguro? Se doar meu sangue terei o suficiente?

doação de sangue é um procedimento extremamente seguro, que costuma acarretar pouco ou nenhum risco para a população em geral. A coleta é feita por profissionais especializados e todo o material utilizado é estéril, descartável e de uso individual. Além disso, o voluntário passa por uma avaliação clínica antes de doar, momento em que são avaliadas suas condições físicas para o procedimento. Nosso organismo repõe todo o volume de sangue doado nas primeiras 24 horas após a doação, não causando sintomas ou prejuízo ao doador.

Devo ser remunerado pela doação de sangue?

No Brasil, conforme estabelecido em lei, a doação de sangue deve ser voluntária, anônima e altruísta, não devendo o doador, de forma direta ou indireta, receber qualquer remuneração ou benefício em virtude da sua realização.

*Lorena Bedotti é médica graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp), universidade na qual também obteve seu treinamento em Clínica Médica. Realizou especialização em Hematologia e Hemoterapia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e em Transplante de Medula Óssea, na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP-RP). Tem título de especialista em Hemoterapia e Hematologia e título de especialista em Transplante de Medula Óssea conferidos pela Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH). Atuou de 2018 a 2021, como médica assistente na unidade de transplante de medula óssea no Hospital de Amor de Barretos. Atualmente, é médica assistente do transplante de medula óssea no Hemocentro e no Hospital de Clínicas da Unicamp. Tem experiência em oncohematologia, com foco na área de transplante de medula óssea. Desde 2021 faz parte do Grupo SOnHe atuando como  hematalogista.

*Jamille Cunha é médica formada pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR) com residência de Clínica Médica pelo MEC no Hospital Ipiranga em São Paulo e residência de Hematologia e Hemoterapia na EPM/Unifesp. Na hematologia, possui aprimoramento em citometria de fluxo em doenças hematológicas e oncohematologicas pela escola de ensino e pesquisa USP-SP. Foi médica assistente do instituto do câncer de São Paulo – ICESP. Atualmente, em andamento com mestrado pelo departamento de oncologia clínica UNIFESP/EPM com foco no estudo em doenças mieloproliferativas crônicas. Desde 2022 faz parte do Grupo SOnHe atuando como  hematalogista.

Serviço:

Live Doação de Sangue

Data e horário: 13 de junho às19 horas

Local: @gruposonhe

 

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