Nossa gratidão aos ‘heróis’ que nos protegem

Fundamentais para o tratamento dos doentes da Covid-19, profissionais da Enfermagem sofrem hostilidade e preconceito, denuncia o Cofen

Redação
Gilana Nante e equipe de enfermagem do Hospital Icaraí: uma verdadeira família (Foto: Divulgação)

Os que cuidam muitas vezes não podem dar abraços, mas não deixam faltar carinho. Nem sempre conseguem dormir o quanto gostariam, mas não deixam faltar disposição. Às vezes, os que cuidam abdicam do tempo com a própria família para tratar dos desconhecidos, apenas por amor à vida de todos e pela capacidade de se colocarem no lugar do outro.

Em meio à pior crise de saúde do século, fica ainda mais evidente a importância da atividade milenar da Enfermagem. O trabalho de auxiliares, técnicos e enfermeiros tem sido fundamental para o enfrentamento da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Responsáveis por cuidar diretamente da medicação, alimentação, necessidades básicas dos pacientes e dos equipamentos de leitos e UTIs , os chamados “profissionais de linha de frente” arriscam suas próprias vidas para salvar vidas.

Por tudo isso eles merecem as homenagens neste Dia Internacional da Enfermagem (12 de maio) e em todos os dias. Mas a situação não está sendo fácil para nossos super-heróis. Desde o início da pandemia, mais de 13.500 foram afastados do trabalho por suspeita de contaminação e 98 morreram com a doença. O Comitê de Crise do Cofen recebeu cerca de oito mil denúncias e, na maioria dos casos, as inspeções constataram que faltavam equipamentos de proteção individual (EPIs) para garantir a segurança adequada na rotina do dia a dia.

Segundo o estudo realizado pelo Cofen, em parceria com a Universidade Federal da Bahia, durante a pandemia do novo coronavírus, os principais problemas enfrentados pela classe são jornadas estendidas e condições de trabalho mais difíceis que as normais, por conta da alta demanda de determinados insumos e EPIs. Ainda de acordo com a pesquisa, em situações de quadros clínicos que demandam cuidados intensivos, há apenas um enfermeiro para, aproximadamente, dois pacientes nessas condições.

‘As pessoas ainda não entenderam a doença. Merecemos respeito’

Não bastasse a crônica falta de EPIs e arriscarem a própria vida,  infelizmente no Brasil muitos profissionais de Enfermagem ainda são vítimas de preconceito e hostilidade por parte da população que teme ser contaminada por eles com o novo coronavírus. À DW, agência alemã de notícias, a enfermeira Edna Pereira contou que se sentiu humilhada dentro do ônibus, junto com mais duas colegas de trabalho, quando voltavam do plantão (veja o vídeo aqui).

Quando entrei no trólebus com mais duas enfermeiras, os usuários ficaram extremamente chocados porque eu estava com uma camiseta escrita ‘Enfermagem’. Falaram: ‘Contaminadas entrando dentro do ônibus’.  Algumas pessoas viraram mesmo a cara para mim, tiraram as máscaras [da bolsa], achando que eu ia contaminar alguém. Acho que as pessoas ainda não entenderam a doença. Que, pelo menos, nos tratem com respeito. Porque o pessoal da assistência à saúde precisa de respeito”.

Uma família de 57 pessoas unidas pela pandemia

Gilana Nante e equipe de enfermagem do Hospital Icaraí: uma verdadeira família (Foto: Divulgação)

Profissional da saúde há 15 anos, Gilana Rodrigues Mozer Nantes é atualmente coordenadora de Enfermagem da Emergência do Hospital Icaraí, em Niterói (RJ). A equipe é uma família, como ela diz, de 57 pessoas, dividida entre a enfermagem pediátrica e a enfermagem adulta. Nos últimos meses, todos os profissionais foram confrontados com a situação atípica de uma pandemia, um cenário diferente de tudo o que já passaram em suas carreias. Gilana acredita que só há uma maneira de vencer essa e qualquer outra adversidade: com empatia.

Quem é enfermeiro segue na profissão porque tem o dom de cuidar, e tem que ter empatia em olhar para os pacientes como eles são, o amor de alguém”, conta a enfermeira, que reconhece que a profissão também apresenta riscos, mas estes não são capazes de tirar a motivação dos profissionais.

Além da família de sangue, Gilana tem outra família: a dos colegas de profissão. Ela diz que, por passar muito tempo junto da equipe, eles são como se fossem parentes, muitas vezes com uma convivência maior do que a que tem em casa. Se ajudam e compartilham das dificuldades e dos prazeres da enfermagem. “A relação tem que ser muito boa. Amizade, coleguismo e respeito, principalmente. Nesse tempo todo que tenho de enfermagem, e já trabalhei em outra instituição, acabei levando amizades inesquecíveis, muitos ficam para a vida mesmo. Não tem como não considerar uma família”, comenta.

Essa família de enfermeiros é grande no Brasil. De acordo com o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), existem mais de 2 milhões e 300 mil inscrições ativas de enfermeiros, nas categorias de técnicos, auxiliares, enfermeiros e obstetrizes. Segundo dados divulgados em abril, são 565.458 graduados em Enfermagem. Como os profissionais podem estar inscritos em mais de uma categoria, eles são contabilizados também mais de uma vez.  

