Um em cada quatro brasileiros tem pressão alta

Hipertensão arterial é causada pelo excesso de sal: brasileiro consome mais que o dobro do recomendado pela OMS. Problema aumenta o risco de doenças do coração

Redação

Trinta e quatro mortes por hora, 829 óbitos por dia e mais de 302 mil óbitos no ano de 2017. Esse é o retrato das doenças cardiovasculares no Brasil (infarto, hipertensão, AVC e outras enfermidades), que têm como principal fator de risco a hipertensão arterial, a “pressão alta” como é popularmente conhecida e que afeta pelo menos um a cada quatro adultos no país.

Os dados preliminares são do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, que, no Dia Nacional de Combate à Hipertensão, celebrado em 26 de abril, reforça o alerta para os cuidados com a saúde a partir de hábitos alimentares saudáveis.  A doença silenciosa que faz com que o coração trabalhe mais, o que pode comprometer o funcionamento de outros órgãos. A hipertensão pode causar infarto e AVC, além de outros problemas como cegueira e insuficiência renal.

Dados do Vigitel, do Ministério da Saúde, apontam que a prevalência de hipertensão autorreferida é de 24,3% da população. O Rio de Janeiro é a capital com a maior prevalência da doença, com 31,7% da população afetada. Quase 50 mil pessoas morrem por ano pela doença (49.640/ Ministério da Saúde, 2016)*.

O consumo excessivo de sódio (o principal componente do sal) aumenta o risco de hipertensão e doenças do coração. A Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE (POF 2008-2009) aponta que dois terços do consumo de sal pela população brasileira vêm do sal adicionado ao cozinhar direto no prato. De acordo com o POF, o brasileiro consome mais que o dobro (quase 12g) da quantidade recomendada (5g) pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Embora 90% dos homens e 70% das mulheres consumam mais sal do que o máximo recomendado, 85,1% dos brasileiros adultos consideram seu consumo de sal adequado. Esses dados são da pesquisa Vigitel 2017 (inquérito telefônico realizado com maiores de 18 anos nas capitais brasileiras), que reforçam o alerta sobre o uso excessivo do sal e a percepção desse consumo.

Segundo levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, um em cada quatro brasileiros adultos dizem ter diagnóstico médico de hipertensão. A doença tende a aumentar com a idade, chegando a 60,9% entre os adultos com 65 anos e mais; a prevalência é menor entre aqueles com maior escolaridade, chegando a 14,8% entre as pessoas com 12 anos ou mais de estudo.

O Dia Nacional de Combate à Hipertensão (26/04) é a data para lembrar a importância de manter a pressão sanguínea sob controle, uma vez que ela é um dos principais fatores de risco para a ocorrência de acidente vascular cerebral, enfarte, aneurisma arterial e insuficiência cardíaca e renal. “As cardiopatias possuem diversos fatores de risco ignorados pela população”, afirma Marcelo Sampaio, cardiologista e membro do comitê científico do LAL. Um deles é a pressão alta, que pode ocorrer por muitos motivos, incluindo a ingestão descontrolada de sódio.

Redução no teor de sódio dos alimentos

Michele Lessa, coordenadora da Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde (CGAN), reforça que é importante evitar adicionar sal nas refeições prontas (inclusive em saladas) e reduzir a quantidade nas preparações culinárias.

“Apesar de o Ministério fazer um trabalho pela redução de sal nos alimentos industrializados, que pode ser acompanhada por meio da rotulagem nutricional, é fundamental que as pessoas se acostumem com menores quantidades de sal”, afirma Michele. “Os hipertensos que usam medicamentos, em geral, não reduzem o sal e isso também é preocupante”, afirma a coordenadora.

Graças a acordos celebrados pelo Ministério da Saúde com a Indústria, desde 2011, 17 mil toneladas de sódio foram retiradas de alimentos que seriam consumidos pela população, segundo a Associação Brasileira das Indústrias (Abia). Essa parceria entre a pasta e a Abia foi renovada para o quinquênio 2017-2022.

Guia Popular para a População Brasileira, publicação do Ministério da Saúde, traz recomendações para promover a saúde e evitar enfermidades. Recomenda como base da alimentação, o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, em grande variedade e predominantemente de origem vegetal; além do uso, em pequenas quantidades, de óleos, gorduras, sal e açúcar ano temperar e cozinhas os alimentos.

PREVENÇÃO E DIAGNÓSTICO 

Além de múltiplas estratégias com educação alimentar e nutricional, assistência nos serviços de saúde e metas de redução de sódio com a indústria, o Ministério da Saúde recomenda, para combater a hipertensão, a adoção de um estilo de vida saudável desde a infância até a terceira idade e o realização dos exames de saúde rotineiros pelo menos uma vez no ano contribuem para a prevenção da Hipertensão.

