Nem tudo são flores na primavera: pólen também ataca a vista

A primavera que enche o Rio de cores e flores também traz dor de cabeça a quem sofre de alergias (Foto: Marcio Mercante - Agência O Dia)
A primavera que enche o Rio de cores e flores também traz dor de cabeça a quem sofre de alergias (Foto: Marcio Mercante – Agência O Dia)

Nem tudo são flores na primavera. Além das doenças alérgicas que costumam se proliferar por conta do pólen no ar, algumas doenças oculares pré-existentes pioram durante a estação. A principal delas é o ceratocone, maior causa de baixa visão na adolescência que atinge 100 mil brasileiros e responde por 70% dos transplantes de córnea no país.

Pesquisa online realizada pelo  oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier em Campinas, com 315 portadores, mostra que 50% apresentaram alergias respiratórias que aumentam na primavera por conta da  maior concentração de pólen, poluição e  bruscas variações térmicas. Estas condições ambientais também favorecem a piora do ceratocone. “Isso porque os olhos coçam e  a fricção frequente provoca o enfraquecimento das fibras de colágeno da córnea que caracteriza a doença”,explica o médico.

O levantamento mostra ainda que a síndrome do olho seco atinge 24% dos portadores de ceratocone, contra 12% da população geral. O oftalmologista afirma que a baixa umidade típica da primavera agrava  o ressecamento da lágrima e expõe a córnea a maior risco, principalmente porque 60% das pessoas com ceratocone só conseguem boa correção visual usando lente de contato que na maioria dos casos se torna bastante desconfortável com o ressecamento da lágrima.

Dicas para aliviar crises alérgicas 

Neste Dia Mundial da Visão (13 de outubro), Leôncio Queiroz Neto elaborou algumas recomendações para alívio imediato de uma crise alérgica durante a primavera e também para melhorar a lubrificação dos olhos:

– Aplicar compressas de água gelada sobre os olhos.

– Caso a coceira não desapareça, consulte um oftalmologista.

– O tratamento é feito com colírio antialérgico  ou com corticóide nos casos mais graves.

– Independentemente da fórmula, colírio só deve ser usado com prescrição e acompanhamento médico porque todos são medicamentos e o uso incorreto pode causar outras doenças nos olhos.

– Usar lágrima artificial sem conservante.

– Incluir na dieta alimentos ricos em ômega 3 como sardinha e linhaça.

– Reforçar o consumo de  legumes verduras e frutas ricos em vitamina A e E.

-Beber bastante água, manter os ambientes livres de poeira e umidificados com uma vasilha de água.

– Evitar travesseiros de pena e condicionador de ar.

Nova terapia

A boa notícia é que hoje a nova versão do crosslink, único tratamento capaz de interromper a progressão do ceratocone,  pode ser aplicada em córneas mais finas. Isso porque, não retina o epitélio, camada externa da córnea como acontece na técnica tradicional.

O oftalmologista explica que independente da técnica, o crosslink associa vitamina B2 (riboflavina) com radiação ultravioleta para aumentar a resistência das fibras de colágeno da córnea em até três vezes.

A  tradicional só pode ser aplicada em córneas com espessura mínima de 400 micras. A nova versão permite a aplicação em córneas de, no mínimo, 300 micras, possibilitando, portanto, interromper a evolução de casos mais avançados de ceratocone.

A eficácia do tratamento ainda é questionada por alguns especialistas, mas de acordo com Queiroz Neto o procedimento causa menos dor, a recuperação visual é mais rápida e o risco de infecção é menor.

Além disso, um grupo de estudos dos EUA que acompanhou pacientes por 3 e 6 meses mostra que as duas técnicas são eficazes e que pacientes com mais de 35 anos podem obter resultados semelhantes aos mais jovens com o novo procedimento.

Fonte: Instituto Penido