Sarampo no Rio: alerta para volta de doenças já erradicadas

Com 17 casos suspeitos, estado acende sinal vermelho para disseminação de doença que não era registrada desde 2014. Fake news e movimento antivacina podem ser responsáveis

Redação
Vacina Tríplice - Foto João Barreto

Vacina Tríplice - Foto João Barreto

Depois de receber o certificado de eliminação do sarampo da Organização Panamericana de Saúde (OPAS), em 2016, o país volta a ter registros da doença. O Ministério da Saúde emitiu um alerta para evitar o retorno de doenças como a poliomielite e outras que já tinham sido erradicadas ou controladas no passado e que, diante do atual cenário de baixa vacinação, podem voltar a ser confirmadas no País, como é o caso do sarampo. Os wstados do Amazonas e Roraima já têm 463 casos confirmados.

O dado é preocupante e acompanha a queda no índice de vacinas em crianças e em bebês, que vem diminuindo e já é o menor desde 2002, segundo o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde. O programa demonstra, ainda, que a proteção contra a poliomielite, doença que causa paralisia, caiu de 98% em 2015 para 77% no ano passado em todo o País.

No Rio de Janeiro, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) está investigando casos de sarampo diagnosticados em 17 pessoas. Desde 2014 a região não tinha registros da doença e desde 2000 não há relato de transmissão do sarampo no estado.  A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informa que, além de um caso com resultado preliminar positivo para sarampo – mas que ainda aguarda confirmação do diagnóstico pelo laboratório de referência nacional da Fiocruz – acompanha outros 16 casos suspeitos da doença no município.  Todos os protocolos epidemiológicos referentes a acompanhamento e testagem dos pacientes, além de investigação do provável local de infecção e bloqueio vacinal estão sendo realizados em conjunto com a SES.

Nesta terça-feira, 3 de julho, foi realizada uma ação de vacinação de bloqueio no campus da Faculdade de Direito da UFRJ, onde estuda a primeira paciente a apresentar suspeita de sarampo e que está com resultado preliminar. Ao todo foram aplicadas 573 doses da vacina em membros da comunidade acadêmica e funcionários da instituição. A paciente retornou ao estado de origem de sua família, onde segue em tratamento.

Vacina Tríplice - Foto João Barreto
Mãe de Samuel, Laura Macedo levou o filho para tomar as vacinas indicadas para 12 meses

No município do Rio, os últimos casos confirmados de sarampo ocorreram em 2014 e foram considerados importados, ou seja, os pacientes foram infectados em viagens a outras regiões do país ou internacionais. No Brasil, a proteção contra o sarampo faz parte das vacinas Tríplice Viral e Tetra Viral, disponíveis conforme calendário de vacinação do Ministério da Saúde para crianças aos 12 e aos 15 meses. A cobertura vacinal contra a doença para crianças de 1 ano na cidade é de 107%.

A segunda dose da Tríplice Viral (SCR), para adolescentes e adultos que não tenham sido vacinados adequadamente na infância, também está disponível nas unidades municipais de Atenção Primária (Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde).

Vacina é medida preventiva mais segura

Macaé tem 100% de cobertura da vacina tríplice viral (caxumba, sarampo e rubéola) em crianças de um ano de idade. Ainda assim, a Secretaria de Saúde alerta para a importância dos pais manterem a caderneta de vacinação em dia, sendo a vacina a única prevenção. No município que é governado por um médico – o Dr Aluízio -, a tríplice viral está disponível em todas as unidades de saúde. O atendimento na Casa da Vacina e nos postos do Parque Aeroporto e da Imbetiba é de segunda a sexta-feira, de 8 às 17 horas. Nas demais unidades, a vacinação é oferecida em dias e horários específicos, mediante agendamento, para otimização dos frascos com as doses.

A gerente do programa, Luciana Santos, lembra que o esquema da vacina triviral é feita em duas doses. A primeira, aos 12 meses, e a segunda, aos 15 meses de idade. Em adultos até 29 anos, o Ministério da Saúde preconiza duas doses e até 49 anos, dose única. “A vacina contra essas doenças é a única medida preventiva e a mais segura. É importante apresentar a caderneta de vacinação para que o profissional faça a avaliação”, frisou.

