Mito ou verdade? O que pode interromper a eficácia dos anticoncepcionais?

Especialista da Febrasgo esclarece principais informações que assustam as mulheres em relação ao uso de métodos anticoncepcionais

Os relatos de mulheres que engravidaram fazendo o uso do anticoncepcional não são incomuns. Estudo divulgado em 2019, pelo periódico Obstetrics & Gynecology, comprovou que algumas mulheres não produzem hormônios suficientes para prevenir a ovulação, mesmo fazendo o uso correto e diário da pílula anticoncepcional. São casos excepcionais e que fogem ao controle das mulheres.

Mas será que existem práticas utilizadas pelas mulheres ou fatores que podem interferir na absorção do medicamento? Para elucidar algumas dúvidas e questões infundadas, o ginecologista Rogério Bonassi, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Federação Brasileira de Ginecologia (Febrasgo), explica o que é verdadeiro ou falso.

1. Uso de antibióticos e outros medicamentos

A interação medicamentosa é uma das questões mais faladas em relação à perda de efeito do das pílulas contraceptivas. “Os antibióticos de forma geral não são capazes de cortar o efeito da pílula, como por exemplo, o que são utilizados em dores de garganta. Contudo, existem medicamentos que podem interferir na eficácia dos anticoncepcionais. Entre eles, os anticonvulsivantes (medicamentos que atuam no sistema nervoso central e periférico, comumente indicado para tratamento de convulsão e epilepsia) são sempre um risco para a prevenção da gravidez. Nesses casos, evitamos receitar anticoncepcionais por via oral, visto que este pode perder seu efeito ou pior, os dois medicamentos perderem a eficácia”.

Outro exemplo de medicamento que pode interagir com o anticoncepcional é o topiramato. De acordo com a dosagem, pode ser receitado para o tratamento de enxaquecas, epilepsia e até casos pontuais de obesidade. Segundo o Dr. Bonassi, na dose utilizada para enxaqueca, ele não corta o efeito da pílula. Contudo, na dose ministrada para tratar convulsões, entre 300 e 800 mg, por dia, ele pode cortar o efeito do anticoncepcional.

No que tange o uso de medicamentos fitoterápicos, o ginecologista aponta que não há a possibilidade de interação ou redução no efeito de contraceptivos.

2. Vômito e diarreia

Algumas mulheres acreditam que vomitar pode interromper a prevenção da pílula. “Veja bem, se a mulher vomitar logo após ingerir o medicamento, é necessário tomar outro. O organismo leva, em média, entre 10 e 15 minutos para absorver o anticoncepcional. Com esse tempo, a pílula já passou pelo estômago e já foi para o duodeno onde iniciará o processo de prevenção. Se o vômito vier após 15 minutos, não tem problema”, descreve o médico.

A diarreia também se tornou um ponto de atenção para as mulheres. “É muito difícil que ocorra a perda de prevenção do anticoncepcional por conta de um desarranjo intestinal, visto que este ocorre em uma parte do corpo que está longe de onde é realizada a absorção do medicamento. Geralmente, a diarreia é um evento do intestino grosso e a pílula é absorvida no início do intestino delgado”.

3. Consumo de sucos e chás

Muito difundido com um dos vilões da contracepção, o grapefruit ou toranja não gera nenhum impacto na ação dos anticoncepcionais – seja na forma in natura ou sucos. “Não, isso não existe, não há possibilidades de acontecer. As mulheres podem tomar o suco despreocupadamente”. A mesma orientação vale para a ingestão de chás.

4. Infecções ginecológicas

Outra informação que assumiu ares de verdade absoluta diz respeito à candidíase. Contudo, o Dr. Bonassi esclarece que “a candidíase não tem nenhuma relação com a contracepção. Mesmo se a mulher utilizar um anel vaginal, onde os hormônios serão liberados diretamente para a vagina, não haverá interferência na eficácia do anticoncepcional. Nem se fosse por interação concomitante de medicamentos porque nesse caso, seria um antifúngico, que não atua na mesma região que a pílula”.

5. Ingestão de pílula a seco

Por último, o doutor esclarece sobre a possibilidade de a ingestão da pílula sem o auxílio de água atrapalhar a absorção do medicamento: Qualquer comprimido pode ser ingerido sem água. Da boca, ele vai para o esôfago, um tubo muscular, que vai empurrar o comprimido para o estômago. No estômago, com o suco gástrico, o corpo começará a digestão da pílula. E de lá, o medicamento segue para o duodeno, onde será absorvido. Se o medicamento é via oral, é mais confortável ingeri-lo com água, mas se você tem muita saliva e consegue engolir o comprimido, pode fazê-lo tranquilamente”.

Dr. Rogério alerta ainda para o consumo de informações não verificadas. “Na dúvida, deve-se sempre confiar em canais respeitados, buscar por um especialista e informações oficiais, como as que estão disponibilizadas no site da Febrasgo”, finaliza.

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