Metade das crianças brasileiras tem anemia

Suplementação com ferro pode resolver o problema entre 6 meses e dois anos de idade. Campanha Junho Laranja alerta para anemia e leucemia

Dados da Opas- Organização Panamericana de Saúde indicam que 40% a 50% das crianças brasileiras menores de 5 anos possuem anemia, enquanto entre as gestantes a incidência é de 30% a 40%. Estudos no município de São Paulo apontam para o crescimento da anemia em crianças menores de 5 anos, que cresceu de 22% no ano de 1974, passando para 35% em 1984 e chegando a 46% atualmente.

Uma das maneiras de prevenir a doença é oferecer sais de ferro para suplementar a dieta. O Ministério da Saúde recomenda a medida para toda criança entre seis meses e 2 anos de idade.

Um novo estudo, realizado por uma equipe da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sinaliza, no entanto, que poucas famílias seguem o conselho. Ou o seguem mal. Somente 5,6% das crianças de até 2 anos fazem essa suplementação, uma parcela muito abaixo da meta perseguida pelo Ministério da Saúde.

No mês de junho, a cor laranja da campanha da OMS alerta para a conscientização sobre a prevenção e tratamento da anemia e da leucemia, doenças que afetam o sangue. O Junho Laranja serve para que a população entenda os sinais de alerta e procure um especialista o mais precoce possível, a fim de se evitar que essas desordens hematológicas evoluam e se tornem ainda mais graves.

Segundo Marina Aguiar, médica hematologista da Aliança Instituto de Oncologia, a anemia se dá devido ao baixo nível de hemoglobina no sangue, o que leva a diminuição da capacidade de transporte de oxigênio. Ela complementa ” isso causa fraqueza, cansaço, fadiga, dificuldade para concentração, queda de cabelo, falta de ar, sonolência e perversão do apetite (vontade de ingerir alimentos não convencionais)”.

A anemia pode ser causada por diversos fatores: falta de nutrientes como ferro, vitamina B12, ácido fólico, além da destruição das hemácias por algum evento autoimune, hemorragias agudas ou mesmo pela falha de produção de glóbulos vermelhos pela medula óssea.

De acordo com a especialista, há vários tipos de anemia, entre eles, a aguda, a crônica e a hereditária. “O tratamento das anemias aguda e crônica é feito principalmente por meio de uma dieta balanceada, mas para prevenir a anemia não basta apenas ter uma boa alimentação. A prática de atividade física e uma boa hidratação também são essenciais no combate à doença”, acrescenta.

Tratamento pode incluir transplante de medula óssea

Segundo o hematologista Adelson Alves, presidente do Hemomed Instituto de Oncologia e Hematologia, a anemia é classificada em duas categorias: a hereditária ou a adquirida ao longo da vida. As hereditárias referem-se a alterações genéticas na fabricação do glóbulo vermelho como a Talassemia ou Anemias do Mediterrâneo comuns em indivíduos com ascendência italiana, portuguesa e libanesa ou ainda temos a Anemia Falciforme, comum em africanos.

Nas anemias adquiridas, o hematologista destaca como causas carência de nutrientes, alterações da medula óssea como as leucemias ou outras doenças como a falta de ferro ou de vitamina B12, doenças renais crônicas e alterações da tireoide. O tratamento indicado depende do tipo e da extensão da doença, podendo incluir reposição de vitaminas, cirurgias, transfusões de sangue e até o transplante de medula óssea.

Em casos mais graves, anemia pode indicar leucemia

Em outros casos, a anemia pode indicar doenças mais graves, como a leucemia. Que, segundo a médica, afeta os glóbulos brancos e tem como principal característica o acúmulo de células doentes na medula óssea, que substituem as células sanguíneas normais.

Na leucemia, uma célula sanguínea que ainda não atingiu a maturidade sofre uma mutação genética que a transforma em uma célula cancerosa. Essa célula anormal não funciona de forma adequada, multiplica-se mais rápido e morre menos do que as células normais. Dessa forma, as células sanguíneas saudáveis da medula óssea vão sendo substituídas por células anormais cancerosas”, descreve a especialista.

Ela comenta que existem mais de 12 tipos da doença, sendo que os quatro primários são: leucemia mieloide aguda (LMA), leucemia mieloide crônica (LMC), leucemia linfocítica aguda (LLA) e leucemia linfocítica crônica (CLL).

A médica aponta que as causas da doença ainda não estão definidas, mas o risco pode ser aumentado com o consumo de tabaco, o benzeno, radiação ionizante, histórico familiar e entre outros.