Hábitos saudáveis ajudam a prevenir a hipertensão

O Sistema Único de Saúde (SUS) possui equipes de saúde da família preparadas para atender os pacientes, de acordo com gravidade da doença, por meio de consultas individuais com médicos (as), enfermeiros (as) e outros profissionais de saúde da atenção básica e especializada, se for o caso, além de consultas coletivas ou grupos de promoção da saúde.

A prática de exercícios físicos é outro hábito saudável recomendável. Os pacientes, também, têm acesso às práticas corporais e atividades físicas em espaços como os Polos de Academia da Saúde, com atuação de profissionais de Educação Física, por meio de práticas da Medicina Tradicional Chinesa (tai chi chuan, lian gong, chi gong), homeopatia, plantas medicinais e fitoterapia.

TIRE SUAS DÚVIDAS

A Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro esclarece as principais dúvidas recorrentes sobre essa doença, que será um dos temas do 36º Congresso de Cardiologia da Socerj, que acontece de 8 a 10 de maio, no Centro de Convenções SulAmérica, na Cidade Nova.

No evento, os médicos vão debater sobre as últimas diretrizes de hipertensão – brasileira, americana e europeia. “As recomendações apresentam pontos em comum e algumas divergências. A diretriz americana é mais instigante, com conceitos ainda não bem sedimentados, e em contraponto à europeia e à brasileira. Trata-se de um dilema mundial, uma vez que estudos ainda podem se mostrar conflitantes e despertam muitas paixões”, explica o presidente do Congresso, o cardiologista Claudio Catharina.

Medição – para a medição ser realizada, o paciente não pode: estar com a bexiga cheia, ter praticado exercícios físicos há pelo menos 60 minutos, ter ingerido bebidas alcoólicas, café ou alimentos e ter fumado nos 30 minutos anteriores.

Valores – a 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (7DBHA), da Sociedade Brasileira de Cardiologia, determina que os valores normais da pressão arterial (PA) são: menor ou igual a 120 mmHg para sistólica (PAS) e 80 mmHg para diastólica (PAD). O diagnóstico da hipertensão arterial é feito quando a PAS é maior ou igual a 140 mmHg e/ou PAD maior ou igual a 90 mmHg, aferidas em pelo menos duas consultas médicas distintas.

Sintomas – apesar de ser uma doença silenciosa, o paciente pode apresentar sintomas como tontura, falta de ar, palpitação, dor de cabeça frequente e alteração da visão.

Tratamento – o tratamento para redução da pressão arterial envolve medidas não medicamentosas e medicamentosas. São fundamentais a adesão e a persistência ao tratamento da hipertensão, porque, quando feito de maneira irregular, não proporciona os benefícios e a proteção cardiovascular esperados. “O que vemos muito no Brasil é a pessoa estar se sentido bem, então por conta própria diminui a dosagem de seu medicamento. Isso faz com que sua pressão fique descompensada. É importante conversar com o médico para mexer na dosagem”, alerta a cardiologista e diretora da Socerj, Dra. Viviane Belidio.

Prevenção – alguns hábitos são importantes para prevenir a hipertensão arterial como a prática de atividades físicas, alimentação balanceada com controle do consumo do sal, não fumar e evitar a bebida alcoólica. Também é importante combater o estresse, seja com uma atividade relaxante ou meditação, por exemplo.

*Fonte: http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/hipertensao

AGENDA POSITIVA: Hipertensão x gravidez

Maior responsável pela mortalidade materna no país, a hipertensão arterial, que afeta de 5 a 10% das gestantes, é tema de palestra durante a X Jornada de Ginecologia e Obstetrícia de Santos, que acontece em 26 de abril no Parque Balnerário Hotel, em São Paulo.

O objetivo é destacar os principais aspectos relacionados à temática, além de conscientizar sobre possíveis riscos para mãe e bebê. “É uma doença dotada de prevenção, porém com adesão muito baixa. Nem sempre ocorre uma orientação preventiva adequada”, comenta Henri Korkes, presidente da SOGESP Regional Sorocaba.

As mulheres podem ficar hipertensas e apresentar pré-eclâmpsia durante o período gestacional por manifestarem uma pré-disposição ou algum fator de risco, mesmo que nunca tenha tido indícios anteriormente.

Os principais sintomas característicos dessa condição, além do aumento da pressão sanguínea, são o ganho de peso acentuado e em um curto período de tempo, inchaço nas mãos e rosto, mal estar, visão embaçada, dores de cabeça e abdominais.

Uma complicação grave, nesses casos, é o nascimento prematuro do bebê. Adversidades relacionadas ao problema, como complicações na placenta, podem acarretar alterações na oxigenação e crescimento do feto.

Da Redação, com Assessorias

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