Risco de depressão é 77% maior entre pacientes de câncer de próstata

Redação

O diagnóstico do câncer de próstata pode provocar um sofrimento psíquico significativo nos homens. Durante o primeiro ano de diagnóstico, os pacientes apresentam taxa de incidência 77% maior de transtornos de humor quando comparada à população saudável. Esse risco persiste em até 47% dos enfermos mesmo após um ano de acompanhamento da doença.

O medo da morte e da dor, assim como a preocupação com a sexualidade e com possíveis alterações no funcionamento familiar, interferem sensivelmente no modo de pensar do paciente e alteram sua maneira de enxergar a vida. Estes sentimentos podem ser gatilhos para a aparição de episódios de transtornos de humor ou, até mesmo, para o desenvolvimento da ideação suicida”, avalia Sivan Mauer, médico psiquiatra especialista em transtornos do humor.

Segundo ele, saber lidar e tratar corretamente os quadros de transtorno de humor pode melhorar significativamente o desfecho dos pacientes, resultando em mais qualidade de vida e maior adesão ao tratamento. “Contudo, é necessário entender a variação do risco de suicídio por sexo, idade e tipo de tumor. No caso do câncer de próstata, é necessária uma avaliação do ponto de vista psiquiátrico principalmente em relação à depressão e ansiedade, provenientes da preocupação com a sexualidade, que podem envolver não apenas a disfunção erétil, mas também a incapacidade de sentir prazer ou de se satisfazer sexualmente o parceiro ou parceira”, esclarece.

A opção terapêutica vai depender da gravidade do quadro. O melhor a se fazer é direcionar o paciente para uma avaliação com um médico psiquiatria a fim de entender a melhor alternativa terapêutica. Caso outros membros da família já sofram com transtornos de humor, existe uma maior probabilidade de que ele desenvolva quadros semelhantes.

A conscientização e as campanhas relacionadas ao Novembro Azul são de extrema importância para rastrear o risco de desenvolvimento dessas doenças secundárias em pacientes oncológicos. Dessa forma, conseguimos tempo hábil para encaminhar esses homens aos serviços de saúde mental e, consequentemente, aumentar as chances de sucesso no tratamento”, afirma o profissional, que é mestre em pesquisa clínica pela Boston University School of Medicine, dos Estados Unidos, e doutor em Psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

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