Consumo de proteína animal pode ser responsável por pandemias, alertam ONGS

Ações das ONGs Million Dollar Vegan e da Veganuary buscam ampliar o número de veganos a partir da conscientização

Luisa Mell na primeira ação de doação da MDV (Foto-Divulgação)

Após doar mais de 300 mil refeições e materiais educativos em 14 países em 2020, a missão da ONG internacional Million Dollar Vegan agora é chegar a 1 milhão de refeições até 2022. O objetivo é inspirar pessoas em todo o mundo a proteger sua saúde, combater o colapso climático e reduzir o risco de futuras pandemias com uma medida simples: tirar os animais do prato.

A campanha mundial “Tire as Pandemias do Cardápio” foi lançada em março de 2020 para divulgar informações sobre a conexão entre o surgimento de pandemias e a produção de produtos de origem animal. Junto com a campanha, a organização passou a realizar ações de doação de alimentos no mundo todo como forma de apoiar comunidades mais afetadas pela crise da Covid-19 e, para 2021, o compromisso com esse trabalho se renova.

Outra campanha com propósito semelhante foi lançada em dezembro de 2020 pela Veganuary, organização internacional sem fins lucrativos que promove o veganismo ao redor do mundo. Em apenas um mês a campanha atingiu o número recorde de inscrições, já tendo alcançado mais de 88% da sua meta global de meio milhão de pessoas para janeiro de 2021.

A organização reconhece que, entre os fatores que impulsionaram o número recorde de inscritos, destaca-se a preocupação com a saúde e o fato de que, se mais pessoas seguirem a alimentação vegana, o risco de futuras pandemias pode diminuir.

Embora a pandemia de Covid-19 tenha causado muita dor e dificuldades, estes resultados oferecem a esperança de que abraçaremos esta oportunidade de mudança para construir um futuro melhor”, afirma Toni Vernelli, diretora de Comunicação de Veganuary. E acrescenta: “A escolha por uma dieta à base de plantas é um passo positivo que cada um de nós pode dar para proteger nossa saúde e nosso planeta, bem como ajudar a prevenir futuras pandemias.

75% das doenças infecciosas têm origem animal

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), cerca de 75% das doenças infecciosas emergentes são de origem animal. Para a organização, nossas ações mostram que estamos falhando em aprender lições do passado, pois nossa longa história de exploração de animais em busca de carne, leite, ovos e peles trouxe também uma longa história de doenças graves e mortes generalizadas de pessoas.

Muitos especialistas acreditam que doenças como a tuberculose, a coqueluche, a febre tifoide, a hanseníase e o vírus do resfriado tenham surgido a partir da domesticação de animais para consumo humano.

A pandemia de gripe de 1918, que matou de 50 a 100 milhões de pessoas, veio de aves. Mais recentemente, em 2003, o vírus da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) – que se acredita ter como origem outro mercado de animais vivos – atingiu mais de 8 mil pessoas em todo o mundo e custou à economia mundial cerca de 40 bilhões de dólares.

Depois, em 2009, veio a “gripe suína” (H1N1) – com origem possivelmente nos porcos -, que infectou cerca de 60,8 milhões de pessoas. Disso se seguiu, em 2012, a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers), decorrência de outro coronavírus mortal, surgida diretamente da exploração industrial de camelos no Oriente Médio. Então, em 2013, a “gripe aviária” (H7N9), que emergiu de aves domésticas, afetou mais de 1,5 mil pessoas, matando cerca de 40% delas.

Conexão entre mudanças climáticas e pandemia

Em carta aberta aos meios de comunicação, com mais de 100 signatários – incluindo celebridades como Paul McCartney, ativistas como Jane Goodall, políticos como Fernando Gabeira, cientistas, ONGs e empresas – Veganuary mostra de forma clara a conexão entre mudanças climáticas, pandemias globais e o consumo de produtos de origem animal.  , de forma acolhedora, empática e não excludente.

Já o lançamento oficial da campanha de Veganuary no Brasil aconteceu pela primeira vez em 2020. A ação conta com o apoio de Embaixadores como a apresentadora Xuxa, os atores Emiliano D’Avila e Natália Rosa, além do empresário vegano Crica Wolthers.

A ação quer ampliar a atuação da ONG na América Latina, atraindo milhares de brasileiros para sua jornada de 31 dias, com conteúdo local e em português. Ao se inscrever gratuitamente, os participantes recebem um livro digital com receitas das celebridades e e-mails diários com dicas de filmes, receitas, nutrição, proteção animal, e mais.

Em 2020, Veganuary estrelou um comercial de 45” com a personalidade carismática de Tabitha Brown – uma estadunidense vegana com 4,5 milhões de seguidores, que conquistou o segundo lugar entre os 10 maiores criadores de conteúdo da rede social TikTok – convidando o mundo a experimentar o veganismo em um roteiro divertido, reproduzido em 6 idiomas, que mostra que ser vegano não é sobre perfeição, mas sim sobre conscientização e ação.  Assista aqui ao comercial.

Doações de refeições no Brasil

No Brasil, já foram realizadas três ações da campanha mundial “Tire as Pandemias do Cardápio” desde maio deste ano, totalizando mais de 13,1 mil refeições distribuídas em alimentos à base de vegetais, até o momento, no país. A primeira doação ocorreu no mês de maio e distribuiu mais de 5,5 mil refeições em São Paulo, com o apoio do Instituto Luisa Mell.

            Nova adepta do veganismo, Xuxa Meneghel foi madrinha da 3ª ação de doação da MDV  (Foto: Divulgação)

A segunda ação da organização ocorreu em 5 de setembro, no Dia da Amazônia, quando foram distribuídas o equivalente a 2,3 mil refeições para comunidades carentes de Manaus, com o apoio da Sociedade Vegetariana Brasileira.

Já a terceira doação realizada até o momento, ocorreu em 1º de novembro, Dia Mundial do Veganismo, e distribuiu 5,3 mil refeições em alimentos a base de vegetais em 13 cidades do país. Esta ação também contou com o apoio da SVB para sua realização e teve a participação de Xuxa Meneghel, como madrinha da doação.

Entrega de alimentos doados em campanha para populações ribeirinhas (Foto: Divulgação)

Cresce o consumo de alimentos veganos

Segundo pesquisa da própria organização realizada entre julho e agosto de 2020, com mais de 10.000 ex-participantes, principalmente do Reino Unido, EUA, Alemanha e América Latina – as quatro principais regiões em que a instituição atua – quase um terço dos respondentes confirmou estar consumindo mais alimentos veganos.

• 32% estão comendo mais comida vegana em função do Covid-19, 7% estão comendo menos, e 61% afirmaram que seu consumo não sofreu alterações;

• Dos 32% que estão comendo mais alimentos veganos, 73% justificam a escolha para tentar permanecer mais saudável;

• 43% porque têm mais tempo para cozinhar e 41% devido à ligação entre a agricultura animal e as pandemias (Obs: as pessoas podiam escolher mais de uma resposta às perguntas). 

• Estudo encomendado por Veganuary à empresa Kantar, no Reino Unido, demonstrou que a alimentação vegana preparada em casa é 40% mais econômica tanto no bolso quanto no tempo de preparo das refeições.

Com Assessorias

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