Quando a hipertensão é um risco para mães e bebês

Pressão alta em gestantes é o principal fator de risco para uma doença que pode levar à mortalidade materno-infantil: a eclâmpsia

Redação
Kim Kardashian já sofreu com a pré-eclâmpsia (Foto: Reprodução de internet)

Lizandra Rebergue Bani, de 37 anos, descobriu a hipertensão arterial há 10 anos após fortes dores de cabeças. A comunicóloga conta que buscou ajuda médica para investigar os sintomas e acabou recebendo o diagnóstico da doença. “Minhas dores de cabeça eram persistentes e passei a monitorar minha pressão, foi então que notei que estava muito alta”.

É fundamental buscar auxílio médico logo nos primeiros sintomas para investigar as causas e buscar o tratamento mais adequado. Para quem recebe o diagnóstico da doença e deseja ser mãe é ainda mais importante um acompanhamento médico para ter uma gravidez mais saudável possível.

Lizandra seguiu as recomendações à risca e procurou o médico antes mesmo de engravidar para entender o que poderia ser feito, já que ela utilizava medicamentos para estabilizar a doença. “Assim que descobri ser hipertensa, iniciei o tratamento e quando decidi ser mãe já estava orientada sobre o que eu precisava fazer para seguir com a gravidez”.

Em alguns casos a hipertensão na gravidez pode progredir para a pré-eclâmpsia – aumento da pressão arterial que ocorre no 3º trimestre de gestação. A condição, que acometeu famosas como Beyoncé e Kim Kardashian, atinge também cerca de 5% das gestantes brasileiras, segundo o Ministério da Saúde.

Os últimos dados da pasta mostram que a mortalidade maternal caiu cerca de 56% entre 1990 e 2015, no entanto, os óbitos ainda são altos no país. A hipertensão é responsável por 13,8% das mortes maternas durante a gravidez no Brasil e acontece por diversos motivos, incluindo histórico familiar, sobrepeso, diabetes e mulheres acima dos 40 anos.

O médico Marcos Augusto Bastos Dias explica que, no Brasil, a taxa de prematuridade relacionada a pré-eclâmpsia é duas vezes maior do que nos países desenvolvidos.

A morbimortalidade materna e perinatal associada a pré-eclâmpsia ainda é muito alta no país e podemos melhorar muito a assistência no pré-natal e parto que oferecemos às gestantes afetadas por esta patologia. Poder utilizar testes que dão maior segurança aos profissionais de saúde para cuidar de gestantes com pré-eclâmpsia permitindo prolongar a gravidez e reduzir a prematuridade é, sem dúvida, um avanço no cuidado desta patologia”, afirma.

Hipertensão Gestacional pode evoluir e prejudicar a saúde de mãe e filho

A gestação envolve mudanças comuns no corpo da mulher como o aumento dos seios, ganho de peso e alterações no sono, até quadros mais sérios como elevação de pressão arterial que pode levar à hipertensão gestacional. Esta situação ocorre quando a pressão sanguínea nas artérias atinge valor igual ou maior que 140mmHg/90mmHg.

O problema pode acometer mulheres que já possuíam a doença antes de engravidar e também mulheres que possuíam pressão arterial normal até antes da gestação. A hipertensão gestacional é mais comum nos últimos três meses de gravidez, mas pode manifestar-se em qualquer período após a 20ª semana de gestação.

Não existem ainda evidências concretas sobre a causa da pré-eclâmpsia. Especialistas acreditam que a doença se inicia na placenta – órgão que nutre o feto durante a gravidez.

“Acredita-se que a pré-eclâmpsia ocorra como consequência das alterações endócrinos-metabólicas, vasculares e hemodinâmicas presentes na gestação”, explica o cardiologista, que atua nas áreas de ecocardiografia, cardio-oncologia, medicina preventiva e medicina do estilo de vida.

