População LGBTQIA+ sofre com transtornos mentais

Falta de profissionais especializados é um dos desafios. Fiocruz aponta que 55% da população LGBTQIA+ foram diagnosticados com depressão grave

Foi em 17 de maio de 1990 que a Organização Mundial da Saúde (OMS) tirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças (CID). Porém, embora haja leis contra a LGBTfobia, o preconceito, falta de respeito, apoio, aceitação social e profissionais especializados ainda provocam, nos dias atuais, uma série de problemas para a população LGBTQIA+, dentre eles os mentais.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), houve um aumento de 16% na vulnerabilidade da população LGBTQIA+ brasileira. Além disso, o estudo identificou que 55% foram diagnosticados com depressão grave. De acordo com os entrevistados, a escassez na ajuda profissional em todo o âmbito da saúde, seja física ou mental, influenciou diretamente neste cenário.

Com ações de cuidado à saúde mental, o mês de setembro chega com a bandeira amarela da prevenção ao suicídio. A campanha Setembro Amarelo nasceu em 2014 com uma parceria entre a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM).

“Mesmo que tenhamos o Setembro Amarelo como lembrança aos cuidados com o psicológico de todos, é importante ressaltar que o sofrimento mental ocorre em todos os outros meses do ano também”, comenta a psicóloga Patrícia Lenine, da Zero Barreiras, um grupo de psicólogos que realizam atendimentos online e prezam pela saúde mental corporativa. “Além disso, é essencial que prestemos atenção às raízes dos problemas, como é o caso da falta de apoio médico e psicológico”, completa.

O governo brasileiro criou, em 2010, a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Entretanto, a população em questão ainda sofre por não ter garantia de um serviço de saúde de qualidade.

Dificuldade de falar sobre sexualidade

“Isso porque, falar ao seu médico como você vive e como se relaciona ajuda que ele tenha mais informações sobre a sua saúde e seja mais assertivo quanto aos tratamentos ou diagnósticos. Porém, ainda é muito difícil falar abertamente sobre a sua sexualidade com um médico, pois muitos não dão espaço para uma conversa clara e sem julgamentos”, afirma o urologista Leonardo Lins, formado pela Faculdade de Medicina do ABC e que faz acolhimento ao público LGBTQIA+.

Muitos profissionais que atuam na área da saúde não têm proximidade com as políticas públicas e com os problemas específicos da comunidade LGBTQIA+. Como resultado, cada vez mais esse público reduz a procura pelos serviços de saúde e isso, por consequência,

o deixa mais vulnerável às doenças físicas e mentais. “Foi pensando nisso que eu decidi criar no meu consultório, um ambiente de inclusão, acolhimento e respeito à diversidade, para que essa comunidade possa se sentir à vontade para contar o que sente e não ter receio de mostrar o que é”, completa o urologista. Porém, infelizmente isso ainda não é o suficiente.

Atendimento multidisciplinar

Para reverter o atual quadro de saúde dessa população é necessário ter o trabalho multidisciplinar de saúde como estratégia para tornar o atendimento mais qualificado, efetivo e seguro para o paciente LGBTQIA+. Ou seja, é importante que, além de cuidar da saúde física, cuidem também da saúde mental.

“As especialidades precisam andar de mãos dadas não só para o cuidado da comunidade em questão, mas de todas as pessoas, já que o ser humano é corpo e mente!”, explica a psicóloga Christiane Valle, também da Zero Barreiras. Além disso, é essencial que todos os especialistas tenham um ambiente de inclusão, livre de preconceitos. “Só assim é possível realizar o atendimento humano”, finaliza a psicóloga Christiane.

 

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