Principais sintomas da leucemia

Dra Marina comenta que os principais sinais decorrem do acúmulo de células defeituosas na medula óssea, prejudicando ou impedindo a produção das células sanguíneas normais.

A diminuição dos glóbulos vermelhos ocasiona anemia. A redução dos glóbulos brancos provoca baixa da imunidade, deixando o organismo mais sujeito a infecções muitas vezes graves ou recorrentes. A diminuição das plaquetas ocasiona sangramentos, sendo os mais comuns das gengivas e pelo nariz e manchas roxas (equimoses) e/ou pontos roxos (petéquias) na pele”, explica a hematologista.

Segundo ela, o paciente pode apresentar gânglios linfáticos inchados, mas sem dor, principalmente na região do pescoço e das axilas; febre ou suores noturnos; perda de peso sem motivo aparente; desconforto abdominal (provocado pelo inchaço do baço ou fígado); dores nos ossos e nas articulações. “Caso a doença afete o Sistema Nervoso Central (SNC), podem surgir dores de cabeça, náuseas, vômitos, visão dupla e desorientação”, ressalta.

Depois de instalada, a doença progride rapidamente, exigindo que o tratamento seja iniciado logo após o diagnóstico e a classificação da leucemia.

O diagnóstico precoce desse tipo de câncer possibilita melhores resultados em seu tratamento e deve ser buscado com a investigação de sinais e sintomas como: palidez, cansaço, febre, aumento de gânglios, infecções persistentes ou recorrentes, hematomas, petéquias e sangramentos inexplicados, além do aumento do baço e do fígado.

“Na maior parte das vezes esses sintomas não são causados por câncer, mas é importante que sejam investigados por um médico”, complementa.
A médica acrescenta que diante da suspeita de um quadro de leucemia, o paciente deverá realizar um hemograma e ser encaminhado a um médico hematologista.

Ela menciona ainda que a confirmação diagnóstica é feita com o exame da medula óssea (mielograma). “Nesse exame, retira-se uma pequena quantidade de sangue, proveniente do material esponjoso de dentro do osso, para análise citológica (avaliação da forma das células), citogenética (avaliação dos cromossomos das células), molecular (avaliação de mutações genéticas) e imunofenotípica (avaliação do fenótipo das células)”, finaliza.

Por que é tão importante doar sangue?

Uma doação de sangue pode salvar quatro vidas. Apesar disso, no Brasil, 1,6% da população doa sangue enquanto a meta da OMS – Organização Mundial da Saúde é de 3%. Ao mesmo tempo, 35 milhões de pessoas realizam transfusão de sangue. O mês de junho vermelho foi escolhido com o objetivo de aumentar a conscientização sobre a necessidade de doação e agradecer aos voluntários pela atitude de salvar vidas.

Para o hematologista do Hemomed, doar sangue é um gesto de solidariedade, respeito e cidadania. É oferecer ajuda sem interesse próprio sabendo que pode ser a única esperança de quem precisa. “O sangue e seus componentes são fonte vital para os seres vivos. Até hoje a ciência não conseguiu reproduzir esse elemento de forma artificial eficiente. Sem a doação, os atendimentos a politraumatizados e cirurgias do coração e transplantes não poderiam ser realizados”, destaca.

 

Os hemocomponentes do sangue doado

Segundo o hematologista, após a doação, o sangue é processado, ou seja, separado e se transforma nos seguintes hemocomponentes: o plasma, as hemácias, o crioprecipitado e as plaquetas.

As hemácias são utilizadas em pacientes que fazem cirurgias ou com anemias graves e nas hemorragias; o plasma é aplicado em pacientes com distúrbio de coagulação; os crioprecipitados são transfundidos em pacientes com deficiência de um fator de coagulação específico ou falta de uma proteína chamada fibrinogênio e as plaquetas são usadas em pacientes com câncer ou que necessitem de transplantes.

Qualquer pessoa pode doar sangue desde que esteja com boa saúde de acordo com o hematologista do Hemomed, porém, existem algumas restrições que visam manter a saúde de quem doa e evitar riscos para quem recebe o sangue.

O presidente do Hemomed destaca as condições importantes a serem observadas na doação: estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, ter peso igual ou maior que 50 quilos, não estar amamentando e não ser gestante e não ter feito tatuagem ou piercing nos últimos 6 meses.

O doador não pode ter tido hepatite após os 11 anos e não ser diabético com uso de insulina, estar alimentado aguardando pelo menos 2 horas após a refeição, ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas e não ter feito procedimento ou exames com utilização de endoscópio nos últimos 6 meses.

Fonte: Hemomed e Aliança Instituto de Oncologia, com Redação

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