Mãe do pequeno Samuel, 1 ano, Laura Macedo, levou o filho para tomar as vacinas indicadas para 12 meses. “Foram várias vacinas e como mãe fico com dó de ver ele levar tantas picadas, mas é importante para sua saúde. Mantenho o cartão de vacina em dia para evitar que pegue alguma doença”, disse. Além da triviral, Samuel recebeu a antimeningocócica e a segunda dose da gripe.

Fake news colaboram para doenças

De acordo com o médico infectologista do Lâmina Medicina Diagnóstica, Alberto Chebabo, a imunização é a maneira mais eficiente para evitar surtos epidêmicos. “A vacina é extremamente importante para combater essas doenças, visto que essas doenças podem ser transmitidas com muita facilidade”, afirma Chebabo. Segundo Chebabo, esta queda de imunização pode estar relacionada ao desaparecimento ou baixa incidência de algumas doenças que já foram muito comuns no País e, também, pela divulgação das fake news que assustam as mães na hora de vacinar os filhos.

“Os boatos têm esse poder de assustar e acabam se tornando virais, já que muitas pessoas compartilham acreditando na veracidade da informação. Inúmeras fake news sobre a vacinação infantil foram espalhadas, mas vale ressaltar que a proteção nos recém-nascidos é indispensável, pois estimula o corpo do bebê a produzir respostas imunológicas protegendo-os de determinadas doenças”, explica o médico.

sarampo, assim como a rubéola e a caxumba, pode ser prevenido com a Vacina Tríplice Viral. De acordo com a recomendação do Ministério da Saúde, bebês, adolescentes e adultos de até 50 anos devem ter as duas doses da vacina em dia. Já os adultos com mais de 50 anos que viveram na época em que o sarampo era uma doença frequente e que provavelmente já tiveram o vírus, já têm proteção natural contra a doença. O sarampoé adquirido pelo ar, por meio de uma simples tosse ou espirro. Os sintomas são coriza, tosse, dor de garganta, febre alta, manchas vermelhas e irritação na pele e podem aparecer de 10 a 14 dias após o contato com o vírus. O diagnóstico é realizado por meio de exame de sorologia parasarampo ou pela identificação do material genético do vírus no sangue, por meio do exame de PCR para sarampo, na dependência do tempo de evolução da doença. O tratamento deve ser descrito por um especialista.

Para a prevenção da poliomielite, os pais devem vacinar os bebês com a Vacina Inativada Poliomielite (VIP). A doença pode ser transmitida pela água, por alimentos contaminados e pelo contato com uma pessoa infectada. O diagnóstico é feito por exames de fezes para pesquisa de vírus. A poliomielite pode ocasionar paralisia e podendo também ser fatal. “As crianças são o grupo mais propenso para contrair poliomielite, sendo que o risco maior é a paralisia flácida, que está atrelada a sequelas motoras, sem movimentação dos membros inferiores. A paralisia flácida é a sequela mais comum causada pela poliomielite, sendo que qualquer pessoa pode ser acometida”, disse Chebabo.

Medo de autismo assustou

Um conhecido exemplo de fake news está relacionado a um estudo do médico britânico, Andrew Wakefield, em 2010, que rendeu uma crise na saúde pública de países como Reino Unido, Estados Unidos e até no Brasil. A pesquisa, que posteriormente foi desacreditada, alegava que a vacina Tríplice Viral, que protege contra caxumba, sarampo e rubéola, estava relacionada com o desenvolvimento de uma síndrome intestinal e sintomas de autismo em crianças.

Até os dias de hoje, o conteúdo desse estudo circula na internet, sendo que o Conselho Geral de Medicina do Reino Unido aferiu que as afirmações do estudo eram absolutamente falsas. Outros boatos que circulam na internet apontam que as vacinas possuem mercúrio – informação também equivocada.

O recomendado é que os pais sempre tirem as dúvidas com o pediatra, dessa forma, o especialista desmistificará todas as fake news sobre a vacina, além de ressaltar a importância da vacinação para a saúde dos bebês.

Da Redação, com Assessorias

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