Pai da cantora Beyoncé enfrenta câncer de mama

Assim como Mathew Knowles, pai de médica oncologista no Brasil também sofreu com a doença rara. Especialista aponta 5 fatores que podem desencadear a doença em homens

Redação
Beyonce e o pai Matthew Knowles (PA Images/PA Images via )Getty Images)

Mathew Knowles, pai de Beyoncé, enfrenta um câncer de mama. O ex-empresário da cantora revelou a doença em uma entrevista para o programa Good Morning America, que foi ao ar nos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (2).  Apesar de raro – apenas 1% dos total de casos – esse tipo de tumor também afeta os homens. Das 16.254 pessoas que morreram em decorrência de câncer de mama no país no ano passado, 185 eram homens.  

Um dos grandes mitos relacionados ao câncer de mama é justamente que ele só afeta mulheres. Homens também apresentam glândulas mamárias. Apesar da baixa incidência, o câncer de mama masculino pode se manifestar e existe um alto percentual de mortalidade. Em cerca de 100 casos da doença, apenas um ocorre no sexo masculino. Nos Estados Unidos, por exemplo, foram registrados 1910 casos e, na maioria das vezes, o diagnóstico é tardio, já que homens não costumam realizar a mamografia anualmente.

Existe um problema muito comum que faz com que os homens não procurem um médico por questões de machismo, pois não passa pela cabeça de ninguém que o homem pode desenvolver um câncer de mama. Por isso, qualquer mudança suspeita na região mamária, é preciso procurar um especialista para que o câncer não seja descoberto tarde demais”, explica o oncologista Daniel Gimenes, do Centro Paulista de Oncologia (CPO) – Oncoclínicas.

De acordo com  American Cancer Society, nos EUA, o câncer de mama é cerca de 100 vezes menos comum entre homens brancos do que entre mulheres brancas. É cerca de 70 vezes menos comum entre homens negros do que em mulheres negras. Como as mulheres negras, os homens negros com câncer de mama tendem a ter um pior prognóstico.

Tratamento e sintomas são os mesmos

O tratamento e os sintomas do câncer de mama são os mesmos para homens e mulheres. Neles, o diagnóstico costuma ser mais rápido pelo fato de que têm menor tecido mamário, facilitando a visualização de um nódulo. Mas a identificação também é feita através de mamografia.

Há, é claro, além de uma desinformação, um preconceito em relação à este tipo de incidência. Apesar de não encararmos dados alarmantes no quesito, é fundamental que a população em geral, independente do gênero, esteja alerta. O diagnóstico precoce é fundamental para as chances de recuperação dos pacientes”, ressalta o médico.

O oncologista frisa que em muitos casos, o câncer de mama em um homem é um indício sugestivo de que o paciente seja portador de uma mutação genética hereditária no gene BRCA, sendo recomendada em todos os casos a realização do teste molecular mesmo que não haja histórico de câncer na família.

Abaixo, o Dr. Daniel Gimenes destaca os cinco principais fatores que podem ser importantes na hora de detectar um câncer de mama no homem:

1- Genética: Se existir um caso alguma mulher (tia, mãe, avó) com câncer de mama na família, as chances do homem desenvolver aumenta discretamente, mas se for relacionado à mutação do BRCA, os riscos são significantemente maiores. Para isso, é recomendável que o homem faça uma pesquisa de mutação para saber se terá chances de desenvolver a doença. Além disso, existe uma síndrome genética, associada ao alto nível de estrogênio, uma condição que aumenta o índice câncer de mama em homem, principalmente quando tem a mutação do gene BRCA. Se, por exemplo, um homem no qual a irmã/mãe teve câncer de mama, as chances são maiores, por isso, é preciso ser feito um acompanhamento mais de perto.

2- Hormônios: O principal motivo pelo qual as mulheres apresentam câncer de mama com mais frequência do que os homens são os hormônios. A mulher produz muito mais estrógeno do que o homem. A maioria dos cânceres de mama femininos se desenvolve por conta de hormônios sensíveis. O homem apresenta uma baixa taxa se estrógeno no corpo, contendo mais testosterona, que não leva a este tipo de câncer.

3- Caroço na área do tórax: Como os homens não tem o costume de realizar exames mamários frequentemente é preciso que se atentem a alguns sintomas suspeitos. Caroço na área do tórax é dos principais sintomas do câncer de mama masculino que pode ser acompanhado de inchaço nos linfonodos axilares.

4- Retração na pele: Em situações mais avançados da doença, também pode ocorrer uma retração do mamilo, ou seja, um inchaço significativo ou distorção da pele, em alguns casos acompanhados de sangue na região. Quando estes sinais são detectados, é imprescindível que se procure um médico para saber o diagnostico correto.

5- Cirrose/alcoolismo/obesidade: Pacientes com distúrbios do fígado (cirrose, alcoolismo e obesidade) correm mais risco de desenvolver câncer de mama e, quanto mais velho o homem for, maior a possibilidade de a doença aparecer. Na maioria das vezes o homem com câncer de mama procura uma orientação quando a neoplasia ainda está no começo, dificultando o tratamento. Quando mais cedo o câncer é diagnosticado, maiores são as chances de cura. Por isso, já que a mamografia masculina não é recomendada como um exame de rotina, homens que estão na área de risco de desenvolver um câncer de mama, precisam realizar o autoexame.

Papo Rosa

No Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, o pai da oncologista Sabrina Chagas também foi diagnosticado com câncer de mama. A vivência com a doença na família levou a médica da Rede D’Or, pós-graduada em medicina integrativa pelo Hospital Israelita Albert Einstein (SP), a lançar seu primeiro livro Como Estamos: O desafio do Câncer de Mama. 

Para ela, a informação certa e de qualidade pode contribuir para a prevenção da doença. Por isso, durante o mês de conscientização sobre o câncer de mama, mais conhecido como Outubro Rosa, Sabrina e a também médica Maria Júlia Calas realizam um evento para esclarecer todos os mitos e dúvidas sobre a doença. As próximas edições do  Nosso Papo Rosa acontecem sábado, dia 5, no Rio de Janeiro, e no dia 19, em São Paulo.

No Rio, a oitava edição do Nosso Papo Rosa acontece no Theatro Net, em Copacabana. O bate-papo será conduzido pelas idealizadoras do evento e contará com os especialistas Patrícia Arraes, nutricionista oncológica; Glauce Correa, psicóloga; e Márcio Milman, cirurgião plástico.

Haverá ainda prática de meditação, exibição de um vídeo com familiares de pacientes oncológicos, sorteio de brindes e uma breve palestra sobre empreendedorismo após o câncer de mama com Marcelle Medeiros, presidente da Fundação Laço Rosa.

Para que todos tenham acesso ao evento, pela primeira vez, haverá um intérprete de libras. A entrada é gratuita e as inscrições devem ser feita pelo número (21) 99321-9769.

Com Assessorias

 

 

 

 

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