População desconhece gravidade do câncer de pulmão

Pesquisa indica que 70% dos brasileiros acreditam que é fácil diagnosticar a doença, mas na realidade apenas 30% dos casos são identificados quando há chance de cura

Redação

Atualmente, o tabagismo é reconhecido como uma doença crônica e é a principal causa de adoecimento e morte evitável em todo o mundo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 7 milhões de pessoas morrem anualmente pelo tabagismo; destas, 900 mil são vítimas de fumo passivo. Estima-se que, no Brasil, a cada ano, cerca de 157 mil pessoas morram precocemente devido às doenças causadas pelo fumo.

O uso do tabaco é um importante fator de risco para o desenvolvimento de diversas enfermidades, incluindo alguns tipos de câncer, principalmente os tumores que acometem o pulmão e a boca.  No mundo, cerca de 13% de todos os casos novos casos de câncer são de pulmão. Atualmente, é a neoplasia que mais mata em todo o mundo e o tabagismo está relacionado a 90% dos casos diagnosticados.

O câncer de pulmão é o segundo tipo mais comum entre homens e mulheres, com incidência de 31 mil brasileiros em 2018 – atrás somente do câncer de pele não melanoma. Mesmo com números tão impressionantes, a sociedade ainda não entende, de fato, a gravidade da doença. É o que mostra a pesquisa desenvolvida pelo Instituto Datafolha, sob encomenda da biofarmacêutica AstraZeneca do Brasil e apoiada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, com mais de 2 mil voluntários, entre pacientes diagnosticados com a doença e população em geral, em São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Distrito Federal.

Dados da pesquisa indicam que, apesar de 97% da população dizer que conhece a doença, 70% acredita ser fácil diagnosticá-la precocemente – o que contradiz a realidade da doença, uma vez que apenas 20% dos casos são diagnosticados cedo. Quando perguntado aos pacientes, 62% também acham que o rastreio é simples, mesmo que apenas um terço deles sejam diagnosticados no estágio 1, no qual ainda há chance de cura.

A falta de conhecimento por parte dos pacientes é ainda mais preocupante: 35% não sabe em qual estágio foi diagnosticado; e poucos conhecem tratamentos mais inovadores e recentes, como a terapia-alvo e a imunoterapia, com 9% e 17%, respectivamente. Este cenário agrava os impactos sociais, já que, segundo o estudo, 32% dos pacientes entrevistados deixaram de trabalhar por complicações da doença. Os impactos emocionais, que afetam 68% das pessoas com câncer de pulmão, são expressados por meio da angústia, susto e medo da morte.

O cenário do tabagismo

Mesmo que a exposição à poluição do ar ou agentes químicos, inalação de poeira e fatores genéticos sejam fatores de risco, o tabagismo é o principal causador do câncer de pulmão. O fato é reconhecido por 72% da população e 70% dos pacientes, que apontam o cigarro como principal fator de risco. Além disso, 95% da população entendem que o fumante passivo também é prejudicado.

Contudo, segundo a pesquisa, 29 milhões de brasileiros fumam e menos da metade daqueles diagnosticados com a doença excluíram o tabagismo de suas vidas, uma vez que apenas 48% informaram que pararam de fumar após o diagnóstico. Por outro lado, 35% desses pacientes moram com alguém que é tabagista¹, indicando que o fumante passivo também é suscetível à doença.

A importância da conscientização

No Brasil, esse câncer é o 2º mais incidente nos homens e o 4º mais incidente nas mulheres.  Segundo o Dra. Ana Gelatti, vice-presidente do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica, mesmo sendo uma doença silenciosa, uma vez que os sintomas nem sempre aparecem nos primeiros estágios da doença, a sociedade precisa se conscientizar sobre a questão. “Na maioria dos casos, o câncer de pulmão é evitável, já que está relacionado ao tabagismo. O importante é que as pessoas absorvam informação para se prevenirem da condição”, avalia.

Segundo a pesquisa, hoje 26% dos pacientes se informa na internet e, para propagar conhecimento de qualidade, o Instituto Lado a Lado e a AstraZeneca estão juntos em mais uma edição da campanha #RespireAgosto, campanha que reforça a relevância do diagnóstico rápido e alerta a população de que o câncer de pulmão cresce anualmente entre indivíduos não fumantes.

Confira os principais destaques da pesquisa

40% da população se considera bem informada a respeito do câncer de pulmão e metade deles foram diagnosticados ou tiveram parentes diagnosticados com a doença.

A quimioterapia é o tratamento mais conhecido entre os pacientes com 95% de identificação, seguido pela radioterapia com 78%. Eles estão sendo ou foram utilizados por74% e 37% dos pacientes, respectivamente.