Distância da família de verdade

Os enfermeiros do Hospital Icaraí seguem todos os protocolos de paramentação e cuidados recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e as orientações do Controle de Infecção Hospitalar do HI, constantemente atualizadas segundo as diretrizes dos órgãos superiores. Ainda assim, em meio à crise do novo coronavírus, Gilana precisou passar por um período de isolamento, manter distância do marido Luis Paulo e do filho Arthur, de 9 anos. E mesmo vivendo de forma diferente, em quartos separados, se mostraram mais unidos do que nunca.

Eu tive que dar muitos abraços virtuais no meu filho, de longe. A gente esticava os braços e sentia a presença um do outro. Ele sempre perguntava quando poderia me abraçar de verdade e beijar de novo. Isso partia meu coração. Mas em todo o momento tive em mente que o afastamento era para o nosso bem”, explica.

A história de Gilana revela que quem cuida também precisa de cuidados. Ela teve o suporte do marido, que passou por uma cirurgia recentemente. “Antes eu fazia tarefas em casa, cuidava dele, que estava precisando enquanto se recuperava. Depois tudo se inverteu, e ele teve que tirar forças de onde não tinha”, diz. A coordenadora afirma que a maior preocupação dos trabalhadores da saúde tem sido contaminar quem está próximo. Por isso, existe orientação e precauções diárias, com treinamentos sobre os protocolos e a checagem de equipamentos e paramentação.

Enfermeira brasileira na Itália faz apelo à população

Campanha ‘Vocês Estão Fazendo História’

Com mais de 3,8 mil profissionais de Enfermagem que atuam na linha de frente do atendimento às vítimas da Covid-19, a Pró-Saúde, uma das maiores gestoras de serviços hospitalares do País, lançou a campanha “Vocês Estão Fazendo História”, em referência ao Dia Internacional da EnfermagemA iniciativa visa promover o respeito e gratidão ao empenho dos profissionais de Enfermagem, especialmente durante essa fase de combate à pandemia.

Nos hospitais gerenciados pela Pró-Saúde, estão previstas atividades de homenagens durante o mês de maio. A ideia é que cada unidade reserve um momento para prestar o reconhecimento. Em todas as unidades, serão divulgados cartazes da campanha. As ações também buscam contribuir com prevenção de casos de violência contra esses profissionais. De acordo com os dados da Pesquisa Perfil da Enfermagem no Brasil, realizada em 2015 pelo Cofen em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 6,3% já sofreram violência verbal e 15,6% violência física.

Atualmente, nas 18 unidades de saúde em que a instituição filantrópica é responsável pela gestão plena em 12 Estados brasileiros, são 471 leitos hospitalares dedicados ao atendimento de vítimas da Covid-19, 73% deles oferecidos ao Sistema Único de Saúde. Seis hospitais e uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) foram transformados em referência para o atendimento de Covid-19.

São profissionais que desempenham um papel fundamental na assistência ao paciente. Nesse momento de pandemia, é essencial demonstrar todo o nosso respeito e gratidão pelo trabalho que vêm realizando. Nosso empenho é em dar condições adequadas para o trabalho dos profissionais de Enfermagem, mantendo o estoque regular de EPIs para que eles possam atuar em segurança”, enfatiza Sandra Miziara, gerente Corporativa Assistencial da Pró-Saúde.

Agenda Positiva

Refeições para agentes de saúde em São Paulo

Para homenagear os heróis anônimos que atuam na linha de frente do combate ao coronavírus na cidade de São Paulo, a Seara Alimentos distribuiu refeições a agentes de saúde nesta terça-feira (12), Dia do Enfermeiro. A marca percorreu os hospitais de campanha do Pacaembu e do Anhembi, o Hospital da Cruz Vermelha e o Hospital do Servidor Público Municipal, com pratos prontos da linha Seara Rotisserie.

A iniciativa, denominada “Seara te Admira”, é uma forma de agradecer o empenho e a dedicação desses profissionais. Em abril, a marca fez outra doação em mais de 40 unidades de saúde na região metropolitana de São Paulo. Somada essas duas etapas, foram distribuídas 5 mil refeições, o que equivale a cerca de 2 toneladas de alimentos.

Doações para Médicos Sem Fronteiras

O aplicativo Ame Digital, por meio do movimento #AmeFazerSuaParte, vai incentivar doações para a ONG Médicos Sem Fronteiras, organização internacional que leva cuidados de saúde a pessoas afetadas por graves crises humanitárias.

Sempre reconhecido por sua essencial contribuição na área de saúde, o trabalho dos enfermeiros ganha importância ainda maior durante a pandemia de Covid-19. Eles são vistos por toda a sociedade como verdadeiros heróis no enfrentamento do novo coronavírus. No Brasil, a ONG Médicos Sem Fronteiras conta com cerca de 8 mil enfermeiros, ajudando a salvar vidas e participando dos cuidados médicos a quem mais precisa.

Durante todo o dia 12 de maio, a Ame incentiva doações à instituição com a oferta de 50% de cashback, com o limite de R$ 10, ou seja, em uma doação de R$ 20, o usuário do app da Ame terá R$ 10 de volta à sua conta.

Com Assessorias