Rio de Janeiro volta a ter transplantes de pulmão pelo SUS

Após retorno dos transplantes de pulmão na rede pública da cidade, Ministério da Saúde autoriza Hospital Pró-Cardíaco a realizar procedimento

Programa de transplantes no Estado do Rio registra recordes (Foto: Divulgação SES / Mauricio Bazilio)

O Rio de Janeiro voltou a ter transplantes de pulmão pela rede pública de saúde, após 15 anos sem o procedimento. O primeiro procedimento após essa longa pausa aconteceu no dia 3 de agosto no Instituto Nacional de Cardiologia (INC), em Laranjeiras, na Zona Sul da cidade. Agora, o Hospital Pró-Cardíaco, da rede Americas na Barra da Tijuca, pertencente ao UnitedHealth Group Brasil, acaba de ser autorizado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), do Ministério da Saúde, para realizar transplantes de pulmão.

A receptora do pulmão no INC é uma mulher de 35 anos, que sofria de uma doença rara, a linfangioleiomiomatose, conhecida como LAM, que dificultava a respiração da paciente. A cirurgia durou cerca de dez horas – além do tempo que a equipe levou para captar o órgão sucesso. Para o diretor-geral do INC, João Pedroso, a cirurgia, representa uma conquista muito importante para o Brasil e para o Rio de Janeiro. Atualmente, só existiam dois centros que faziam transplante de pulmão: o Incor e o HC em Porto Alegre.

Em 2017, colocamos como meta dobrar o número de transplantes de coração, que foi dobrado no no período 2018/2019. E aí fizemos projeto e treinamento de mais de 30 pessoas para sermos o primeiro hospital público certificado em assistência circulatória, Ecmo, e depois todo o treinamento no Hospital Einstein para toda a equipe estar capacitada para fazer esse primeiro transplante de pulmão”, disse Pedroso ao G1.

Com o credenciamento do Hospital Pró-Cardíaco do Rio, mais uma instituição de peso, porém no cenário privado, poderá fazer a captação na região. A unidade já realiza o procedimento para coração e rins – todos da alta complexidade — desde 20212. No caso do pulmão, especificamente, um time técnico formado por pneumologistas, cardiologistas, infectologistas, anestesistas, intensivistas, imunologistas, além de cirurgiões torácicos e cardiovasculares estarão à frente desses procedimentos a partir de agora.

Quando realizar um transplante de pulmão

O procedimento é indicado para casos graves de problemas no pulmão, quando são esgotadas outras possibilidades de tratamento e exige expertise técnica em todas as etapas do processo. Alexandre Siciliano, cirurgião e diretor médico do Hospital Pró-Cardíaco, explica que quando é necessário se submeter a um transplante.

“Quando se chega a um momento em que todas as possibilidades terapêuticas foram esgotadas, o transplante de pulmão pode ser a última oportunidade para melhorar a qualidade de vida e a perspectiva de vida de alguns desses pacientes”, explica.

Ainda segundo o médico, a sobrevivência ao longo do tempo desses pacientes tem sido superior à média nacional e reportada pelo registro voluntário da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). “Muitos pacientes necessitam de suporte circulatório mecânico como ponte para transplante devido à gravidade da situação clínica em que, inicialmente, se apresentam para as equipes”, informa o especialista.

Situações em que o transplante de pulmão é recomendado

As doenças mais comuns que são indicadas, em geral, pertencem a algumas dessas categorias listadas a seguir:

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), a exemplo do enfisema pulmonar e a bronquiolite constrictiva; 

Problemas restritivos pulmonares como a fibrose pulmonar idiopática (FPI), como principal representante desta categoria, mas que inclui diversas outras apresentações como as fibroses pulmonares decorrentes de outras causas; 
 

Doenças intersticiais relacionadas à colagenoses, a sarcoidose, a histiocitose X, a linfangioleiomiomatose LAM), entre outras; 
 

Questões supurativas pulmonares: em que se encontram os pacientes com fibrose cística e/ou bronquiectasias não associadas à fibrose  cística; 
 

As doenças que comprometem a vascular pulmonar. A Hipertensão arterial pulmonar idiopática é a principal doença desta categoria, que inclui também a síndrome de Eisenmenger, a hipertensão pulmonar tromboembólica (quando não passível de cirurgia para tromboendarterectomia pulmonar e a doença veno-oclusiva. 

Experiência com transplante de coração e rins

Ainda de acordo com Siciliano, o Pró-Cardíaco do Rio é capacitado para atuar com esse tipo de transplante, uma vez que conta com equipe técnica experiente, além de tecnologia de ponta para qualquer procedimento da alta complexidade.

“Além da equipe médica, um time transdisciplinar de profissionais da psicologia, fisioterapia, nutrição, fonoaudiologia e de enfermagem vem se reunindo ao longo dos últimos dois anos para construir processos de cuidados específicos e treinamentos dos profissionais esses pacientes. A assistência segura, integral e focada na demanda norteia os times para que um cuidado de alta qualidade e elevada experiência seja o foco dessa construção”, diz Siciliano.

O diretor informa ainda que a expertise do Pró-Cardíaco nessa área já acumula 18 procedimentos de transplantes cardíacos realizados, incluindo três pacientes submetidos ao de coração e rim combinados (duplo), desde que foi credenciado para atuar com essa área médica.

 

 

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