O que fazer para aumentar as suas chances de engravidar

Rosayne Macedo

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O sonho de engravidar está no plano de muitas mulheres. Mas muitos casais, mesmo sem problemas orgânicos, têm mais dificuldades de engravidar do que outros. Especialistas afirmam que alguns fatores podem atrapalhar a chegada dos bebês aos casais que se planejaram, como o tabagismo e a ingestão de produtos que possuem cafeína, como café, chá, coca-cola e chocolate, por favorecer o abortamento.  Para aumentar as chances de engravidar, muitas substâncias devem ser eliminadas do dia a dia do casal. A recomendação é manter uma alimentação à base de orgânicos.

O médico especialista em reprodução humana Ivan Penna, que faz parte de uma equipe multidisciplinar dedicada a ajudar pacientes a realizar o desejo de ter um bebê, recomenda que as primeiras tentativas aconteçam quando a mulher estiver com 33 anos, no máximo. “Os médicos esperam o casal ter relações sexuais periódicas e sem o uso de contraceptivos por 12 meses para diagnosticar uma infertilidade conjugal. No caso das pessoas com 35 anos, após seis meses de relações periódicas sem resultado, os casais já podem buscar métodos alternativos.

Fazer exames é a primeira iniciativa que o casal deve tomar para diagnosticar a infertilidade. O homem deve fazer o espermograma e a mulher deve realizar a histerossalpingografia (exame que verifica as condições do útero e das tubas), além dos hormonais e clínicos para ambos. Assim que os exames forem realizados, basta ter o acompanhamento do ginecologista para iniciar o tratamento ou procurar um médico de fertilidade.

“Há uma queda na qualidade do sêmen do homem nas últimas décadas. Não há causa específica. A alimentação e a poluição, por exemplo, podem ser fatores que contribuem para isso”, revela Ivan, que atua há 15 anos no segmento e já ajudou cerca de 500 casais a formar uma família. Professor adjunto de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense e sócio da FertRio,   clínica de Fertilidade localizada em Ipanema, no Rio de Janeiro, Ivan já foi contemplado com o President Award da Society of Gynecology Investigation, em 2007.

No caso das mulheres, a infertilidade geralmente acontece com o aparecimento de doenças como endometriose, ovários policísticos, tentativa tardia de engravidar ou por ter menos óvulos com menor qualidade. No caso de endometriose, as mulheres devem ser submetidas a uma cirurgia para alívio da dor e, em caso de infertilidade, é realizada a fertilização logo em seguida.

Os tratamentos oferecidos para que a mulher possa engravidar são baseados no namoro programado, inseminação intra-uterina e in-vitro (ICSI – Intra Citoplasmatic Sperm Inject). No caso da fertilização, 60% dos casais engravidam em até três tentativas.

Existe uma diferença entre os métodos de inseminação intrauterina e fertilização in vitro. Na inseminação intrauterina, apenas selecionam o sêmen do homem com o óvulo da mulher e fertilizam. Já na fertilização in-vitro é aumentada a potência do sêmen do marido e ele é colocado na mulher que está ovulando. Os custos de inseminação variam entre 3 e 4 mil reais e da fertilização de 18 a 24 mil reais.

Dieta do mediterrâneo pode contribuir para a fertilidade
Segundo o especialista em reprodução humana Ivan Penna, estudos apontam os benefícios da “dieta do mediterrâneo”, em especial na redução de doenças cardíacas, diabetes e obesidade. Esta dieta se baseia em ingestão de grandes quantidades de peixe, verduras, legumes e óleos vegetais, além da redução de carboidratos. Os casais que estão tentando engravidar podem se beneficiar desse tipo de alimentação.
Alguns estudos realizados com homens e mulheres que estavam no processo de concepção mostraram os seguintes resultados:
–  Mulheres que seguiam a dieta tinham menos chance de serem diagnosticadas com infertilidade.
– A dieta do mediterrâneo reduziu os fatores oxidativos presentes no sêmen, aumentando a qualidade do mesmo.
– Homens adeptos da dieta possuíam mais espermatozóides móveis que outros homens que optavam pela alimentação gordurosa ‘fast food”.
– Nas pacientes que estão fazendo FIV (fertilização) aderir à dieta do mediterrâneo ajuda após o embrião ser implantado (transferido), pois esse tipo de dieta favorece a absorção de ácido linoleico que vai ajudar na adesão do embrião ao endométrio do útero.

Hábitos que devem ser abandonados

No mês de maio, em que se comemora o Dia das Mães, Ivan Penna revela o que é importante evitar durante as tentativas de engravidar:

– Fumo – Fumar traz uma série de efeitos adversos na fertilidade. Um estudo realizado pela American Society for Reproductive Medicine, em Birmingham, Alabama, mostra que entre 10,928 mulheres fumantes e 19,128 não-fumantes, as mulheres que fumam são mais prováveis a serem inférteis.

A observação mostra que a menopausa acontece entre 1 a 4 anos mais cedo em mulheres que fumam. O fumo também é associado ao aumento no risco de aborto, seja no método tradicional de gravidez ou através de reprodução assistida, além de contribuir para a queda na densidade do esperma e de fertilidade masculina.

Segundo o médico especialista em reprodução humana, Ivan Penna, um homem tabagista é 50% menos fértil do que um saudável. Uma das explicações é que as substâncias do tabaco causam aumento dos radicais livres, destruindo o DNA dos espermatozóides. Está é uma informação que precisa chegar aos que pretendem ser pais.

– Cafeína – Consumir altas doses de cafeína (acima de 500 mg ou 5 copos de café por dia) também podem contribuir para a queda da fertilidade. Durante a gravidez, o consumo de cafeína entre 200 e 300 mg por dia (2 a 3 copos por dia) pode aumentar os riscos de aborto espontâneo, mas não afetam riscos de anomalias congênitas.

Mulheres que consomem uma ou mais xícaras de café por dia apresentam menores chances de engravidar e aumento na probabilidade de aborto. Produtos que possuem cafeína como café, chá, coca-cola e chocolate podem também favorecer o abortamento.

Álcool – Casais que ingerem mais de quatro copos de bebidas alcoólicas por semana apresentam menor chance de gravidez e maior chance de abortamento. Se ambos excederem esse número, o efeito é potencializado, porém, há espaço para uma taça de vinho eventual.

 
Fonte: Ivan Penna, especialista em fertilidade

 

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