Mitos e verdades sobre a DTM

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Eu já fui diagnosticada com disfunção temporomandibular (DTM), um problema que atinge em torno de 5 a 12% da população, sendo que a prevalência é maior entre os indivíduos jovens e ao menos duas vezes mais incidente em mulheres. O diagnóstico tardio do problema prolonga os sintomas, podendo levar à dor crônica, o que dificulta o tratamento.

Para esclarecer os mitos e verdades em torno da DTM, o cirurgião-dentista Reynaldo Leite Martins Júnior, membro fundador da Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial – SBDOF, listou oito dúvidas relacionadas ao assunto:

1-    Dentes tortos causam DTM? 

Mito. A literatura de melhor qualidade demonstra que o fato de se possuir uma má oclusão (“dentes tortos”) não causa uma DTM, e a correção dessa má oclusão também não é necessária para se tratar DTM.

2-    O aparelho ortodôntico é indicado para o tratamento de DTM?

Mito. Existe uma vasta literatura demonstrando que aparelhos ortodônticos não causam e muito menos curam Disfunções Temporomandibulares.

3-    Bruxismo causa DTM? 

Em termosEstudos recentes não têm conseguido relacionar de forma categórica o Bruxismo do sono às DTMs, provavelmente porque ele ocorre em uma pequena porcentagem do tempo total em que dormimos. Por outro lado, o chamado bruxismo em vigília, em que o indivíduo aperta ou encosta os dentes durante o dia é considerado um fator mais importante no desenvolvimento e manutenção das DTMs. Esse hábito parafuncional pode ser mantido em um tempo muito maior, se comparado ao bruxismo noturno, e está relacionado a períodos de estresse ou atividades que exigem atenção e podem levar à sobrecarga muscular e dor nos músculos da mastigação. Quando envolve a área do músculo temporal pode ser confundido com alguns tipos de cefaleias. Apesar do bruxismo em vigília estar mais relacionado às DTMs, o bruxismo do sono parece causar mais danos aos dentes, restaurações e trabalhos reabilitadores, tais como desgastes precoces e fraturas.

4-    A placa de mordida, usada também para bruxismo, ajuda no tratamento de DTM? 

Depende. O mecanismo de ação dessas placas no tratamento das DTMs não está ainda elucidado. Sabe-se que não está relacionado à correção de “interferências oclusais”, como se pensava anteriormente, e provavelmente tem alguma influência comportamental. Alguns estudos comparando tratamento de DTM com e sem esses dispositivos levaram ao mesmo resultado nos dois grupos. O fato é que tais dispositivos protegem os dentes e restaurações em relação a desgastes e fraturas causados por bruxismo do sono, e podem ser úteis em subgrupos de pacientes com DTM em que o bruxismo do sono esteja presente.

5-    Má postura pode causar DTM? 

Mito. Não existe evidência que uma má postura corporal cause DTM, ou que a correção da postura seja necessária para se tratar uma DTM.

6-    A cirurgia é o tratamento mais eficaz? 

Não. Salvo condições em que a cirurgia tem indicação absoluta, (por exemplo, em casos de tumores ou anquilose na ATM), ela é um tratamento reservado a raros casos, onde soluções menos invasivas (e bem indicadas) não surtiram os efeitos desejados, os aspectos psicossociais do paciente foram bem avaliados, sua qualidade de vida está muito prejudicada e o custo-benefício (não só financeiro, mas também biológico) é favorável. Alguns estudos comparando tratamentos não invasivos com cirurgias obtiveram exatamente os mesmos índices de sucesso.

7-    DTM gera dor de cabeça? 

Algumas DTMs, especialmente na região das têmporas podem ser confundidas com cefaleias primárias, por exemplo, cefaleia tipo tensão. Além disso, por utilizarem a mesma via nervosa para levarem seus impulsos de dor ao cérebro (o nervo trigêmeo), tanto as DTMs podem contribuir para as crises ou a cronificação de cefaleias existentes, (como uma enxaqueca) quanto o contrário. Por isso, quando coexistirem em um mesmo paciente, ambas devem ser abordadas conjuntamente por médicos e cirurgiões-dentistas para que seja obtido o sucesso no tratamento.

8-    DTM não tem cura? 

Mito. Quando identificados os fatores que podem estar causando a DTM, os pacientes que conseguirem controlá-los podem obter a cura. O fato da prevalência das DTM diminuir com o avanço da idade também aponta para uma porcentagem de remissão (“cura”) espontânea de alguns casos de DTM. Alguns pacientes, por outro lado, podem ter maior suscetibilidade às DTMs, inclusive por fatores genéticos, e estes terão que ser vigilantes em relação aos seus hábitos e estilo de vida para evitar reincidências. Períodos de estresse com apertamento dental, por exemplo, podem causar essas recidivas periodicamente.

Fonte: Reynaldo Leite Martins Júnior, da SBDOF

 

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