Movimento de bem-estar sexual estimula autoconhecimento

Quando o assunto era mercado erótico, imaginava-se um vibrador ou filmes adultos. Hoje essa percepção mudou com o movimento sexual wellness

Não é por acaso que 6/9 é o Dia do Sexo. Esse dia sugestivo foi criado em 2008 após uma ação comercial de uma marca de preservativo. Anos depois, essa data marca o calendário e é celebrada como uma homenagem ao prazer de se autoconhecer. A ação de marketing quer mostrar como é importante falar sobre o assunto sem tabus para garantir uma vida mais plena e saudável.

Se antes, quando o assunto era o mercado erótico, as pessoas imaginavam sempre um vibrador tradicional, filmes adultos e lubrificantes com sabores, hoje essa percepção está cada vez mais se modificando, graças ao empenho do movimento sexual wellness. A tradução literária do termo significa bem-estar sexual.

A ideia do sexual wellness é oferecer produtos visando o prazer sexual como algo natural e que faz parte da natureza humana, capaz de melhorar e influenciar nosso cotidiano sem o peso da sensação de culpa, como se estivéssemos fazendo algo errado.

Por isso os produtos priorizam mais o erótico em detrimento ao pornográfico, prezam por um design mais discreto e menos vulgar e exploram novas formas prazer que vão além da penetração.

Para se ter uma ideia de como o sexual wellness tem conquistado cada vez mais espaço, de acordo com a Allied Market Research, a expectativa é que esse mercado seja avaliado em 108 milhões de dólares em 2027.

“Como as pessoas estão falando mais sobre sexo de uma forma natural, o mercado percebeu a necessidade de oferecer produtos mais elaborados e com qualidade, pois antes tudo era muito limitado”, explica Laís Conter, criadora de conteúdo, escritora e uma das criadoras da sextech Tela Preta, a primeira plataforma de áudios eróticos do Brasil.

Na Sextech Tela Preta, 85% são mulheres

Com contos inéditos toda semana, hoje a Tela Preta já possui aproximadamente 200 contos de temas variados, divididos em categorias como masturbação guiada e LGBTQIA+ e até com brinquedos. Cada semana, novos áudios são disponibilizados dentro da plataforma. Para acessar o conteúdo é preciso ser assinante.

“É uma nova forma de consumir conteúdo erótico que foge dos conteúdos visuais batidos, e uma maneira diferenciada de se excitar, explorar o próprio corpo e atingir o orgasmo através do estímulo da criatividade pela narração das cenas”, ressalta Laís. Apesar de os contos serem democráticos, direcionados a diferentes públicos e assuntos, 85% dos assinantes são mulheres.

“Antes, o mercado erótico não se preocupava muito com elas, eram poucas opções de produtos e sempre tudo muito genérico, então o sexual wellness é um movimento importante para tirarmos o prazer sexual do gueto e mostrarmos que há infinitas possibilidades de conhecer o próprio corpo e sentir prazer de uma forma leve, sem precisar apelar para vulgaridades”, diz Laís.

Inclusão pela saúde sexual

Contos eróticos para pessoas com deficiência visual

De acordo com o último Censo, as pessoas com deficiência visual representam 3,4 % da população. Mesmo assim, apenas nos últimos anos as plataformas de vídeos eróticos decidiram incluir audiodescrição em suas produções. “Sendo assim, os áudios eróticos acabaram sendo uma boa opção para esse público”, explica Fábio Chap, criador da Tela Preta.

“Já tivemos mais de cinco mil assinantes, mas não são todos que costumam deixar um depoimento sobre a experiência com os áudios. Então não temos como mensurar com precisão quantos clientes com deficiência visual já utilizaram nosso serviço, mas tivemos um bastante interessante que disse que o que nós estamos oferecendo é algo totalmente inovador nesse mercado”, explica Chap.

Criada em abril de 2020, em plena pandemia, a ideia surgiu após Chap publicar nas redes sociais contos eróticos narrados por ele. O programador Samuel Aguiar sugeriu a criação de uma plataforma digital com esses áudios. Chap gostou da ideia e convidou o produtor de áudio Guilherme Nakata e a Laís para completar o time.

Dicas para o Dia do Sexo, sozinho ou acompanhado

Estudos comprovam que a atividade sexual traz benefícios para a saúde e o organismo, então, nada melhor do que comemorar o Dia do Sexo, praticando. Seja sozinho ou acompanhado, Natali Gutierrez e Renan de Paula – da Dona Coelha – dão dicas para festejar em grande estilo.

“O sexo faz parte da nossa vida e para aproveitar cada momento é essencial estar preparado para que as experiências e os resultados sejam positivos. Minha principal dica é não ter medo, é se entregar de verdade e deixar a energia da sexualidade fluir”, afirma Natali.

Segundo Renan, “o mais importante é estar bem consigo mesmo para que, na hora do sexo, medos e as angústias fiquem em segundo plano e deem espaço para o prazer”. Para dar mais espaço, o especialista compartilha caminhos que podem ser traçados para chegar a realização sexual.

“Minha sugestão é sempre que possível fazer uma análise de como se sente dentro do relacionamento que está vivendo. Se está feliz, se tem algo que não gosta e o que poderia melhorar. Esses questionamentos são fundamentais e, quando respondidos, abrem novos caminhos na sua vida sexual”, completa.

Além disso, liberte-se dos estigmas. “Se permita realizar fetiches, que muitas vezes ficam guardados na gaveta, e aproveite o Dia do Sexo com intensidade e prazer”, finaliza.

Para ajudar, Natali listou algumas dicas especiais para o dia 6/9 ser inesquecível:

1 – Experimentar novas posições afim de sentir orgasmos e sensações diferentes;

2 – Praticar o goinage (técnica para obter prazer sem penetração) para vivenciar a potência orgástica do nosso corpo e entender que sexo não se resume a penetração;

3 – Curtir a data em estilo, praticando um maravilhoso 69 com novas possibilidades, seja com um óleo beijável ou um vibrador para deixar tudo mais quente e intenso.

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