Relacionamento abusivo: quando homens e também mulheres passam dos limites

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O termo “relacionamento abusivo” já se incorporou ao vocabulário contemporâneo e engajado. A maioria das vítimas são mulheres que são desrespeitadas ou maltratadas por seus parceiros e acabam se conformando e aceitando esta situação. Mas o relacionamento abusivo tem muitas faces. “Pode haver intimidação, violência física ou verbal, desqualificação do outro, culpa, medo, ameaças e punição. Seja qual for, a tentativa de controle está sempre presente. O fato é que pouco a pouco, a autoconfiança e a autoestima da vítima do abuso vão sendo minadas”, afirma a psicanalista e hipnoterapeuta reikiana Rita Martins.

Mestre em Psicologia e pós-graduada em Pesquisa de Opinião Pública (Uerj), ela explica que o tipo de relacionamento abusivo que envolve exclusivamente a violência verbal tende a ser negligenciado, mas desenvolve no outro um comportamento de sujeição, em que a pessoa começa a achar que os agravos sofridos são, no fundo, demonstrações de cuidado, de afeto e, assim, evita se manifestar em desacordo com a opinião do abusador. E para quem pensa que o agressor é somente o homem está enganado: muitas das vezes, a mulher também é agressora, especialmente em relacionamentos homoafetivos, e tal qual o homem abusador, precisa e deve ser punida.

Como identificar e como evitar

Segundo ela, um relacionamento abusivo sempre se caracteriza por uma relação entre dominante e dominado, com doses frequentes de humilhação, ciúme, posse, controle do outro, isolamento. “Seja qual for o tipo de abuso,  a tentativa de controle está sempre presente. A vítima passa a viver em função do outro, perde sua identidade.Tudo o que ela fala e faz é direcionado ao outro: o que compra, o que cozinha, os filmes que assiste. O outro é seu único assunto”, explica a especialista.

A melhor forma de se prevenir de um relacionamento abusivo é ficar atento aos sinais que já aparecem no início do namoro. “Dificilmente alguém começa levantando a mão. Primeiro levanta-se a voz. O importante é, se você conhece alguém que é vítima de abuso, não a critique. Ela precisa de ajuda, de acolhimento. A terapia também é um ótimo recurso”, destaca Rita.

Lei Maria da Penha

Mesmo após 12 anos da Lei Maria da Penha, sancionada no dia 7 de agosto de 2006, que prevê punição mais severa aos abusadores e a proteção das vítimas, o número de casos de agressão a mulheres é alarmante. Dados da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) mostram que somente no primeiro semestre de 2017 foram atendidas mais de 5 mil mulheres, além de terem sido solicitadas 3.841 medidas protetivas e mais de 4 mil inquéritos.

De acordo com Rita,  a lei foi criada para proteger exclusivamente a mulher, não importando se o agressor é o marido, o companheiro, outro aparentado ou mesmo pessoas com as quais tem convívio social. “Eu conheci uma moça que era espancada pelo marido, mas nunca o denunciou. Com o passar do tempo, seu filho mais velho passou a agredi-la e também agredir a namorada dele e a cunhada”, lembra. Segundo ela, quando o agressor é outra mulher, no caso dos relacionamentos homossexuais, a lei se aplica da mesma forma. “A agressão oriunda de uma relação pessoal é passível de punição independentemente da orientação sexual”, ressalta.

10 frases comuns neste tipo de relacionamento:

1 – Eu falo essas coisas porque você me tira do sério. Eu não queria ter lhe xingado, nem gritado, mas você provocou.
2 – Você acha que tem corpo para usar esse tipo de roupa?
3 – Você acha que alguém mais vai dar valor para alguém como você? Só eu mesmo!
4 – Você deveria levantar as mãos para o céu de ter ao seu lado alguém como eu. O que tem de gente dando em cima de mim, você não
tem ideia.
5 – Você tem que fazer o que eu mando. Eu sei o que é melhor para você.
6 – Quando eu disser para fazer algo, não faça perguntas, simplesmente faça. Quem cuida de você sou eu.
7 – Meus amigos estarão todos na festa. Vê se não abrir a boca e falar besteira. É melhor ficar só quieta e sorrir, porque bonita
você é, mas não nasceu para pensar.
8 – Apesar de termos a mesma idade, você parece muito mais velha. Está a cada dia mais feia, acabada.
9 – Esse dinheirinho que você ganha com seu trabalho, não é nada. Nunca irá conseguir uma promoção. Sempre empreguinhos medianos.
10 – Nem tenta que não vai conseguir. Isso é coisa para gente determinada.

Leia também:

10 dicas para superar relacionamentos abusivos

https://vidaeacao.com.br/10-dicas-para-ser-uma-mulher-bem-resolvida/

3 Comments
  1. Esdras da Silva 3 anos ago
    Reply

    Olá senhora Rosayne, boa noite?
    Li algumas de suas publicações e quero muito me orientar a respeito de relacionamentos abusivos.
    Sai de um relacionamento a 1ano, este terminou com a acusação de eu ter sido o abusador, o que me deixou realmente abalado, ao longo desse período busquei respostas em mim, o que faço até hoje, em artigos científicos, em vídeos de youtubers que falam a respeito, psicólogos, terapeutas, sobre como ou se realmente fui um abusador, faço terapia desde o término, sempre relatando os acontecimentos dentro do relacionamento, infelizmente ainda não encontrei respostas que me mostrassem que fui esse tipo de pessoa.
    O que gostaria de saber da senhora, é até onde homens são afetados por estes relatos sobre serem abusivos? Sei que mulheres sofrem constantemente agressões de todas as maneiras, físicas, psicológicas, emocionais. Busco esta resposta sobre o assunto, pois é algo que não me sai do pensamento, desenvolvi sentimentos de culpa, falta de autoestima, amor próprio, pois acho que de alguma maneira posso ter sido este abusador, porém não consigo enxergar situações em meu antigo relacionamento que demonstrem que o fiz. Continuo fazendo terapia, continuo buscando e analisando situações para saber se não desenvolvi este sentimento de culpa e frustração pelo término a partir dos comentários sobre ser abusivo que minha ex namorada fez para mim. Desde já agradeço e parabenizo pelo ótimo trabalho. Espero que a Senhora me traga uma luz a cerca das possíveis reflexões sobre este importante assunto. Muito obrigado.

  2. […] atrás falamos aqui sobre relacionamentos abusivos, mencionando casos em que a violência contra a mulher chega às relações homoafetivas,  . A respeito do tema, recebemos em nossa redação o excelente […]

  3. Amanda 2 anos ago
    Reply

    Lamentável como as pessoas podem transformar o que seria algo tão belo e puro, em uma monstruosidade sem tamanho. Que um dia isso possa ser, definitivamente, combatido.
    Artigo muito esclarecedor.

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