Rio vai expandir pesquisas sobre uso de maconha para fins medicinais

Uso do canabidiol (substância encontrada na planta Cannabis) para o tratamento de diversas questões como o autismo e a epilepsia é defendido por Frente Parlamentar em Defesa da Reforma Psiquiátrica

Redação

Há três anos, Mateus Moraes, 8 anos, foi diagnosticado com autismo de alto nível, que o impedia de falar, comer sozinho e estudar. Mas desde que iniciou o tratamento com o canabidiol (substância encontrada na planta Cannabis sativa), sua qualidade de vida melhorou. Hoje, ele lê, come sozinho e brinca com os colegas. Na escola, suas notas melhoraram significativamente.

Sua irmã Rebeca, 3 anos, também é autista e desde pequena recebe os benefícios do medicamento. Quando a menina foi diagnosticada, sua mãe, Bruna Fernanda, já possuía um habeas corpus que permitia o cultivo, o que facilitou o tratamento da criança. Para Bruna Fernanda, presidente da Associação Humanitária Canáleica (AHC), legalizar a cannabis representa o fim da exclusão.

Meus filhos passaram a ter uma vida melhor depois do uso do medicamento. Não precisaram de tarja preta, que é um tipo de medicação extremamente nociva ao organismo. Eu nunca aceitei que eles tomassem isso: quero um medicamento que seja de excelência”, afirma.

Para atender demandas como a da família de Bruna Fernanda,  o Instituto Vital Brazil (IVB) e a Frente Parlamentar em Defesa da Reforma Psiquiátrica da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) vão expandir as pesquisas e a produção da maconha medicinal para cumprir a demanda de pacientes que necessitam de seu uso no tratamento de saúde. A decisão foi anunciada em audiência pública realizada nesta sexta-feira (8) para debater a importância do canabidiol (substância encontrada na planta Cannabis) para o tratamento de diversas questões como o autismo e a epilepsia.

Nós já sabemos de uma série de casos que tiveram efeitos muito positivos com o uso desta substância. Não faz sentido, por puro preconceito, continuar restringindo o seu uso”, ressaltou o deputado Flávio Serafini (PSol), presidente da Frente.

Atualmente, as decisões judiciais permitem, além do cultivo, a compra do produto para essas pessoas. No entanto, o tratamento não é acessível a todos. O medicamento que dura seis meses custa cerca de 170 dólares. E ainda assim, apenas 4.617 pessoas têm autorização legal da Anvisa para importá-lo.

De acordo com o chefe de pesquisa do IVB, Dennys Zsolt, a parceria entre a instituição e o Parlamento poderia delimitar protocolos de segurança para o cultivo pelo instituto destas plantas que são usadas com fins medicinais. “Como o Vital Brazil é do Governo do Rio, é mais viável fazer a regulamentação pela agência sanitária estadual do que pela federal. Assim, com esse caminho mais curto, mais pacientes seriam beneficiados”, afirma.

O deputado Carlos Minc (PSB) também defendeu o uso terapêutico da cannabis. “O cultivo desta planta no Brasil está avançando muito lentamente, mas os ganhos para a qualidade de vida dos pacientes são significativos”, declarou.

Fonte: Alerj, com Redação

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