Teste de HIV vendido em farmácia funciona mesmo?

Na Semana Mundial da Saúde do Homem, especialista chama atenção para elevado número de infecção pelo vírus da Aids: 22 homens a cada 10 mulheres infectadas

Termina neste domingo (17), a Semana Mundial da Saúde do Homem, realizada pelo Fórum Mundial de Saúde Masculina para conscientizar e estimular medidas preventivas às mortes prematuras que ocorrem com eles. Entre as doenças que mais matam os homens está a Aids. De acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, entre 1980 e junho de 2017, foram registrados 576.245 casos em homens (65,3%) e 306.444 (34,7%) em mulheres. Desde 2009, a diferença de casos detectados entre público masculino e feminino vem crescendo, chegando a ser de 22 casos de Aids em homens para cada 10 em mulheres em 2016.

O dado mais alarmante é que 112 mil pessoas ainda desconhecem ter o vírus, dentre os mais de 800 mil pessoas vivam com HIV/Aids no Brasil. Com a proposta de reduzir estes números, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) registrou, em maio do ano passado, o primeiro auto teste para triagem do HIV, que pode ser comprado por qualquer pessoa em farmácias e drogarias do país. Em dezembro, também foram aprovados os dois primeiros testes de HIV/AIDS por fluido oral – o HIV Detect Oral e o Saliteste, produzidos por empresas brasileiras. O teste, garantem os fabricantes, é seguro, rápido e sigiloso. Mas será que este tipo de teste funciona mesmo? Como proceder?

Para a psicóloga Juny Kraiczyk, mestre e especialista em Bioética pela UNB, os testes vendidos em farmácia abrem um leque de apoio para as testagens e exames realizados em laboratórios. “Importante salientar que para a realização do exame comprado em farmácia, todos os cuidados exigidos pelo fabricante devem ser levados em consideração, para que não haja nenhuma interferência externa. O autoexame vem ajudando a identificar um grande número de infectados que até então, não sabiam que estavam”, explica.

Resultado somente após 30 dias contato com o vírus

Juny diz que os testes são confiáveis e geralmente demonstram sensibilidade e efetividade de 99,9%. No entanto, só podem indicar a presença do HIV após 30 dias do contato com o vírus por meio de uma relação sexual ou compartilhamento de agulha, por exemplo.  Se o resultado der positivo, recomenda-se confirmá-lo com um teste de laboratório. Em caso de resultado negativo, o teste deve ser repetido após 30 dias e outra vez depois de mais 30 dias até completar 120 dias após a primeira exposição.

Até o momento, testes de HIV eram feitos somente com intermédio de profissionais de saúde em laboratórios, centros de referência e unidades de testagem móvel. O kit vendido em farmácia, aprovado pela Anvisa em maio de 2017, detecta a presença dos anticorpos contra o vírus HIV a partir da coleta de gotas de sangue. O kit traz o dispositivo de teste, um líquido reagente, uma lanceta para furar o dedo, um sachê de álcool e um capilar (tubinho para coletar o sangue) e o resultado demora de 15 a 20 minutos para sair.

Fator emocional é muito importante

Durante recente debate sobre “Soropositividade”, promovido pela Impulse SP, os participantes mostraram que o fator emocional é uma grande preocupação e que pede atenção por parte de todos, sociedade, agentes de sáude, profissionais da psicologia, familiares, para que todos as fases do processo, sejam realizadas com sucesso. O debate esclareceu diversas dúvidas e ainda frisou a importância da prevenção e da utilização de preservativos, principalmente entre os jovens LGBTI´s que compõem uma grande fatia de infectados pelo vírus.

(Descobrir que tem o vírus HIV) é um buraco que se abre quando se descobre, mas depois, com todo o acompanhamento familiar, médico e quando entendemos corretamente o que é o HIV/AIDS todos os cuidados são levados à risca, mas a vida é normal. Tenho minha rotina, minhas atividades e hoje lido com sabedoria para ajudar mais e mais pessoas infectadas” (Welton Gabriel, soropositivo há 10 anos)

Fonte: GSK/ViiV Healthcare e ImpulseSP, com Redação

 

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