Outubro Rosa: 7 dúvidas sobre mastectomia e reconstrução das mamas

Cirurgião plástico alerta que o procedimento não pode ser feito em qualquer paciente. ‘A cirurgia pode deixar sequelas e deve ser bem pensada’, diz ele

Redação
foto mastectomia

O diagnóstico de câncer de mama tem um impacto emocional muito grande para mulher. As pacientes sofrem a angustia de passar pela mastectomia, cirurgia para retirada total ou parcial das mamas,  procedimento indicado na maioria dos casos como parte do tratamento.  São muitas as dúvidas. Uma das mais recorrentes é  em relação à  cirurgia dupla com a reconstrução imediata das mamas. Ela é  indicada para todas as pacientes? Uma única cirurgia é suficiente?

Para mulheres que têm histórico de câncer de mama a principal dúvida é sobre a mastectomia profilática. A prática, que tem o objetivo de reduzir o risco de desenvolver o tumor no futuro e que ganhou destaque após a atriz americana Angelina Jolie anunciar que  fez o procedimento,   divide opiniões entre os especialistas. Ela é indicada como uma medida preventiva?

O cirurgião plástico Bruno Herkenhoff, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica- RJ, alerta que o procedimento não pode ser feito em qualquer paciente. A cirurgia pode deixar sequelas e deve ser bem pensada, ressalta o especialista.

Veja as sete dúvidas mais comuns

1 – Como é feita a reconstrução mamária?

Muitas vezes, é necessária a retirada de toda mama. Então, é indicada a reconstrução imediata ou em outro momento, dependendo do tipo de câncer, do tamanho, da extensão ou se há metástase. A reconstrução pode ser realizada com prótese ou expansor de tecidos, com retalho de músculo e pele das costas ou abdômen. Tudo depende do resultado após a retirada da mama. Em diversos casos, são realizadas em 2 ou 3 etapas.

2- A recuperação  da paciente que passa por um procedimento como esse é mais demorada?

A recuperação das cirurgias leva em torno de 2 a 4 semanas, e o intervalo de uma cirurgia para outra é de 3 a 6 meses. A recuperação costuma ser bem tranquila, mas exige repouso e cuidado como qualquer outra cirurgia.

3-Em quanto tempo a paciente poderá ficar totalmente recuperada?

O tempo de recuperação varia muito, mas, geralmente, o paciente com um mês já está bem. Lembrando que há casos em que a cirurgia é realizada em etapas que podem durar de seis meses a um ano.

4- Esse tipo de cirurgia é oferecida pelo SUS?

Essas cirurgias são oferecidas pelo SUS, mas existe uma fila e, hoje em dia, é muito grande. Por este motivo, a SBCP realiza mutirões para diminuir essa carência. Hoje, apenas 20% das mulheres mastectomizadas realizam reconstrução mamária.

 5-   A mastectomia profilática é indicada como prevenção ao câncer de mama?

 Ela é  indicada para mulheres com histórico de câncer de mama na família e tem o objetivo  de reduzir o risco de desenvolver o tumor no futuro. O procedimento não pode ser feito em qualquer paciente.  Temos que alertar que a cirurgia pode deixar sequelas e deve ser bem pensada.

6- A reconstrução das mamas pode interferir no tratamento do câncer?

O prognóstico oncológico não sofre interferência e a paciente pode manter a indicação de quimioterapia e radioterapia.  A reconstrução, pelo contrário, auxilia no tratamento, pois devolve a autoestima e restabelece o convício social.  Ela retira do paciente o estigma do câncer e da mutilação.

7-  Qual o primeiro passo para as mulheres que estão pensando em fazer a cirurgia de reconstrução mamária

Elas devem discutir com o seu mastologista e com o cirurgião plástico antes da cirurgia para retirada do tumor para que a equipe comece a planejar as melhores opções de tratamento, ainda que, dependendo do grau do câncer, a reconstrução mamária seja realizada mais tarde.  As decisões são tomadas em conjunto avaliando o quadro da paciente. Conhecer todas as opções ajuda a mulher a se preparar para a mastectomia e a ter uma visão mais realista do futuro.

Sobre o especialista

Bruno Herkenhoff é cirurgião plástico e especialista em cirurgia restauradora do Rio de Janeiro. É membro adjunto do Colégio de Brasileiro de Cirurgiões e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.  

Sua produção bibliográfica abrange mais de 40 peças entre artigos publicados, capítulos de livro e apresentações de trabalho. Herkenhoff já participou de mais de 60 congressos e eventos de cirurgia plástica e restauração.

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.