Sob forte preconceito, psoríase é confundida com alergias

Ainda pouco conhecida, doença afeta cerca de 3% da população mundial, sendo 5 milhões de brasileiros. Medicamentos imunobiológicos serão oferecidos no SUS

Britney Sepaers sofre com a psoríase (Foto: Reprodução de internet)
Psoriase: Kim Kardashian já revelou sofrer com a doença autoimune (foto: Reprodução de internet)

A psoríase é uma doença comum da pele que causa vermelhidão e irritação. Embora muita gente nunca tenha ouvido falar da doença, estimativas alertam que mais de 3% da população mundial sofram com o mal – aproximadamente 125 milhões de pessoas, sendo cinco milhões de brasileiros. Kim Kardashian e Britney Spears são alguns dos famosos diagnosticados com a doença.

Como se não bastasse o incômodo, os pacientes têm que enfrentar outro mal: o preconceito em torno da doença, ainda pouco conhecida. Uma pesquisa global encomendada pela farmacêutica Novartis revelou que 96% dos brasileiros com psoríase já passaram por uma situação de constrangimento por conta da doença e 62% afirmaram que já foram questionados se a doença é contagiosa.

Realizada com 8.338 pessoas, em 31 países, com o envolvimento de 25 associações de pacientes, a pesquisa mostrou que 41% têm autoestima baixa e 38% se sentem deprimidos por conta da psoríase. No Brasil, 426 pacientes foram ouvidos, sendo 60% mulheres e 40% homens.

Entre os brasileiros, 79% disseram que não frequentam praia nem piscina, já que não se sentem confortáveis com roupa de banho devido à doença. De acordo com os dados globais, as mulheres são as mais afetadas por sentimentos como vergonha, baixa autoestima e falta de confiança.

De acordo com o levantamento feito pelo grupo Psoríase Brasil (2015), 81% dos portadores de psoríase declararam ter a vaidade e a autoestima afetadas pela doença. 73% se sentem envergonhados com os sintomas.

A servidora pública Luciana Teixeira descobriu que tinha psoríase palmoplantar em janeiro de 2016 e seus dedos descamavam muito. No dia a dia dela, todos esses números das pesquisas se tornaram realidade.

Quando meus dedos estavam naquela situação, eu sentia vergonha. Tinha medo das pessoas sentirem nojo, e às vezes até eu mesma sentia, quando ia comer alguma coisa, por exemplo. Quando as pessoas viam isso era motivo de questionamentos. Muito constrangedor, é realmente muito difícil pra gente”, contou.

Doença ainda muito pouco conhecida

Doença afeta principalmente joelhos e cotovelos (Foto: Banco de imagens)

A falta de informação sobre a psoríase colabora para que esta realidade continue existindo. Foi apenas no dia 23 de maio de 2014 que a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a psoríase “como uma doença crônica grave, incapacitante, não transmissível, dolorosa, desfigurante e para qual ainda não existe cura”, o que comprova que essa ainda é uma luta recente em todo o mundo.

De acordo com especialistas, ainda não se sabe a causa da doença, no entanto, existem gatilhos que fazem a doença entrar em atividade, como estresse, traumas físicos, fumo, infecções e uso de algumas medicações. As formas de tratamento são, em sua maioria, agressivas e podem causar outros problemas.

A doença inflamatória da pele é crônica, autoimune e não contagiosa. A maioria dos portadores da psoríase tem de 20 a 40 anos, mas ela se manifesta também em outras fases na vida, como na infância (15%), segundo dados de um levantamento feito pela União das Associações de Portadores de Psoríase no Brasil (Psoríase Brasil) em 2015.

Britney Spears mostrou ferida causada pela doença na perna (Reprodução de internet)

A psoríase forma placas avermelhadas espessas, bem delimitadas, com descamação às vezes pruriginosas, que podem surgir em qualquer lugar do corpo. Existem várias formas da doença sendo a mais comum em placas em couro cabeludo, cotovelos e joelhos. O estresse emocional é um fator desencadeante e têm predisposição genética.

Até o momento não existe cura mas tem controle e tratamento para melhora da qualidade de vida dos pacientes.  Dependendo do grau, muda a forma do tratamento além das medicações típicas, como fototerapia, medicamentos sistêmicos e injetáveis.

Após a aparição dos primeiros sintomas, estima-se que o diagnóstico demore ainda de 4 a 12 meses para ser confirmado. Nos casos mais moderados, o paciente provavelmente sentirá apenas um leve desconforto nas áreas lesionadas, como coceira. Já nos casos mais graves, a doença pode ser dolorosa, causando forte queimação, e impactar na qualidade de vida.

