Prevenção contra dengue não pode parar durante a pandemia de Covid-19

Aumento de casos de dengue em meio à pandemia de Covid-19 chama a atenção das autoridades de saúde. Saiba como evitar a doença

Ano após ano, a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, vem disseminando o vírus. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2019 o país registrou 1,5 milhão de notificações de casos de dengue. Em 2020, o número caiu para 979 mil, Outras doenças infecciosas transmitidas por picadas de mosquitos também tiveram números relevantes: foram registradas 80 mil notificações de Chikungunya, cerca de 7 mil de Zika vírus e 19 de Febre Amarela (única com vacina já disponível).

Pesquisadores, no entanto, acreditam que houve subnotificação. A tese destes cientistas de instituições como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é que muitas pessoas com quadros leves de dengue não foram aos hospitais para evitar exposição ao coronavírus. Estes números podem crescer ainda mais em 2021, já que o medo do coronavírus fez com que aumentasse a recusa de visitas dos agentes de zoonoses que fazem o combate em casas ao mosquito Aedes aegypti.

Outro dado alarmante é que, também devido à pandemia da covid-19, muitos municípios brasileiros não fizeram o Levantamento Rápido de Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), o que pode atrapalhar as políticas de enfrentamento do mosquito proliferador de várias doenças virais. Os dados são da e foram divulgados em janeiro de 2021.

Além dos estragos causados pelo coronavírus, os brasileiros – sobretudo os que moram no litoral paulista – enfrentaram uma epidemia de dengue. A cidade de São Paulo (SP) alcançou neste ano – em pouco mais de cinco meses – o dobro de casos de dengue registrados ao longo de todo o ano de 2020. Até 10 de maio, houve 4.214 casos da doença causada pelo mosquito Aedes aegypti. Em todo o ano passado, foram 2.009* registros.

Embora a dengue não tenha relação direta com o novo coronavírus, a existência de duas epidemias em paralelo, uma por vetor, no caso da Aedes aegypti e a outra por transmissão pelo ar, a Covid-19, em um mesmo momento é preocupante. Subnotificada ou não, a dengue é uma constante em países tropicais por causa das altas temperaturas e grande volume de chuva.

Cenário catastrófico

No contexto de mudanças climáticas e aumento da temperatura média no mundo, cientistas acreditam que uma das consequências será a redistribuição geográfica de enfermidades transmitidas por mosquitos.

Isso significa que regiões antes inviáveis para a proliferação do Aedes aegypti devido às baixas temperaturas poderão ter clima e condições favoráveis por causa do aquecimento global. Embora hipotético, tal cenário acende o semáforo vermelho e torna as ações preventivas para a proliferação de criadouros cada dia mais indispensáveis.

Neste contexto, as ações preventivas são fundamentais para evitar a proliferação de criadouros do mosquito. “É preciso evitar água parada, em qualquer época do ano, e ficar atento àquele vasinho de planta que acabou de ser regado”, diz o especialista Fernando Bernardini, gerente de desenvolvimento de soluções da Bayer.

Cuidados dentro de casa

Ele explica quais cuidados a população pode tomar para controlar a proliferação do mosquito. “É preciso evitar água parada, em qualquer época do ano, por isso, é importante ficar atento àquele vasinho de planta que acabou de ser regado, manusear e descartar o lixo da forma correta vedando bem os sacos, manter garrafas de boca para baixo e furar e eliminar latinhas, tapar ralos, manter o quintal de casa limpo, entre outras medidas que impeçam o acúmulo de água e de sujeiras”, esclarece.

Segundo Bernardini, quando conseguem entrar nas casas, essas pragas costumam ficar em ambientes baixos e sem exposição solar, como atrás dos móveis, portas, cortinas e embaixo de mesa. Para combatê-lo, Bernardini dá algumas dicas: “Usar telas mosquiteiras nas janelas e portas, fechar a casa próximo do anoitecer, usar repelentes e aplicar inseticida nos locais que os mosquitos costumam se alojar são hábitos que podem ser valiosos para evitar a doença”, diz o executivo da Bayer.

Por isso, ele ressalta a necessidade de manter os ambientes protegidos e higienizados. “Manusear e descartar o lixo da forma correta vedando bem os sacos, manter garrafas de boca para baixo, furar e eliminar latinhas, tapar ralos são medidas importantes. Também é essencial manter os jardins sem água parada e aparados, o que favorece a circulação de ar. A mudança de hábito é tão importante e é preciso conscientizar a população”, finaliza.

Dicas para evitar a proliferação

Aedes aegypti, mosquito transmissor da Dengue, Chikungunya, Zika e Febre Amarela se reproduz o ano todo, mas é durante o verão que os mosquitos encontram condições ideais e se proliferam ainda mais por causa das constantes chuvas e do calor. Por isso, o combate às chamadas arboviroses (doenças transmitidas pelo Aedes) também é responsabilidade da população e todos devem fazer sua parte.

