Pessoas com obesidade têm maior risco de se tornar inférteis

Alerta é de médica endocrinologista e de especialista em reprodução humana, que explicam porque isso acontece entre homens e mulheres

Redação

O sonho de ter um filho pode apresentar obstáculos inesperados, tornando muitas vezes necessária a busca por ajuda de profissionais especializados em reprodução humana. Alimentação, consumo de bebidas alcoólicas e cafeína, tabagismo, e atividade física são fatores conhecidos por influenciar diretamente na fertilidade de homens e mulheres. Além desses, estudos comprovam que o peso também afeta a capacidade reprodutiva de homens e mulheres.

Na semana dedicada ao Dia Mundial da Obesidade (4 de março) e no Mês da Mulher, especialistas lançam um alerta: por ser uma doença crônica, a obesidade pode causar diabetes, hipertensão e outras várias repercussões deletérias para o organismo, entre elas a infertilidade em homens e mulheres.

O Índice de Massa Corporal (IMC), é comumente utilizado por médicos para avaliar e classificar quem está acima ou abaixo do peso indicado. Um IMC entre 18 e 24,9 é considerado ideal, enquanto que acima de 25 é sobrepeso e além de 30 já é obesidade. O peso é um fator que interfere na saúde como um todo, tanto da mulher como do homem, e por isso é de extrema importância cuidar.

A médica endocrinologista Lorena Lima Amato conta que muitos passam por essa situação e nunca relacionam a doença com a causa da baixa fertilidade. A perda de peso, além de melhorar todos os aspectos relacionados à saúde e bem-estar, pode ser o caminho que faltava para a desejada gestação.

Controle do peso aumenta chances de gravidez

Homens e mulheres conseguem reverter essa causa da infertilidade com a perda de peso. “Vejo pacientes tentando várias estratégias medicamentosas e tratamentos médicos para engravidar, mas nunca relacionam a infertilidade com o excesso de peso. Perder peso, além de melhorar a qualidade de vida como um todo, pode ser a solução do problema do casal”, comenta Dra. Lorena.

Matheus Roque, especialista em reprodução humana da Clínica Mater Prime, em São Paulo, e membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), reforça como esse é um fator crucial para aumentar as chances de gravidez natural e de resultado positivo nos tratamentos de fertilidade.

A obesidade é uma doença cada vez mais frequente no mundo desenvolvido, e ela pode trazer repercussões negativas em todo nosso corpo. Isso não é diferente quando falamos da fertilidade. A obesidade tanto na mulher quanto no homem, está associada a maior tempo para se conseguir uma gravidez natural, possibilidade de diminuição de resultados nos tratamentos de reprodução assistida e maiores riscos de complicações obstétricas no caso de gestação”, explica Roque.

Como a obesidade influencia na fertilidade das mulheres

Em mulheres, a obesidade diminui os níveis de hormônios femininos aumentando o nível dos hormônios masculinos. Esses vão levar a irregularidade menstrual, àquelas manifestações de excesso de hormônio masculino como acne, pelos no corpo – chamado de hirsutismo – e à anovulação.

A ovulação é processo essencial para gravidez, para garantir a fertilidade. As mulheres com obesidade, frequentemente, têm períodos de anovulação, o que reduz a fertilidade”, explica Dra. Lorena.

Nas mulheres, o hormônio sexual produzido pelos ovários (estrogênio), pode ter a metabolização alterada pelo excesso de gordura e causar irregularidade nos ciclos menstruais. Outra consequência da obesidade para elas é provocar alterações na qualidade dos óvulos e ausência de ovulação, dificultando a concepção natural. De acordo com o especialista, pode ocorrer também alterações na receptividade endometrial e até aumentar o risco de aborto.

Como a obesidade influencia na fertilidade dos homens

Já nos homens com excesso de peso acontece a queda dos níveis de testosterona, que vai influenciar na libido, podendo levar à disfunção erétil e alterações na espermatogênese, o que muitos não sabem, é que o excesso de peso leva a disfunção dos espermatozoides, tanto em quantidade como em qualidade.

O sêmen de homens obesos apresenta um número menor de espermatozóides, além de baixa motilidade (a capacidade do esperma de se mover) e alteração no formato, além de material genético danificado. O excesso de estrógeno no corpo masculino age na hipófise e no hipotálamo, inibindo a liberação de hormônios envolvidos na produção dos espermatozoides.

Além disso, o sedentarismo e o acúmulo de gordura abdominal podem elevar a temperatura dos testículos, prejudicando a quantidade e a qualidade dos espermas. Para as mulheres com excesso de peso, o emagrecimento até um nível de IMC considerado ideal pelo médico é muito importante para aumentar a segurança da gestação, tanto da mãe como do bebê. O especialista em reprodução humana será capaz de identificar a causa da infertilidade e indicar as opções disponíveis para ajudar na concepção do filho.

Com assessorias

 

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