Livro ensina a encarar finitude de forma menos traumática

Em ‘Última Palavra’, a enfermeira Tércia Soares Sharpe mostra como lidar com questão sensível e,m muitas vezes, cercada por grande tabu, ampliando o sofrimento

Cristina Nunes

 

Nunca é fácil perder um ente querido. Mas é inevitável. Ou sofrer de uma doença grave e mortal. Foi pensando em como lidar com a nossa finitude de uma forma menos traumática que a enfermeira Tércia Soares Sharpe lançou, em abril, o livro ‘Última Palavra’, da Editora Literare Books.

Tércia propõe aos leitores uma reflexão sensível sobre o tema, compartilhando pequenas histórias de pacientes que acompanhou. A autora é enfermeira e defende que família e equipe médica precisam sempre levar em consideração o bem-estar do paciente e que se deve, sim, tratar do tema tabu:

A morte é a única certeza que temos nessa vida. Essa realidade não é deprimente; é apenas uma realidade”, afirma.

Temas como doação de órgãos e cuidados paliativos são tratados de forma delicada e séria. O que não significa dizer, no entender de Tércia Soares, que o paciente esteja com o destino definido e traçado.

“Trata-se de uma opção para pessoas que recebem o diagnóstico de uma doença crônica grave, por exemplo, e um tratamento focado na qualidade de vida do paciente e seus familiares, por meio da prevenção e alívio do sofrimento”, explica.

Neste sentido, o livro ajuda o leitor a abrir os olhos e valorizar o tempo, a vida, ser grato pela existência porque ela tem princípio, meio e fim (o que costumamos esquecer). Afinal, a satisfação por viver e pela vida pertence a cada um de nós. De viver nossa jornada da melhor maneira possível. Com o livro, podemos nos informar, bem como tomar decisões como a obra sugere e seguir vivendo plenamente.

“Claro que não precisa pensar nisso o tempo todo. Precisa apenas se preparar. O que facilitará o luto de nossos familiares e conhecidos e amigos”, diz a autora.

Foi também por isto que a enfermeira recorreu a situações que vivenciou: “Fui pensando em meus pacientes e o que era importante pra eles. As ideias foram surgindo e eu fui selecionando as histórias que exemplificam os temas que julgo serem importantes”, conta ela.

A ideia de registrar tais casos também se deu diante de uma realidade recorrente na rotina da enfermeira: muitas das vezes o paciente não possuía mais condições cognitivas de decidir quais rumos tomar sobre a própria vida. As responsabilidades de decisão sobre o fim e as possibilidades de tratamento recaiam sobre a família, já fragilizada e emocionalmente estressada, com toda a situação. A obra se propõe a evitar situações como essa, para que seja possível pensar e decidir sobre o assunto enquanto ainda se está saudável.

“Vivemos numa sociedade que busca obsessivamente a imortalidade. Esse é o maior sonho do ser humano. A realidade é que a morte faz parte da vida. Todos vamos morrer. Este é um fato tão natural quanto nascer. A ideia de uma vida finita nos deixa ansiosos, o que resulta, muitas vezes,  na negação do que é inevitável”, escreve Tércia no livro.

A obra acaba sendo um passaporte para a vida plena porque nos serve de alerta para a finitude da vida.

Sobre a autora

Tércia Soares Sharpe tem bacharelado em Enfermagem, mestrado em Missiologia, Especializada em Cuidados Intensivos, Associada à Fundação de Pesquisas ELNEC (End-of-Life Nursing Education Consortium), vinculada à AACN (American Association of Colleges of Nursing). Com 40 anos de experiência, além de ter atuado como enfermeira de cabeceira, também esteve nas áreas administrativas e educacionais da enfermagem no Brasil e Estados Unidos.

Especializada em Cuidados Paliativos, Iniciadora e Coordenadora do Programa do Fim da Vida no Hospital INOVA Loudon, VA, por nove anos. Recebeu o prêmio em Excelência no ano de 2012, por seu comprometimento em promover cuidados paliativos com excelência a pacientes críticos – oferecido por ELNEC. Recebeu o prêmio de Enfermeira Inovadora do Ano de 2013, oferecido por INOVA Health Systems, por iniciar o programa do fim da vida na instituição.

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