Campanha ‘Vamos falar de psoríase’

A psoríase pode ter um impacto significativo na qualidade de vida e na autoestima do paciente, o que pode piorar o quadro. Assim, o acompanhamento psicológico é indicado em alguns casos. Outros fatores que impulsionam a melhora e até o desaparecimento dos sintomas são uma alimentação balanceada e a prática de atividade física.

Dia 29 de outubro é comemorado o Dia Mundial da Psoríase. Com a pergunta “Vamos falar de psoríase?”, a SBD promove uma campanha de divulgação sobre a doença e a evolução das terapias. Saiba mais em: https://youtu.be/d_6JZfjEFOg.

A mensagem principal da campanha é ressaltar, que apesar da psoríase ainda não ter cura, tem controle e tratamento para a melhora da qualidade de vida dos pacientes. O protocolo clínico da doença evoluiu muito nos últimos anos e vai além dos medicamentos tópicos, como cremes, loções e shampoos.

Dependendo do grau, que pode ser leve, moderada ou grave, existem outras formas de cuidar do paciente. A fototerapia, os medicamentos sistêmicos tradicionais e os injetáveis (biológicos) são indicados nos tipos de psoríase moderada a grave.

 A Campanha Nacional de Conscientização da Psoríase da SBD tem apoio dos laboratórios farmacêuticos Abbvie, Lilly e Novartis. Para mais informações sobre a campanha acesse: www.psoriasetemtratamento.com.br.

Confusão com outras doenças

A psoríase é uma doença relativamente comum no Brasil. De acordo com uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (2015/2016), a prevalência no Brasil varia entre 1,10 e 1,50%, com grande variabilidade entre as regiões: 0,92% (Norte) e 1,88% (Sudeste). Além disso, é uma doença inflamatória crônica, imunomediada e não contagiosa, que pode afetar o corpo todo, principalmente os joelhos, cotovelos, mãos, pés e o couro cabeludo.

Por ser pouco conhecida, a psoríase é muitas vezes confundida com outras doenças de pele mais comuns. Gabriella Albuquerque, da Sociedade de Dermatologia do Rio, frisa que esse erro de diagnóstico pode agravar o desenvolvimento da doença.

Os sintomas da psoríase são lesões vermelhas que descamam, elas se apresentam no joelho, cotovelo, couro cabeludo e unhas. A psoríase pode afetar também as articulações e causar atrite. As lesões podem arder, coçar e doer e, por isso, são confundidas com alergias, micoses e caspas. O que é preocupante, já que o tratamento inadequado pode piorar as lesões”, afirma.

O diagnóstico de psoríase costuma assustar por se tratar de uma doença sem cura, entretanto ela não é contagiosa e pode ser controlada com o objetivo de que o paciente tenha uma vida completamente normal. Nos casos leves, hidratar a pele, aplicar medicamentos tópicos apenas na região das lesões e exposição diária ao sol são suficientes para melhorar o quadro clínico e promover o desaparecimento dos sintomas. Em casos mais graves, a opção pode ser por tratamento sistêmico ou por fototerapia.

É preciso procurar um especialista credenciado

Para realizar o diagnóstico e a escolha do tratamento adequado para cada caso é necessário procurar um médico dermatologista da SBD nas unidades de saúde do SUS ou no site da Sociedade Brasileira de Dermatologia (http://www.sbd.org.br/associados/).

“Ao agendar uma consulta pela primeira vez, pergunte se a clínica ou consultório tem médicos especialistas com foco em tratamentos de doenças crônicas, como a psoríase. A dermatologia é uma especialidade abrangente e o profissional pode se especializar ou se dedicar a diversas áreas da profissão”, pondera Caio Castro, Coordenador Nacional da Campanha de Psoríase da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Em geral, a psoríase causa lesões arredondadas, vermelhas e descamativas que muitas vezes geram preconceito e diminuem a qualidade de vida dos pacientes acometidos. No entanto, a SBD alerta que a psoríase tem controle e não deve ser motivo de preconceito e nem impedimento de praticar atividades. “O esclarecimento das dúvidas da população é uma forma de minimizar o preconceito e de valorizar a autoestima dos pacientes”, salienta Claudia Maia, médica dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Novos hábitos ajudam a evitar crises

De acordo com a dermatologista Gabriella Albuquerque, alguns hábitos ajudam a melhorar as crises. Por exemplo, hidratar o corpo várias vezes ao dia e tomar banho de sol conforme orientação médica. Por mais incrível que pareça, as idas a praia podem ser um bom tratamento. “O sol ajuda a reduzir os sintomas e a água do mar permite maior hidratação da pele, ajudando a minimizar seus efeitos. O mergulho no mar ajuda  pacientes com psoríase, os banhos de mar trazem ótimos resultados no tratamento.”

Ao contrário do que se imaginava, a água do mar não ajuda a queimar a pele e, sim, proporciona uma melhora expressiva na disposição e no psicológico. “Como ajuda na hidratação, ela acaba protegendo a pele”, afirma a dermatologista.