19% dos brasileiros, cerca de 30 milhões de pessoas, declaram ter ou já ter tido um parente com câncer de pulmão.

Menos da metade dos pacientes (49%) obtiveram um diagnóstico em até 3 meses. 13% dos pacientes só obtiveram o diagnóstico depois de um ano com a doença.

43% dos pacientes foram diagnosticados por oncologistas, 20% por pneumologistas, 11% por cirurgiões torácicos e 5% por clínicos gerais.

O maior índice de diagnósticos está na faixa etária de 51 a 60 anos, que corresponde a 31%. Seguido por 61 e 70 anos, com 26% dos diagnósticos. As duas menores taxas são antes dos 40 com 8% e após os 81 com 3%.

Cansaço ou fraqueza são os principais sintomas, com 44% de identificação, seguido por respiração ofegante e tosse persistente, ambos com 34%.

O sintoma perda de peso foi mais citado pelos homens do que pelas mulheres.

11% dos diagnosticados levaram mais de meio ano para iniciar o tratamento.

70% da população entrevistada acreditam que o câncer de pulmão é fácil de ser diagnosticado precocemente. Porém, apenas 20% dos casos obtiveram diagnósticos em estágios iniciais e apenas um terço foi diagnosticado na fase 1, enquanto 35% dos pacientes diagnosticados sequer sabem em qual estágio a doença foi descoberta.

Apenas 9% e 17% dos pacientes conhecem tratamentos inovadores — como terapia-alvo e imunoterapia, respectivamente.

32% dos pacientes tiveram que abandonar o trabalho devido às complicações causadas pela doença.

Sentimentos de angústia, susto e medo da morte afetam a vida de 68% dos pacientes diagnosticados com câncer de pulmão.

O tabagismo é o principal fator causador da doença, e 72% da população e 70% dos pacientes estão de acordo com essa afirmação. Além disso, 95% da população concorda que fumantes passivos também podem ser afetados.

O Brasil conta com 29 milhões de fumantes; 19% dos pacientes não pararam de fumar após o diagnóstico e 35% deles moram com alguém que possui hábitos tabagistas.

Os médicos são a principal fonte de informação (59%), seguidos pela internet (26%). O INCA é a principal fonte para apenas 3%.

11% dos pacientes alegam não se informar a respeito da doença

Outro estudo mostra que 92% dos casos evoluem para óbito

Um estudo recém-lançado pelo Instituto Oncoguia traçou o panorama do câncer de pulmão no Brasil. Os dados apresentados mostram evolução principalmente na luta contra o tabagismo, responsável por cerca de 85% dos casos deste tipo de tumor, mas também desafios importantes para o futuro, principalmente em relação ao diagnóstico precoce, notificação dos casos da doença e investimento em pesquisas.

O tumor de pulmão é o tipo de câncer que mais mata no país. Dois dos fatores que contribuem para esse cenário, segundo a oncologista do Grupo Oncoclínicas, Clarissa Mathias, são a subnotificação dos casos e o diagnóstico tardio da doença, o que resulta no alarmante dado de que 92% dos casos decorrem em morte, conforme apontou o levantamento.

Os dados trazidos pelo Panorama do Câncer de Pulmão mostram que há um grande déficit em relação a notificação de casos no país, o que nos impede de ter uma visão mais clara e ampla do problema para combatê-lo. E, quando identificados, chegam nos hospitais em estágio onde já não é possível de ser tratado”, diz a especialista, que é também presidente do Comitê Internacional da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO).

Os números comprovam a fala da médica. Em 2016, 86,2% desses pacientes já apresentavam estágios avançados da doença, o que diminui as chances de cura consideravelmente. No Nordeste, a situação é ainda pior, como aponta Clarissa. Em Sergipe, por exemplo, 100% deles estavam nessa situação.

Para ela, apesar de ter incidência menor do que em outros países, como os Estados Unidos, no Brasil, o câncer de pulmão é responsável por muito mais mortes.

“É essencial ampliar as ações de conscientização da população em geral por meio de campanhas informativas sobre as causas da doença, hábitos nocivos à saúde e estimular o entendimento da importância do diagnóstico precoce. Além disso, precisamos incentivar pesquisas clínicas no país, que podem ajudar a ampliar o acesso ao tratamento”, ressalta a oncologista.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), apenas 24,6% dos casos são notificados no país. Estimativas apontam a ocorrência de 28.220 novos casos atualmente, porém o Registro Hospitalar do Câncer (RHC) tem oficialmente listados apenas 6.915.

