Por medo da Covid-19, brasileiros deixam de se vacinar para outras doenças

A pandemia ressalta a importância da vacinação para o controle de doenças infecciosas. A imunização é a maneira eficaz de combater não só a Covid, mas doenças como caxumba, sarampo, gripe, entre outras, evitando também a mortalidade. Apesar disso, nos últimos anos, temos observado uma queda nas taxas de coberturas vacinal. A maioria das últimas campanhas de vacinação manteve índices muito abaixo dos 95% esperados para garantir a eliminação do risco de contágio.

Com a adesão às vacinas abaixo do esperado, doenças controladas podem voltar a circular na população, já que muitas pessoas deixam de se vacinar, aumentando de casos de doenças que já foram consideradas erradicadas.  A febre amarela e o sarampo são exemplos recentes de doenças infecciosas que voltaram com força. São consideradas doenças muito graves, com grande chance de óbito. Em 2019, o Brasil atravessou um surto de sarampo, com mais de 18 mil casos.

No Brasil, existe um Calendário Nacional de Vacinações, instituído por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde. Assim, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza 19 vacinas para proteção de crianças, adolescentes, adultos, idosos, gestantes e povos indígenas. Este serve como uma norma de vacinação para crianças e adultos, segui-lo significa proteção e cuidado para si mesmo e ao próximo.

O Dia Nacional da Imunização (9/6) chama a atenção para as baixas coberturas vacinais em diversas campanhas de imunização já conhecidas no Brasil. De acordo com o PNI, a cobertura está abaixo de 90%, o que traz sérios riscos da volta de doenças já erradicadas, como o sarampo, a poliomielite e a difteria. A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) faz um alerta para a importância de se vacinar.

As vacinas modificaram a história natural da humanidade, trouxeram impactos diretos na redução da mortalidade, principalmente nos casos de doenças infecciosas, como sarampo, varicela e coqueluche. E hoje, assistimos a importância dela diante da pandemia da Covid-19”, afirma Lorena de Castro Diniz, coordenadora do Departamento Científico de Imunizações da Asbai.

Agora, a atenção está voltada para a vacina contra a gripe, doença mundial, que ocorre nas estações do outono e inverno e pode levar a complicações pulmonares, como pneumonia e até óbito, principalmente em crianças e idosos. “Vacinar-se contra a influenza evita as formas graves da gripe e contribui no diagnóstico diferencial da Covid-19, já que os sintomas das duas doenças são semelhantes”, explica Dra. Lorena.

Antivacinismo e fake news

Com maior adesão nos Estados Unidos e alguns países da Europa, o movimento anti-vacinas ganhou muitos adeptos nos últimos anos no Brasil. Considerado um retrocesso pelos especialistas, o movimento representa uma preocupação a mais em relação à possibilidade do retorno de algumas doenças infecciosas que estão sob controle há anos. Aliado a outros fatores, podem ocorrer surtos de doenças como sarampo, caxumba e varicela.

Muito além das questões incoerentes baseadas em fake news sobre os imunizantes disponíveis em território nacional, a população ainda tem dúvidas importantes sobre contraindicações e interações medicamentosas em casos de comorbidades, por exemplo. Para evitar a queda dos números de vacinação, especialistas recomendam o estímulo por parte das autoridades, e também desmistificação das campanhas feitas contra a imunização.

Vacinas x alergia

Algumas vacinas possuem componentes que são comuns no desencadeamento de alergias, como ovo e leite. Porém, a especialista da Asbai explica que os benefícios da vacinação superam chances de reações graves. “Já existem protocolos para a vacinação segura. Vacinas como tríplice viral e influenza já são liberadas sem restrições, com raras exceções para casos de extrema sensibilidade a ovo e ao leite”, explica Dra Lorena.

Nestes casos, pode haver a indicação de vacinação fracionada ou escalonada. “Para estes pacientes com extrema sensibilidade a ovo e ao leite, é indicado que a vacinação seja feita sob supervisão em serviço de saúde por uma hora após receber a vacina”, explica a médica.

Dra. Lorena explica que as vacinas são seguras na maioria dos pacientes e eficazes em prevenir doenças infecciosas em todas as faixas etárias, da infância ao idoso. Pessoas com dúvidas ou que estejam em alguma condição especial, como imunossupressão – tratamento que diminui a imunidade – ou que sabem ser alérgicas a algum componente da vacina podem procurar o auxílio de um médico para serem vacinadas com segurança.

Na dúvida, sempre busque informação em um serviço de saúde, em especial com o médico. O importante é não deixar de se vacinar. É preciso orientar a população do benefício da vacinação, que supera os riscos de reações adversas”, alerta a especialista.




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