Teste do Pezinho detecta bebês com anticorpos para o novo coronavírus

Pesquisa da UFMG revela que 71 bebês, dentre 516, já nasceram com anticorpos para a Covid-19 após as mães terem sido infectadas na gestação

Teste do Pezinho realizado em bebês de Minas Gerais revelou que alguns já nascem com anticoporos para o Sars-Cov2 (Foto: Divulgação)

Pesquisa que está sendo realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) reforça a importância do Teste do Pezinho ampliado na rede pública de saúde. Os resultados preliminares dos estudos em andamento revelam que bebês já nasceram com anticorpos para a Covid-19 após as mães terem sido infectadas pelo coronavírus durante a gestação.

Até o momento foram testadas 506 mães e em 71 casos os anticorpos foram detectados. A meta é testar 4 mil mães. O estudo também quer descobrir quanto tempo dura essa imunidade. Os bebês que apresentarem anticorpos serão monitorados por dois anos para verificar se eles terão algum comprometimento no desenvolvimento.

Resultados preliminares mostram que a maioria passou os anticorpos para os bebês por meio da transferência placentária. A análise é feita através da mesma gota de sangue no papel filtro coletada para o teste do pezinho. Dessa forma, os bebês não passam por nenhum procedimento diferente do habitual”, afirma a pediatra Evelyn da Cunha Rabelo, que atende na Clínica Bela Infância, localizada no Órion Complex, em Goiânia.

Pediatra Evelyn Rabelo ressalta a importância do Teste do Pezinho ampliado, principalmente no pós-pandemia (Foto: Divulgação)

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Muito além do Teste do Pezinho

Quando identificamos a presença de anticorpos em bebês podemos avaliar a real necessidade da vacinação em gestantes, conforme já estabelecido, visando a queda de partos prematuros e complicações gestacionais; prevenção do desenvolvimento da doença na forma grave em bebês e do seguimento das sequelas nos primeiros anos de vida, caso haja”, explica.

Ela explica que o exame deve ser realizado até 28 dias de vida do bebê, preferencialmente, entre o 3° e o 5° dia de vida e sempre após 48 horas da primeira amamentação/alimentação do recém-nascido, mas não há impedimento para as crianças que passarem do prazo indicado.

É extremamente necessário diagnosticar precocemente doenças que causam altos índices de adoecimento e mortalidade. Caso haja diagnóstico e tratamento precoces dessas doenças congênitas reduzimos drasticamente sua evolução negativa. Além disso, ajuda as famílias a serem triadas em aconselhamentos genéticos para que saibam as possibilidades de ter novos filhos com a mesma doença e assim possam evitá-las”, salienta Evelyn Rabelo.

Teste do Pezinho é o nome popular dado à triagem neonatal, realizada por meio da coleta de algumas gotas de sangue no calcanhar dos recém-nascidos para identificação de doenças metabólicas, genéticas e infecciosas. Quando tratadas precocemente, possibilitam o desenvolvimento físico e mental adequado às crianças.

Atualmente no SUS as seis doenças abrangidas pelo exame são: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, síndromes falciformes, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase. A partir de maio de 2022, o exame será ampliado para detecção de até 53 doenças, na maioria raras e de difícil diagnóstico.

A Sociedade Brasileira de Pediatria é totalmente favorável à ampliação do teste do pezinho. O estudo passará de seis para mais de 50 doenças congênitas que são graves na infância e que seu diagnóstico precoce aumenta a sobrevida, a qualidade de vida e saúde das crianças acometidas”, destaca a pediatra Evelyn Rabelo.

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