Meu filho é ‘ligado na 220’: será que ele tem TDAH?

No Dia da Infância, neuropediatra explica como são os sintomas da impulsividade e hiperatividade

Redação

Você já deve ter se deparado com crianças que não conseguem parar quietas, estão o tempo todo “aprontando”, “a mil”, como se estivessem “ligadas na tomada 220 volts”. Segundo a Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA), o distúrbio afeta de 3% a 5% das crianças em idade escolar e sua prevalência é maior entre os meninos.

Dificuldade de concentração, impulsividade e inquietação acima do normal, com prejuízos visíveis na vida da criança e dos pais. Estes são os principais sintomas que ajudam pais e professores a identificarem o TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade na criança e encaminhá-los ao neurologista infantil para que, junto a uma equipe interdisciplinar, consigam fechar o diagnóstico.

A característica essencial do transtorno de déficit de atenção/hiperatividade é um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento ou no desenvolvimento da criança. O TDAH começa na infância e a boa notícia para este Dia Nacional da Infância (24 de agosto), de acordo com Gladys Arnez, neurologista infantil à frente da Clínica Neurocenterkids, é que os sintomas melhoram na adolescência. Ufa!

O tipo desatento e o tipo combinado

Gladys Arnez, neurologista infantil à frente da 
Clínica Neurocenterkids (Foto: Divulgação)

Segundo a especialista, podemos considerar dois grandes tipos do TDAH: o tipo desatento e o tipo combinado.

No tipo desatento, a desatenção manifesta-se como introspecção, timidez, medo de errar, divagação em tarefas, falta de persistência, esquecimento excessivo, dificuldade de manter o foco e desorganização. É notado quando, por exemplo, a criança vive perdendo material escolar, esquece livro, mochila… Pode até ser uma criança esforçada, mas é muito desatenta. Geralmente apresenta muita dificuldade escolar, dificuldades nos relacionamentos e baixa autoestima”, explica a Dra Gladys Arnez.

TIPO COMBINADO: DESATENTO+ HIPERATIVO E/OU IMPULSIVO 

A hiperatividade neste caso refere-se à atividade motora excessiva. Como uma criança que corre por tudo, não fica quieta e, mesmo quando não é apropriado, ela mexe nas coisas, batuca ou conversa em excesso, tirando a atenção de todos à sua volta. Não obedece aos pais em casa, tem sempre que fazer o que ela quer, caso contrário, ela faz muita birra. Estas manifestações acontecem tanto na escola como em casa ou em qualquer lugar onde a criança estiver (igreja, casa de parentes, festinhas de colegas, lojas, restaurantes, etc…).

Quando impulsivos, suas principais características são a agitação e impulsividade. Estão sempre buscando coisas novas e estimulantes. Apresentam muita dificuldade de pensar antes de fazer e durante e ao longo da vida, sofrem com acusações de serem irresponsáveis e inconsequentes. Mudam de assunto de forma recorrente e agem impulsivamente, chegando a apresentar comportamentos agressivos”, explica a médica.

O diagnóstico e o tratamento

Ainda de acordo com a especialista, na falta de um diagnóstico, é muito normal ter como verdade que estas são crianças mal educadas, cujos pais, no geral ausentes, têm muita dificuldade para impor limites ou não estão “nem aí” para a educação dos filhos. “É possível que sim, que seja isso e que a pessoa esteja correta. Entretanto, também é possível que elas apresentem algum problema médico, entre eles o TDAH”, explica a Dra. Gladys Arnez.

No entanto, a verdade é que não existe um marcador biológico ou um exame que apresente um diagnóstico preciso. Somente a observação da criança por diversas pessoas e em diversos locais no dia a dia dela, junto a uma equipe multidisciplinar, é que levará a um diagnóstico correto.

O que se deve ser considerado, é que em todos os casos do Déficit de Atenção, com ou sem hiperatividade, com ou sem impulsividade, a criança sofre e precisa de ajuda.  Ela não passa por isso ilesa e tudo isso acontece justo numa fase da vida em que ela não consegue definir em palavras precisas o que está sentindo. Então, é muito importante que haja tratamento, tanto para um caso quanto para outro”, explica a médica.

O DSM-5 diz que a exigência de que vários sintomas estejam presentes antes dos 12 anos de idade exprime a importância de uma apresentação clínica substancial durante a infância. Ao mesmo tempo, uma idade de início mais precoce não é especificada devido a dificuldades para se estabelecer retrospectivamente um início na infância. É necessário que a criança passe por um neuropediatra, terapeuta, psiquiatra, fonoaudiólogos e que os pais levem a sério cada etapa do tratamento”, explica a especialista.

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