Rio vai contratar 1.000 leitos privados de UTI

Edital também abre 3.922 vagas para profissionais para hospital de campanha no Riocentro e para os hospitais federais de Bonsucesso e do Fundão

Redação
A situação da saúde pública no Rio de Janeiro diante da aceleração da pandemia do novo coronavírus é dramática. O município já está com 90% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) esgotados, enquanto aguarda a chegada de equipamentos da China para dar início à operação do seu primeiro hospital de campanha, no Riocentro. Com isso, o prefeito Marcelo Crivella decidiu contratar mil leitos de UTI na rede particular para pacientes com Covid-19.
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio publicou na quinta-feira (23/04), em edição extraordinária do Diário Oficial, o edital  de licitação para contratação emergencial dos leitos privados. A medida ajudará no aumento de vagas até a abertura de todos os cerca de mil leitos programados na rede municipal de saúde. Os interessados em participar do chamamento público, integrantes ou não da rede de serviços complementares do Sistema Único de Saúde, devem ofertar, no mínimo, 5 leitos de UTI adulto.
Os serviços serão remunerados pela tabela de procedimentos  do SUS em vigor na data de realização do contrato. Pelo aluguel dos leitos, a prefeitura pagará diária de R$ 1,6 mil e mais R$ 1,5 mil para tratamento da infecção pela Covid-19. Todos os prestadores habilitados serão convocados para integrar temporariamente a rede de serviços de saúde da SMS pelo prazo que perdurar a necessidade de tratamento de pacientes com Síndrome Aguda Grave – SRAG/COVID-19.
Para o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, que desde o dia 23 de março está dedicado exclusivamente ao tratamento de casos graves de Covid-19, já foram efetivadas 938 contratações, de um total de 1.153 vagas. A unidade tem atualmente 206 leitos abertos (131 de enfermaria e 75 de UTI) e o total de leitos programados é 381, que estão sendo abertos progressivamente, conforme cronograma. O hospital de Acari é também o principal centro de capacitação de profissionais para os cuidados da doença.
A Prefeitura do Rio já abriu, até agora, 346 leitos para o tratamento da Covid-19, sendo 129 de UTI. Nesta segunda-feira, foram mais 16. No Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, referência na rede para pacientes com a doença, há 206 leitos abertos (131 de enfermaria e 75 de UTI). O total de leitos programados para a unidade é 381. Juntos, o Gazolla e o hospital de campanha do Riocentro terão 881 leitos, sendo 301 de UTI para o novo coronavírus.

Mais 3.922 vagas para profissionais de saúde

No Diário Oficial extraordinário desta quarta-feira (22), a prefeitura também publicou edital para a contratação temporária de profissionais para os hospitais de campanha da Prefeitura, no Riocentro, Federal de Bonsucesso e Universitário Clementino Fraga Filho (Fundão/UFRJ). São 3.922 vagas específicas para essas três unidades, para diferentes categorias.

Ao todo, a Prefeitura está contratando, por meio da RioSaúde, 5.075 profissionais para a linha de frente do combate à pandemia de covid-19, o que inclui, além dessas três unidades, o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, primeira unidade de referência da rede municipal para o tratamento dos casos graves da doença. As inscrições específicas para este edital (nº 074) estarão abertas ainda esta noite, a partir do link http://prefeitura.rio/rio-saude/processo-seletivo/

As vagas deste edital são para médicos intensivistas, infectologistas e clínicos geraís (total de 677), enfermeiros (555), enfermeiros especialistas em UTI (208), fisioterapeutas (192), fisioterapeutas especialistas em UTI (230), farmacêuticos (20), nutricionistas (18), assistentes sociais (14), psicólogos (6), técnicos de enfermagem (1.806), técnicos de farmácia (20), assistentes administrativos (140) e auxiliares de suprimentos (36). Os médicos que já haviam feito inscrição no processo seletivo Emergencial – Coronavírus, no site da RioSaúde, não precisam se inscrever novamente. Para esta categoria, os vencimentos podem chegar a R$ 15.693,95 (conforme carga horária), mais benefícios.
O prefeito também declarou que está em conversas com prefeitos de outras cidades e até governadores de estados menos impactados pela doença para trazer ao Rio de Janeiro os médicos necessários ao cuidado dos pacientes. A prefeitura oferecerá a esses profissionais a estadia em hotéis e o pagamento necessário aos seus serviços enquanto estiverem trabalhando no hospital de campanha. A RioSaúde, empresa municipal de saúde responsável pela gestão do hospital de campanha, está oferecendo duas mil vagas na unidade, sendo 463 para médicos.
A RioSaúde também está contratando cerca de 300 profissionais para outras unidades da rede, para reforçar e repor as equipes durante a epidemia do coronavírus. São vagas, por exemplo, para os hospitais maternidade Carmela Dutra, Leila Diniz, Fernando Magalhães e Herculano Pinheiro e para o Hospital Municipal Jesus, entre outros, que não são referência para covid-19. Devido ao afastamento de alguns profissionais por licença médica (por infecção pelo coronavírus ou outros motivos) ou por fazerem parte dos grupos de risco (maiores de 60, portadores de doenças crônicas e gestantes), as equipes estão desfalcadas e precisam de reforço.
Com Prefeitura do Rio