Quando o coração desacelera: os riscos da insuficiência cardíaca

Rosayne Macedo
Doença é apontada como a principal causa de internações, reinternações hospitalares e óbito no país, segundo estudos
Doença é apontada como a principal causa de internações, reinternações hospitalares e óbito no país, segundo estudos

O coração passa a não bombear o sangue da forma correta para atender às necessidades do corpo. E surgem sintomas como cansaço, inchaço nas pernas e falta de ar. Popularmente conhecida como “coração crescido”, a insuficiência cardíaca pode ser tratada com medicações, cirurgia, marca-passo e até transplante.

A doença é uma das principais causas de  internações, reinternações hospitalares e óbito no Brasil, de acordo com  dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Das 1.137.572 internações por doenças do aparelho circulatório no país em 2012, cerca de 21% ocorreram por conta da IC, considerada um problema de saúde pública.

Aproximadamente de 2,6% da população (6,5 milhões de pessoas) vai desenvolver a IC. Em metade dos casos, ocorre a forma mais grave da doença, o que requer procedimentos terapêuticos mais complexos e invasivos, como o uso de dispositivos artificiais ou transplantes. Em média, de 20% a 25% dos pacientes com IC aguda precisa de um desses implantes e a chance de óbito pode chegar a 70% com o uso desses aparelhos.

No Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), a doença é a terceira que mais gera internação. O estudo aponta ainda que quase 50% de todos os pacientes internados com esse diagnóstico são readmitidos dentro de 90 dias após a alta hospitalar, um dos principais fatores de risco de morte por causa dessa síndrome.

De acordo com Valdênia Pereira de Souza, coordenadora do CHN Cardiovascular, essa doença crônica possui alto grau de mortalidade e morbidade. Quando não é diagnosticada precocemente, ainda no atendimento ambulatorial, as chances de complicações aumentam muito. “O paciente precisa ser avaliado minuciosamente no consultório para que possamos descobrir os primeiros sinais da doença a fim de evitar que ela descompense e o paciente seja hospitalizado”, reforça a cardiologista.

Encontro em Niterói debate IC

A Insuficiência Cardíaca Aguda é um dos temas do Encontro com Especialistas, que o CHN promove  neste sábado, dia 23 de julho, em Niterói. Profissionais da área de saúde e acadêmicos a partir do quinto ano vão discutir os  avanços e novos tratamentos para patologias cardíacas. O evento acontece das 8h30 às 13h, no H Niterói Hotel, no bairro do Ingá. As inscrições podem ser feitas no local do evento.

Durante o encontro, serão debatidas todas as abordagens do paciente, desde o atendimento no consultório até a internação na Terapia Intensiva Cardiológica e tratamentos de alta complexidade, como implante de coração artificial. Equipamentos usados nestes procedimentos também estarão expostos para que o público possa interagir com eles.

“Nós vamos falar desde a fase inicial da doença, em que o enfermo chega ao consultório com sintomas da patologia, até a importância da identificação precoce da IC, o acompanhamento do paciente para saber se houve piora e o que fazer para evitar hospitalização de urgência. Ainda assim, se o paciente necessitar de internação, seu tratamento, desde sua chegada à emergência, reconhecendo o estágio da doença, e como evitar o agravamento e a internação na UTI Cardiológica serão abordados”,  explica a cardiologista, que também é uma das integrantes da comissão científica do evento.

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