O ideal é que portador da doença leve uma vida saudável. Evitar problemas com álcool e tabagismo. Evitar problemas com obesidade, hipertensão e colesterol. Importante saber que infecções podem piorar a psoríase, assim como o uso de cortisona oral ou injetável. Vale lembrar que a psoríase é passível de ser desencadeada por situações de estresse também, afirma.

Novos medicamentos na rede SUS

O tratamento depende da extensão da doença de pele e do comprometimento articular. O recomendado é que se procure o quanto antes um dermatologista para tratar o caso. Vários serviços credenciados pela SBD têm ambulatório especializado em psoríase”, ressalta a Dra Gabriella.

Após cerca de dez anos de ações junto ao Ministério da Saúde pela melhoria no tratamento da psoríase, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) obteve importante vitória recentemente, dia 11 de outubro de 2018, com a recomendação de quatro medicamentos imunobiológicos para o tratamento da doença.

A Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) avaliou o resultado da Consulta Pública n. 26, realizada em junho, e recomendou inicialmente a incorporação ao SUS dos medicamentos adalimumabe, secuquinumabe, ustequinumabe e etanercepte para o tratamento da psoríase moderada a grave em pacientes que apresentam falha terapêutica ou contraindicação ao uso das terapias tradicionais.

“Isso significa uma grande vitória da SBD e do Ministério da Saúde para os pacientes acometidos pela psoríase”, afirma a Dra. Claudia Maia, médica dermatologista da SBD. Saiba mais informações sobre os imunobiológicos aprovados pelo SUS em: http://conitec.gov.br/images/Reuniao_Conitec/2018/Ata_70Reuniao.pdf.

Nova pomada reduz incômodos e feridas

As formas de tratamento da psoríase são variadas, mas todas têm objetivos em comum: reduzir a inflamação e diminuir a velocidade de reprodução das células da
pele e regularizar a aparência da pele. Para isso, existem três opções de tratamento mais comuns: tópico (cremes e pomadas), sistêmico e por fototerapia. A escolha de qual caminho seguir dependerá do tipo de psoríase desenvolvida e do histórico do paciente – o médico poderá precisar qual o melhor tratamento após a consulta.

A maioria dos cremes e pomadas de uso prolongado tem corticóides tópicos que pode causar afinamento e atrofia da pele, alterar a imunidade da mesma e ainda causar glaucoma quando o uso prolongado do mesmo ocorrer na face ao redor dos olhos. Além disso, pode desencadear várias outras complicações, como aumento da pressão arterial e a glicose no sangue, redução da massa muscular, alteração do colesterol, diminuição do crescimento em crianças, insônia, depressão, aumento de peso, enfraquecimento da imunidade, entre outros.

A Newderm chega ao mercado pelas mãos da Profitus, ela é indicada para os casos de psoríase. É livre de parabenos, corticóides e outros conservantes
artificiais. Reduz a vermelhidão, ardor, prurido e a descamação provenientes do ressecamento da pele, portanto configura-se como uma opção natural para o controle dos sintomas da psoríase.

O dermatologista me passou pomadas a base de cortisona, mas nada fazia efeito para mim. Eu conhecia uma colaboradora da Profitus e ela me desafiou a usar a Newderm por 10 dias, pelo menos. Em sete dias as feridas já estavam cicatrizadas. Foi uma maravilha”, conta Luciana.

O diferencial é que a pomada é feita com extratos naturais. Não são fármacos, mas sim fitocosméticos. Tecnicamente são chamados de cosmecêuticos e representam uma linha tênue entre fármacos e cosméticos. São produtos que não são somente estéticos já que possuem a capacidade de alterar as características da pele, não sendo, entretanto considerados medicamentos. Por serem produtos com princípios ativos de origem natural, não apresentam qualquer contraindicação no uso em lesões dermatológicas”, afirma o professor Paulo César Stringheta, uns dos criadores da pomada.

Mitos e verdades sobre a doença

  1. Paciente com psoríase deve se expor ao sol. VERDADE – A exposição solar moderada é um excelente tratamento para as lesões, mas em exagero pode levar a piora do quadro.
  2. O estresse é causa da doença. MITO – O estresse é um gatilho importante para início mas existem diversos fatores para seu surgimento como fatores genéticos, imunológicos e ambientais.
  3. Psoríase não é contagiosa. VERDADE – a psoríase não apresenta nenhum risco de contato.
  4. Psoríase tem tratamento. VERDADE – existem vários tratamentos porém não existe cura.
  5. Psoríase acomete apenas a pele. MITO – atualmente é considerada uma doença sistêmica, que acomete vários órgãos e sistemas

Da Redação, com Assessorias

1 Comment
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