O que tem tirado o sono dos brasileiros durante a pandemia?

Pesquisa revela que quase a metade da população (44%) está tendo mais dificuldades para dormir por conta das mudanças de rotina provocadas pelo período de distanciamento social

Redação
Dormir pouco pode causar até impotência, diz estudo Dormir pouco pode causar até impotência, diz estudo

Uma pesquisa inédita no Brasil revela que quase a metade da população (44%) está tendo mais dificuldades para dormir por conta das mudanças de rotina provocadas pela pandemia do novo coronavírus e 47% buscam soluções para melhorar a qualidade do sono, entre elas meditação, exercícios físicos, boa alimentação, medicamentos e tecnologias de aplicativos, nessa ordem.

Sobre o que mais preocupa os brasileiros atualmente, a saúde vem em primeiro lugar, antes das questões econômicas e de trabalho. Com a ameaça da Covid-19, os brasileiros se preocupam mais com os riscos à própria saúde e da família do que com o emprego e a renda. O estudo foi realizado com 780 pessoas em todo o país, entre 27 de maio e 3 de junho, quando grande parte das pessoas já estava em quarentena há mais de 60 dias. A iniciativa é da empresa global de inovação corporativa The Bakery, que possui uma unidade no Brasil e atuação em mais de 30 países.

pesquisa “O que tem tirado o sono do brasileiro durante a pandemia?” é resultado do trabalho liderado por especialistas do programa de inovação The Bakery Health Lab, braço de saúde da companhia. A diretora do programa, Ana Cláudia Rasera da Silva, especialista em bioquímica, conta que, apesar de 83% dos respondentes estarem ativos no mercado de trabalho, apenas 22% do total de entrevistados disseram ter medo de perder o emprego.

Pedimos para elencarem as três maiores preocupações nesse período de pandemia e as questões relacionadas à saúde se destacaram. Em primeiro lugar, perder alguém próximo vítima do coronavírus (69%). Ficar doente foi apontado por 38% e o equilíbrio mental, por 26%. O receio quanto à situação econômica do país foi citado por 43% e as turbulências políticas, por 28%”, afirma.

Home office, exercícios físicos e saúde mental

Para 45% dos entrevistados, a quarentena mudou de maneira expressiva a rotina que levavam. A adaptação à nova rotina profissional foi um dos pontos avaliados: 67% dos respondentes passaram a trabalhar em home office e 35% dizem estar trabalhando mais do que antes.

Em relação aos desafios pessoais durante o isolamento social, foi apontada com mais ênfase a dificuldade de criar e manter uma rotina, que contemple exercícios físicos e equilíbrio da saúde mental. De cada 10 pessoas, 7 dizem que tem se exercitado menos do que antes da chegada do novo coronavírus.

A diretora do The Bakery Health Lab, Ana Cláudia Rasera da Silva, destaca que a pandemia e a quarentena forçaram uma transformação no ritmo de vida das pessoas acompanhada por novos sentimentos.

Se antes estávamos muito no piloto automático, sem tempo para pensar nos nossos planos futuros, agora tivemos a chance de desacelerar. Isso foi visto como um benefício, porém, o fato de as pessoas ficarem isoladas em casa também provocou o surgimento de sensações ligadas à ansiedade (42%), ao estresse (14%) e ao medo (10%)”, comenta.

Uso da tecnologia na quarentena

Enquanto 66% afirmam que não utilizam nenhum tipo de tecnologia específica para auxílio na hora de dormir ou para tratar de sua saúde mental, aqueles que passaram a usar algum tipo de tecnologia durante a quarentena citaram principalmente plataformas de vídeo como o Zoom, Whereby, Google Hangouts/Meet para manter o contato com amigos e família. Vale destacar que um terço dos entrevistados está achando mais desafiador socializar com pessoas virtualmente.

Aqueles que disseram usar aplicativos para monitorar o sono e acessórios para ajudar a dormir somam apenas 3,2%, ao passo que 15% afirmaram usar apps para meditação e 13% para exercícios. Somam 8% os que disseram usar plataformas de vídeo para consultas com psicólogos ou com médicos especialistas em saúde mental e qualidade do sono.

O estresse, durante a quarentena, aumentou em mais de 70%, e poucas pessoas já fazem o uso de tecnologias direcionadas para este campo. Trata-se de uma grande oportunidade de mercado para profissionais, empresas e startups que desenvolvem e oferecem produtos e serviços ligados ao bem-estar e à saúde”, afirma Marcone Siqueira, sócio e cofundador da filial brasileira da The Bakery.

O sócio e diretor executivo da The Bakery, Felipe Novaes, acrescenta que uma das conclusões da pesquisa é que há um imenso potencial de crescimento para o mercado de inovação.

Soluções como as sleep techs, que são as tecnologias criadas para diagnosticar, tratar transtornos e melhorar a qualidade do sono, estão se desenvolvendo de forma acelerada, mas o acesso e o conhecimento da população em relação a esse tipo de solução ainda são restritos. Nesse sentido, a pandemia impulsionou o uso desses aplicativos e tecnologias e a tendência é que mais ideias e soluções surjam para ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas”, conclui.

Perfil dos entrevistados

pesquisa “O que tem tirado o sono do brasileiro durante a pandemia?” ouviu pessoas de todas as faixas etárias (29% até 29 anos, 34% de 30 a 39 anos, 15% de 40 a 49 anos e 22% com mais de 50 anos) e situação profissional (29% empregado de grande empresa, 23% empregado de pequena ou média empresa, 14% autônomo, 12% empreendedor, 7% estudante, 6% desempregado, 4% aposentado/pensionista, 5% servidor público). Das 780 pessoas entrevistadas, foram 768 por questionários online (pesquisa quantitativa) e 12 através de perguntas por telefone (pesquisa qualitativa).

O relatório completo pode ser encontrado aqui, ncluindo as análises dos dados, trechos das entrevistas abordando as dificuldades da quarentena, observações de profissionais de saúde mental e mapeamento das tecnologias mais avançadas para a saúde do sono.