Outros fatores que podem levar à hipertensão gestacional são a presença de doenças cardiovasculares prévias e outras doenças sistêmicas.

Apesar de se apresentar de forma assintomática muitas vezes, existem alguns sintomas que podem ser relacionados com a condição como inchaço nos membros inferiores, dor de cabeça, dor no peito e visão comprometida. Nos casos mais graves pode ocorrer convulsão e a mulher entrar em coma”, afirma o cardiologista Diego Garcia.

Situação pode se agravar e levar à eclâmpsia

A eclâmpsia é considerada uma complicação gerada da pré-eclâmpsia e se caracteriza principalmente por alterações neurológicas graves como convulsões e coma. Estas podem ser fatais se não forem tratadas de forma imediata. Entre os principais sintomas estão a presença de proteínas na urina, dores de cabeça persistentes, aparecimento de edemas, vertigens, sonolência e até mesmo perda de consciência.

A doença é caracterizada pela elevação da pressão arterial e ou proteinúria (alto nível de proteína na urina) associada a lesões de órgãos maternos a partir da 20º semana de gestação. Ela também está entre as principais causas de morte materna e partos prematuros elegíveis no Brasil e no mundo. Além de trazer complicações sérias tanto para a mãe como para o bebê se não for diagnosticada precocemente e controlada, pode acarretar em convulsões, acidente vascular cerebral, hemorragia, dano renal, insuficiência hepática e até na morte.

“O tratamento e acompanhamento médico ainda é a principal maneira de controlar a doença e evitar uma das principais complicações como é o caso da síndrome HELLP, caracterizada por uma grave alteração que consiste na destruição dos glóbulos vermelhos, diminuição das plaquetas e até mesmo lesões no fígado, provocando aumento das enzimas hepáticas e bilirrubinas no exame de sangue”, explica Garcia.

“Manter um estilo de vida saudável e o bom controle de doenças crônicas são as principais medidas para quem quer prevenir a ocorrência da hipertensão arterial”, finaliza Garcia.

Encontro sobre pré-eclâmpsia

Nesta sexta-feira, dia 10 de maio, a cidade do Rio de Janeiro receberá o 2º Pré-eclâmpsia Summit, evento científico que chama a atenção para a necessidade de incorporar estratégias mais eficazes no manejo de gestantes com risco de desenvolver a pré-eclâmpsia. O evento, promovido pelo projeto Prepare (Redução da Prematuridade a Partir de Cuidados na Pré-eclâmpsia), reunirá no Rio Othon Palace, em Copacabana, cerca de 200 profissionais de saúde para discutir os avanços científicos nas últimas décadas e as novas possibilidades de melhorar sua predição a curto prazo.

Atualmente, o grande desafio é o diagnóstico precoce, mas o avanço dos estudos relacionados à doença mostrou que dois fatores presentes no sangue das gestantes são importantes na fisiopatologia da doença: o fator de crescimento placentário (PlGF) e a tirosina quinase-1 (sFlt-1). Hoje, com a ajuda de testes laboratoriais desses fatores em mulheres com risco de desenvolver ou com suspeita de pré-eclampsia é possível medir a relação entre eles, permitindo avaliar o risco de desenvolver ou não a doença. Este exame é realizado por análise sanguínea a partir da 20º semana de gestação e pode ajudar na tomada de decisão do médico de forma rápida, precisa e segura, evitando internações e procedimentos desnecessários e, consequentemente, partos prematuros.

O exame de biomarcadores para pré-eclâmpsia sFlt-1/PlGF é parte do protocolo utilizado durante o estudo de redução da prematuridade, realizado pelo Prepare, sob liderança do médico e professor Marcos Augusto Bastos Dias, que também organiza o evento. Doutor em ciências na área de concentração de Saúde da Mulher e da Criança, pelo Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz, o médico participa em pesquisas na área materno-infantil, atuando principalmente nos temas: humanização da assistência, cesariana e mortalidade materna.

Da Redação, com Assessorias

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.