Mulheres estão mais infelizes, ansiosas e estressadas

Rosayne Macedo
mulher-triste
Complicada e perfeitinha, dizia a música. Mas a busca constante da perfeição é vista como inimiga para a mulher hipermoderna, cercada hoje por tantos desafios. E quanto mais tenta desempenhar  tantos diferentes papéis simultaneamente e de modo perfeito, cada vez mais longe de encontrar a autêntica felicidade. Segundo pesquisas, nos últimos 40 anos, as mulheres se tornaram mais infelizes, ansiosas e estressadas se comparadas aos anos 70. Não é para menos.
“Por não conseguirem dar conta de tudo, as mulheres têm a sensação de sempre estarem falhando”, analisa a coach Renata  Abreu, autora do livro ‘Felicidade feminina: uma escolha possível com práticas da psicologia positiva’.  “Hoje, as mulheres agem como juízas implacáveis de suas próprias vidas e isso causa um sentimento de culpa tão grande que elas não se dão conta de como isso prejudica as suas relações profissionais e afetivas, tendo grande impacto na busca pelas realizações”, analisa a escritora.
Mas como é ser mulher nos dias de hoje? O que é ser feliz pra elas? Em um momento onde o feminismo e a busca pelo protagonismo de suas próprias vidas estão cada vez mais em destaque, quais são os atuais desafios das mulheres hipermodernas? Pós-graduada em Psicologia Positiva, ela busca responder essas dúvidas utilizando estudos científicos para sugerir a possibilidade de escolha por uma vida com propósito, pautada em atitudes conscientes, resultados significativos e, consequentemente, maior bem-estar.
A autora diz que felicidade é um tema complexo e o anseio por uma vida repleta de realizações em seus diferentes aspectos deixa homens e mulheres inquietos.  “Se, por um lado, a luta pela igualdade de direitos trouxe mais oportunidades, influência e renda, por outro, observa-se que há um grande acúmulo de tarefas, que não necessariamente trouxe bem-estar para o sexo feminino. Pelo contrário. O grande dilema da mulher contemporânea é a multiplicidade de papéis e como exercê-los”, explica.
Renata Abreu sugere uma reflexão e autoavaliação com base em 10 hipóteses, respaldadas por estudos científicos, que podem ter impacto na forma como as mulheres gerenciam a própria vida e o bem-estar. Ela lista alguns aspectos ligados ao conceito de felicidade e faz reflexões sobre a problemática enfrentada pelas mulheres nos dias de hoje.
1. Ausência de inteligência hormonal
De que forma os hormônios podem estar influenciando a estrutura dos pensamentos? É importante conhecer como nos comportamos perante as ações hormonais e aprender a administrá-las.
2. Dupla jornada e preconceito velado
Ainda na infância, as meninas já sofrem com a distribuição desigual das tarefas domésticas, limitando suas perspectivas. No trabalho, as mulheres têm menor probabilidade de ocupar cargos de liderança e sofrem com salários menores, ainda que estejam no mesmo cargo que os homens.
3. Vontade de ser e fazer “tudo ao mesmo tempo”
A perfeição é vista como inimiga para a mulher moderna. Elas estão se tornando infelizes ao tentarem desempenhar tantos diferentes papéis simultaneamente e de modo perfeito. Por não conseguirem dar conta de tudo, as mulheres têm a sensação de sempre estarem falhando.
4. A cultura do overwork e o sucesso na atualidade
“Se você se emprenhar, terá sucesso e quando tiver sucesso, será feliz”. O efeito dessa forma incorreta de pensar pode levar ao excesso de esforço. A felicidade precede o sucesso. O cultivo da positividade estimula nossa eficiência, resiliência e produtividade, levando a níveis mais elevados de desempenho.
 
5. O aumento do estresse e do uso de medicamentos
49% das mulheres relatam ter o nível de estresse aumentado nos últimos anos, enquanto apenas 30% dos homens têm essa percepção. A prevalência da depressão nas mulheres tem caráter genético e hormonal, mas também está ligada ao maior envolvimento emocional que acontece com elas e com pessoas a sua volta.
6. As crenças e mitos quanto ao prazer e à felicidade
Se comportar de acordo com as crenças dos mitos da felicidade aumenta as chances de escolhas erradas, decisões equivocadas e da ampliação da eterna sensação de vazio. É um mito acreditar que “vou ser feliz quando” ou “eu não poderia ser feliz se”.
7. A utopia maléfica de uma beleza impossível
Estudos apontam que a vergonha com o próprio corpo pode estar tão enraizada na psique que gera vergonha e complicações em outras áreas da vida, como sexualidade, maternidade e até mesmo na habilidade da mulher de falar e se posicionar com autoconfiança. Há pesquisas de psicologia positiva que mostram que a beleza não tem correlação com a felicidade. Pessoas felizes são mais prováveis de perceberem tudo a sua volta de forma mais positiva e otimista, incluindo aí a própria aparência.

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.