Um calor do inferno: o perigo do ‘estresse térmico’ para a saúde

 Sociedades médicas alertam para cuidados especiais que precisam ser tomados nesses dias de altas temperaturas. Se não suar, o organismo pode entrar em colapso

Redação
pernas para cima Colocar as pernas para cima por 20 a 30 minutos duas vezes ao dia é uma saída para evitar o inchaço das pernas em dias de forte calor (Reprodução de internet)

Os termômetros na cidade têm marcado temperaturas próximas dos 40 graus. Andar na rua tem sido exaustivo. Agora imagine exercitar-se ou trabalhar debaixo do sol? Essa combinação pode provocar um estresse térmico e é preciso ficar alerta aos sintomas, de acordo com a Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj).

O estresse térmico acontece quando nosso corpo não consegue compensar o aumento da temperatura corporal associado ao aumento da temperatura ambiente ou quando a produção de calor, pelo exercício, por exemplo, excede a capacidade de dissipação deste calor”, explica a cardiologista Claudia Lucia Barros de Castro, presidente do Departamento de Ergometria, Reabilitação Cardíaca e Cardiologia Desportiva da Socerj.

Segundo ela, se o indivíduo não conseguir corrigir esse aumento da temperatura corporal pelos mecanismos de termorregulação, como a sudorese pela evaporação, por exemplo, ele pode entrar em colapso

Os sintomas do estresse térmico são inicialmente de desidratação, com boca seca, urina escura e em pouca quantidade, seguida de fadiga, náuseas, vômitos, câimbras, dor de cabeça, queda da pressão arterial, tonteira, desmaio e até alterações neurológicas, de acordo com a gravidade do caso.

A médica alerta que os exercícios físicos devem ser evitados em horários muito quentes. Quem trabalha em ambientes quentes, como os ambulantes nas praias, deve optar por roupas claras e leves, de algodão ou dry fit, protetor solar, viseira e se hidratar constantemente. “Não devemos esperar sentir sede para iniciarmos a hidratação”, afirma a cardiologista.

“Corredores devem ficar atentos, pois o Rio de Janeiro tem o clima quente e úmido, o que atrapalha a sudorese e é possível não conseguir perder o calor gerado pelo exercício para o ambiente e isso pode gerar o quadro de exaustão ou até mesmo o colapso pelo calor”, complementa Dra. Claudia.

Calor aumenta problemas vasculares

Inchaço, erisipela, sangramento de varizes e complicações com o pé diabético são algumas. SBACV dá dicas para se proteger e aliviar sintomas

Com as altas temperaturas que estão sendo registradas pelo Brasil neste verão é preciso redobrar os cuidados com a saúde vascular. Entre os problemas que podem ocorrer mais comumente na estação estão o inchaço, a erisipela, o sangramento de varizes e as complicações com o pé diabético. A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) listou o que é preciso fazer para se prevenir ou atenuar os efeitos do calor sobre os vasos sanguíneos.

As altas temperaturas provocam uma vasodilatação das veias, fator que gera o aumento da estase venosa e dificulta o retorno do sangue dos membros inferiores ao coração. Assim, ocorre o inchaço, que pode ser temporário ou mais prologado, se o paciente também possuir varizes”, afirma o diretor de Publicações da SBACV, Dr. Julio Peclat.

Inchaço

Para atenuar o inchaço o angiologista e vice-presidente da SBACV Bruno Naves ensina: “Deite-se e coloque os pés acima do coração por 20 a 30 minutos uma vez pela manhã e outra no fim da tarde. Na segunda vez, faça uma massagem com hidratante no sentido dos tornozelos até os joelhos. Esse movimento aliviará a sensação de peso nas pernas e o inchaço”.

Dr. Naves explica que, além do inchaço, as pernas podem ficar vermelhas, devido à ação do calor e da estase venosa. “Nesse caso, use uma compressa com água gelada e mantenha as pernas acima do coração pelo mesmo período de tempo.”

Erisipela

O calor e a umidade também aumentam as chances de aparecimento de infecções de pele como a erisipela, causada geralmente pela bactéria Streptcoccus. Basta ter uma ferida – provocada por picada de inseto, frieiras, micoses de unha, entre outros – para que a bactéria penetre.

Os sintomas são febre alta, calafrios, mal-estar, náuseas, vômitos. No local da lesão pode haver dor, vermelhidão, inchaço e formação de feridas. É preciso procurar o médico para tratamento imediato.

A dica é: assim que constatar a ferida ou picada de inseto, lave a região. Não coce! Qualquer pessoa pode ter erisipela, pois a bactéria pode estar na sua pele”, diz o vice-presidente da SBACV. O médico explica que o calor paralisa a ação dos vasos linfáticos, propiciando a infecção.

Pé diabético

Já quem tem diabetes – cerca de 18 milhões de pessoas no Brasil – deve ficar atento aos pés. Com o passar dos anos, a diabetes pode causar a neuropatia periférica, caracterizada pela redução da sensibilidade das extremidades. Assim, ao pisar em superfícies quentes, como a areia da praia, pode provocar queimaduras. É importante usar sandálias para a praia e avaliar os pés todos os dias em busca de ferimentos.

Sangramento de varizes (varicorragia)

Quem tem varizes no calor sofre ainda mais com o incômodo das pernas inchadas. E se as varizes forem calibrosas, a vasodilatação pode causar uma rotura espontânea da veia varicosa e levar a sangramento importante. Nessa situação é preciso estancar o sangramento.

Fique calmo, eleve as pernas e peça para alguém fazer uma compressão com um pano limpo no local por pelo menos 10 minutos. Após, enfaixe e procure auxílio médico”, aconselha Dr. Bruno Naves.

Hidratação

É importante não esperar a sede para beber água. Mantenha-se hidratado. “Quem tem hipertensão venosa ou varizes tem a pele muito seca, o que gera coceira, então é preciso beber muito líquido, pois ao coçar pode ocorrer feridas, como uma úlcera varicosa”, alerta o especialista.

Fonte: Socerj e SBACV

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