Uma cartilha no mínimo infeliz sobre a obesidade infantil

Campanha sobre alimentação saudável em escola pública de São José dos Campos (SP) associa crianças obesas a “botijão de gás” ou “monstro”. Abeso se manifesta e MP vai investigar

Rosayne Macedo
Campanha infeliz sobre obesidade infantil em escolas do interior paulista

São José dos Campos (SP), abril de 2018 – Um tiro no pé. Assim poderia ser considerada a distribuição de cartilhas sobre alimentação saudável na rede municipal de ensino de São José dos Campos, nas quais as crianças com obesidade eram associadas com botijão de gás ou monstro. A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) saiu em protesto contra a ação, afirmando que “explicita o preconceito common sense contra pessoas com obesidade”, além de revelar “superficialidade” no trato do assunto.

De acordo com o site Meon, sobre a região de São José dos Campos, a cartilha ‘A Fantástica Magia dos Alimentos – informações para uma alimentação saudável’ está sendo questionada pelo Ministério Público por supostamente incentivar o bullying contra crianças que sofrem de obesidade infantil. O MP da cidade anunciou que vai instalar um processo administrativo para investigar a divulgação da publicação, distribuída aos alunos da escola municipal Maria de Melo na sexta-feira (13).

Em uma tirinha da publicação, uma criança  afirma “eu virei um botijão”.  Outra tenta evitar o espelho, que responde: “não se assuste , é você”. Para o promotor Fausto Junqueira, da Vara da Infância e Juventude, os trechos são indícios de que a cartilha explicitaria o preconceito contra as crianças que sofrem de obesidade infantil.

A cartilha pretendia “abordar questões sobre a mudança nos padrões alimentares da sociedade, estimula o consumo e cultivo de alimentos saudáveis e desencoraja a ingestão excessiva de produtos industrializados, por meio de passatempos e leitura dirigida feita com os professores”. Por meio de nota, a prefeitura informou que já recolheu o material e “prestará os esclarecimentos que forem solicitados pela Promotoria da Infância e Juventude”.

Preconceito pode gerar estresse e ansiedade

A Abeso alerta que pessoas com excesso de peso ou obesidade, regularmente são vítimas de preconceito na família, na escola, no trabalho, nos serviços de saúde, enfim, na sociedade. O preconceito tende a gerar estresse, ansiedade, isolamento social e, consequentemente, agrava a doença.

O preconceito ocorre com pessoas em todas as idades, mas é na infância e adolescência que o dano é maior, o que é ilustrado pelo fato de que crianças com obesidade possuem qualidade de vida pior que aquelas com câncer. Assim, é lamentável o fato extremamente agressivo ocorrido com as crianças das escolas municipais de São José dos Campos que receberam a cartilha mal elaborada”, explica a endocrinologista Maria Edna de Melo, presidente da Abeso.

De acordo com a entidade, a obesidade é uma “doença extremamente complexa, de difícil prevenção e tratamento, que desencadeia muitas outras doenças, reduz a expectativa e a qualidade de vida das pessoas”. Por causa disso, a entidade recomenda que “ações individuais e públicas sejam baseadas estritamente em evidências científicas. Se isso não for possível, é recomendável evitar o achismo, devendo-se simplesmente RESPEITAR”.

Participação dos pais é importante

felipe antes

Se emagrecer já é uma tarefa desafiadora para qualquer adulto, imagine para crianças e adolescentes? O problema da obesidade infantil se torna, a cada ano, mais presente nos lares em todo o mundo e o Brasil não foge à regra. Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), 75 milhões de crianças estão com sobrepeso ou obesas no mundo, enquanto por aqui um terço dos brasileirinhos faz parte deste preocupante grupo. Diante disso, muitos pais não percebem a importância de resolver o problema, ou em outros casos, simplesmente não sabem como ajudar os filhos.

Quando o assunto é combater a obesidade infantil: nenhum tratamento será efetivo se não houver envolvimento direto dos pais ou responsáveis, dizem os especialistas.