Tabagismo ainda é a principal causa de câncer

O tabagismo continua sendo o maior responsável pelo câncer de pulmão no Brasil e no mundo. Aliás, não apenas deste tipo de tumor: em 2017, segundo o INCA, 73.500 pessoas foram diagnosticadas com algum tipo de câncer provocado pelo tabagismo no país e 428 pessoas morrem diariamente no país por conta dele. O instituto aponta ainda que mais de 156 mil mortes poderiam ser evitadas anualmente se o tabaco fosse evitado.

Em 79% dos casos de câncer de pulmão, por exemplo, os pacientes eram fumantes, ou ex-fumantes. Apenas 21% nunca tiveram contato com o tabaco.

O Brasil foi recentemente reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um exemplo no combate ao cigarro. O país tem um dos menores índices de fumantes do mundo, cerca de 10% da população acima de 18 anos, segundo o próprio INCA. Mesmo com os avanços, os desafios não param de chegar.

A especialista ressalta ainda que a chegada do cigarro eletrônico, que tem conquistado principalmente os jovens, deve ser um ponto de alerta para a sociedade.

“Nós vemos novas formas de tabagismo chegando, como esse dispositivo tecnológico, por exemplo, que tem atraído principalmente os adolescentes, pelo formato, pela novidade e pela falta de informação também sobre o impacto nocivo deles. Então, estamos vendo uma geração que tinha largado o cigarro, voltar para versões digamos, mais modernas, do mesmo mal”, afirma Clarissa.

Parar de fumar, alerta a médica do Grupo Oncoclínicas, é a forma mais eficaz de se prevenir contra o câncer de pulmão, além de diversas outras doenças e tumores.

Câncer de pulmão: principais sintomas

A oncologista Mariana Laloni, do Centro Paulista de Oncologia (CPO) – Grupo Oncoclínicas, diz que a maioria dos pacientes com câncer de pulmão apresenta sintomas relacionados ao próprio aparelho respiratório, tais como: tosse, falta de ar e dor no peito. Outros sintomas inespecíficos também podem surgir, entre eles perda de peso e fraqueza. Em poucos casos, cerca de 15%, o tumor é diagnosticado por acaso, quando o paciente realiza exames por outros motivos. Por isso, a atenção aos primeiros sintomas é essencial para que seja realizado o diagnóstico precoce da doença.

Segundo a médica, existem dois tipos principais de câncer de pulmão: carcinoma de pequenas células e de não pequenas células. “O carcinoma de não pequenas células corresponde a 85% dos casos e se subdivide em carcinoma epidermóide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células. O tipo mais comum no Brasil e no mundo é o adenocarcinoma e atinge 40% dos doentes”, destaca.

Como tratar a doença

O tratamento do câncer de pulmão se baseia em cirurgia, tratamento sistêmico (quimioterapia, terapia alvo e imunoterapia) e radioterapia. Sempre que possível, a cirurgia é realizada na tentativa de se retirar uma parte do pulmão acometido. Atualmente, os procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos, por vídeo (CTVA) são cada vez mais realizados com menor tempo de internação e retorno mais rápido do paciente às suas atividades. A indicação da cirurgia depende principalmente do estadiamento, tipo, do tamanho e da localização do tumor, além do estado geral do paciente.

Após a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia são indicadas para destruir células tumorais microscópicas residuais ou que estejam circulando pelo sangue. Para a Dra. Mariana, a combinação de tratamento sistêmico e radioterapia também pode ser administrada no início do tratamento para reduzir o tumor antes da cirurgia, ou mesmo como tratamento definitivo quando a cirurgia está contraindicada. A radioterapia isolada é utilizada algumas vezes para diminuir sintomas como falta de ar e dor.

Mas o grande avanço dos últimos anos, ainda de acordo com a oncologista do CPO, é a imunoterapia. Baseado no princípio de que o organismo reconhece o tumor como um corpo estranho desde a sua origem, e de que com o passar do tempo este tumor passa a se disfarçar para o sistema imunológico e então se aproveitar para crescer, a imunoterapia busca reativar a resposta imunológica contra este agente agressor.

Medicações imunoterápicas revolucionam

“Atuando através do bloqueio dos fatores que inibem o sistema imunológico, as medicações imunoterápicas provocam um aumento da resposta imune, estimulando a atuação dos linfócitos e procurando fazer com que eles passem a reconhecer o tumor como um corpo estranho”, explica a Dra. Mariana.