Veja como eliminar os focos dos mosquitos para evitar o nascimento de novos transmissores:

  • Evite deixar água parada em pneus velhos, calhas, garrafas, brinquedos que ficam no quintal ou varanda;
  • Coloque areia nos pratinhos de vasos de plantas para evitar que o lugar vire criadouro do mosquito;
  • Troque com frequência a água e lave com uma escovinha o recipiente dos animais de estimação;
  • Faça uma vistoria dentro de casa, onde pode haver depósitos de água parada que passam despercebidos, como o reservatório que fica atrás da geladeira, sanitários e ralos pouco utilizados;
  • Reserve dez minutos por semana para fazer esta vistoria na sua casa.
  • O controle do Aedes aegypti e consequentemente da dengue depende de cada indivíduo e pode salvar vidas na sua família, dos seus vizinhos e na sua comunidade;

Uso de repelentes aprovados pela Anvisa

É aconselhável também o uso de repelentes contra o mosquito Aedes Aegypti que usam IR3535®, substância segura que realmente repele os mosquitos, que têm eficácia aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para os adultos, a aplicação deve ser feita uniformemente sobre as partes expostas do corpo e a reaplicação do produto após o contato com água ou transpiração excessiva. Lavar as mãos com água e sabão após o uso.

Para aplicar no rosto, colocar primeiramente o produto nas mãos e a seguir levar ao rosto, evitando olhos boca e narinas. A aplicação desse produto em bebês e crianças deve ser supervisionada por um adulto, que deve colocar o produto em suas mãos em seguida aplicar na criança para evitar que ela leve as mãos nos olhos e boca com o produto.

A start-up Aya Tech, por exemplo, desenvolveu o Fly Biorepelente®, com nanotecnologia 100% brasileira, que promete combater mosquitos Aedes Aegypti por até nove horas e demais insetos como pernilongos, borrachudos (Culex quinquefasciatus, Anopheles aquasalis), entre outros, por até oito horas. Fernanda Checchinato, CEO da Aya Tech, diz que este é o primeiro repelente do mercado seguro para bebês a partir de 24 meses.

“O produto é atóxico e eficaz, dermatologicamente testado e hipoalergênico. Toda a família pode usar, sem medo: as crianças, os adultos, as gestantes e idosos também”, explica. A empresa desenvolve saneantes e biocosméticos usando nanotecnologia para formular produtos que não agridam o meio ambiente e sejam seguros para a população.

Limpeza constante em rodovias paulistas

Não é apenas nas residências que os cuidados precisam ser tomados para evitar a proliferação dos mosquitos. Em São Paulo, o Programa Estadual de Combate à Dengue tem participação das concessionárias de rodovias paulistas através da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp). Diariamente é realizada a limpeza e conservação das rodovias administrada pela CCR ViaOeste e CCR RodoAnel.

Em 2020 foram recolhidas 1.600 toneladas de resíduos ao longo das malhas viárias sob concessão das duas empresas. Somente no mês de janeiro deste ano, foram 61 toneladas de materiais coletados às margens das estradas.  A coordenadora de Meio Ambiente das concessionárias, Egle Humphreys, reforça que todos os materiais recolhidos são destinados para cooperativas de reciclagem ou aterros licenciados, através de um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, atendendo à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

O mutirão de limpeza é uma forma de intensificar esse trabalho para eliminar possíveis focos de proliferação do mosquito Aedes aegypti. É também uma oportunidade para alertar os motoristas sobre a responsabilidade de todos em não jogar lixo nas rodovias”, enfatiza. 

Egle comenta que estão sendo veiculadas frases nos painéis eletrônicos das concessionárias alertando os usuários das rodovias sobre a importância da destinação adequada dos materiais. “O lixo descartado incorretamente pode contaminar o solo, nascentes e rios, além de causar acidentes nas rodovias, se jogado pela janela com o veículo em movimento”, alerta. “A recomendação é armazenar o lixo em saquinhos adequados dentro do veículo durante a viagem e realizar o descarte em local apropriado”, completa.

Para prevenir e combater o mosquito, as medidas são simples: evitar acumular entulhos ou qualquer recipiente abandonado que acumule água; instalar telas nas janelas que impeçam o inseto de entrar no domicílio ou ambiente de trabalho e fazer uso de repelentes. “A melhor arma contra cada uma dessas doenças é prevenir, e ao primeiro sinal de algum sintoma, o paciente deve procurar imediatamente por uma avaliação médica, visto todas tem alta capacidade de agravamento e de trazer sérias complicações à saúde”, finaliza.

Com Assessorias

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