Crianças não tomam decisões sozinhas. Elas não têm culpa, comem o que os pais comem e o que eles oferecem. A falta de tempo e incentivo dos pais para a prática de atividades físicas está tornando nossas crianças cada vez mais sedentárias e obesas”, afirma a fisioterapeuta dermato-funcional, Angélica Federizzi, proprietária da Angélica Federizzi Estética e Emagrecimento, clínica em Guarapuava, no Paraná.

Felipe, de 10 anos, é um exemplo de como o papel dos pais é fundamental no processo de emagrecimento. Ele pesava 69,4 kg no início do ano e já perdeu 15 quilos em quatro meses. Hoje está com 54,4 kg e com muito mais disposição. Os benefícios vão além da perda de peso. O menino mudou todo seu estilo de vida e hoje é uma criança saudável.

A gordura visceral (a mais perigosa para a saúde, que pode causar diversas doenças como a diabetes) diminuiu de 14% para 6%, numa escala em que o máximo aceitável é 9%. Já a pressão arterial passou de 14 por 9 para 9 por 7 ao final do tratamento. “O humor, a autoestima e o desempenho escolar melhoraram. É preciso dedicação e muita participação dos pais, mas vale muito a pena”, reforça a fisioterapeuta Daniela Salgado, dona de uma clínica licenciada em Franca (SP).

Método de emagrecimento para crianças

Desde março Daniela passou a oferecer aos seus clientes a versão kids do método de emagrecimento 5S, o mesmo pelo qual Felipe passou. “Antes de oferecer para os outros, quis saber se o tratamento funcionava com meu filho, que estava obeso. E deu muito certo”, relembra.

O 5 S Kids foi lançado recentemente, na esteira dos resultados obtidos pelo programa que já beneficiou mais de 15 mil pessoas em seis países. A nova versão traz alguns diferenciais importantes voltados especialmente para crianças entre 5 e 13 anos.

O tratamento, elaborado por profissionais da área nutricional e médica, é baseado em cinco pilares: acompanhamento nutricional, consultas com psicólogo, realização de atividades físicas, uso de suplemento natural e, para que tudo isso tenha resultado, a participação efetiva dos pais. Por se tratar do público infantil, todo o tratamento é feito de forma lúdica, utilizando histórias, vídeos, jogos e desafios como estratégia para o aprendizado e reeducação dos hábitos das crianças.

Além de tratar a obesidade infantil, os maus hábitos alimentares e os problemas decorrentes desses hábitos, o 5S Kids ajuda na prevenção das doenças que podem surgir no decorrer da vida da criança, como diabetes, hipertensão e muitas outras. Os pais precisam ter a consciência de que é preciso agir rápido para que seu filho tenha uma infância com qualidade de vida e se torne um adulto saudável”, explica Túlio Sperb, cardiologista e coordenador de residência médica.

Rotina envolve brincadeiras e suplemento

Durante o tratamento, após consulta inicial, a criança é acompanhada diariamente por uma equipe multidisciplinar, que fica em contato direto com os pais por meio do aplicativo 5S. É desenvolvido um plano para realização de atividades físicas, parte fundamental do Método 5S Kids. O objetivo é resgatar a essência infantil e estimular brincadeiras que, além de divertidas, são fundamentais para o aumento do gasto energético e equilíbrio das funções hormonais da criança.

Criado pela fisioterapeuta Edivana Poltronieri, o programa reúne especialistas como Natália Almeida Prado, pediatra e endocrinologista infantil; Victor Sorrentino, profissional de medicina integrativa, Gustavo Mattos, educador físico que atua com treinos TimeEfficient, e Tulio Sperb, 

O método também prevê o uso de suplementos específicos para crianças, como o Essential Ômega 3 Kids, que são cápsulas mastigáveis gelatinosas em formato de peixinho e com gostinho de cereja. Já o Essential Polivitamínico Kids tem formato de balinhas com gosto cítrico.

Os suplementos têm o objetivo de suprir as necessidades nutricionais infantis, além de normalizar o sistema metabólico, ajudando no processo de emagrecimento da criança. É importante ressaltar que todos os componentes das fórmulas são naturais, portanto não se trata de remédios”, conta a nutricionista do Método, Ivana Cobe. 

Fonte: Abeso e 5S, com informações do site Meon Notícias

 

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