Segundo a oncologista, existem dois tipos principais de câncer de pulmão: carcinoma de pequenas células e de não pequenas células. “O carcinoma de não pequenas células corresponde a 85% dos casos e se subdivide em carcinoma epidermóide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células. O tipo mais comum no Brasil e no mundo é o adenocarcinoma e atinge 40% dos doentes”, comenta.

“Infelizmente o câncer de pulmão é um tumor silencioso e quando começa a apresentar sintomas como falta de ar, tosse, presença de sangue no escarro, dor no peito, perda de peso, já está em um estágio avançado da doença, e sua cura não é mais possível”, aponta a médica pneumologista Géssica Gomes, do Instituto Brasiliense de Otorrinolaringologia (Iborl).

Exames para rastreio de câncer de pulmão, como a tomografia de tórax de baixa dose são recomendados principalmente para pessoas com mais de 55 anos de idade tabagistas por, no mínimo, 30 anos (quando consumidores de um maço/ano) e também aos que que pararam de fumar há menos de 15 anos – tempo médio para o organismo do ex-fumante ficar nas mesmas condições do não fumante em relação ao risco de desenvolver câncer de pulmão.

De acordo com o Bruno França, oncologista e diretor médico do CON – Oncologia, Hematologia e Centro de Infusão, os sintomas são percebidos, na maioria das vezes, tardiamente, quando a doença já se encontra em estágio avançado. Estes sintomas são, comumente: tosse persistente, tosse com sangue, falta de ar, dor torácica, perda de apetite, perda de peso sem causa aparente, cansaço extremo, entre outros.

O diagnóstico precoce da doença é essencial para aumentar as chances de cura. Segundo ele, para o rastreio do câncer de pulmão, o melhor exame é a tomografia computadorizada de tórax de baixa dose de radiação.  Entretanto, devido à dificuldade em realizá-la, pode-se optar pela tomografia de tórax convencional. Esses exames são destinados aos grupos de risco, como os tabagistas.

Outros tumores

Outros tumores relacionados ao cigarro são os que afetam os lábios e o interior da cavidade oral, incluindo gengivas, bochechas, céu da boca, língua (principalmente as bordas), além da região embaixo da língua. O tabagismo aumenta em até oito vezes a chance de um indivíduo ter câncer na cavidade oral. Quando combinado com o consumo de bebidas alcoólicas, a chance pode ser até 20 vezes maior. Estudos mostram que a incidência deste tipo de câncer é maior em homens com idade acima dos 40 anos. Porém, nos últimos anos, o avanço do tabagismo entre as mulheres ocasionou aumento do número de diagnósticos de câncer de boca também em pacientes do sexo feminino.

Para quem pretende parar de fumar, o Sistema Único de Saúde (SUS) garante tratamento gratuito e acompanhamento profissional. “É muito importante conscientizar a população, principalmente os jovens, a abandonar ou não iniciar o hábito do tabagismo, o que seria o fator de maior impacto na melhora geral da qualidade de vida e na redução da incidência de diversas doenças”, ressalta o Dr. Bruno.

Campanha Respire Agosto

Marlene de Oliveira, presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, reforça que os resultados dessa pesquisa serão um excelente subsidio para a Campanha #RespireAgosto,  que além de alertar que qualquer pessoa pode ser acometida pelo câncer de pulmão, independente de ser fumante, tambémtem o objetivo de acabar com o estigma de que o paciente de câncer de pulmão é culpado de sua condição.

“Além disso, os números apresentados mostram a relevância das nossas propostas voltadas para as políticas públicas, como por exemplo a necessidade do rastreamento para o grupo de risco, que são aqueles entre 50 e 55 anos que tenham fumado por pelo menos 30 anos um maço de cigarros por dia ou, na mesma proporção, que tenham fumado dois maços por dia, por 15 anos. Outro exemplo é a necessidade da ampliação do acesso às novas tecnologias no tratamento de diversos tipos de câncer – a chamada Medicina Personalizada”, finaliza a presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida.

Oncoclínicas na luta contra o fumo

Anualmente, o Instituto Oncoclínicas – iniciativa do corpo clínico do Grupo Oncoclínicas para promoção à saúde, educação médica continuada e pesquisa – desenvolve uma série de ações para alertar sobre a importância de combater o tabagismo como forma efetiva de prevenção contra o câncer. Em 2019 a iniciativa terá a parceria da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e trará uma abordagem positiva nas redes sociais mostrando os benefícios sentidos pela pessoa que para de fumar. Voltada à conscientização sobre o abandono do cigarro para uma retomada da saúde e da qualidade de vida, a campanha, direcionada à sociedade em geral, ressalta uma importante informação: nunca é tarde demais para abandonar o cigarro.

Da Redação, com Assessorias

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