Uso de plasma convalescente deve ajudar pacientes de Covid-19 no Amazonas

No Hemocentro de Ribeirão Preto, pesquisadores já coletam o plasma de doadores para transferência passiva de imunidade (Foto: Divulgação/CTC)

O Governo de São Paulo vai enviar 250 bolsas de plasma convalescente de recuperados da Covid-19 em apoio à situação crítica vivida na saúde pública de Manaus. Colaborativa, a ação é um movimento do Instituto Butantan, presidido por Dimas Tadeu Covas, também integrante do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), com a qual articulou a ação. Ambas as instituições mobilizaram serviços de hemoterapia paulistas para reunir o lote de material convalescente a ser enviado a Manaus.

O presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), o hematologista Dante Langhi, que também atua no Instituto Butantan, explicou que o plasma convalescente é uma alternativa em uso há muitos anos em casos de epidemias e pandemias. Langhi explicou que o material é usado em fase intermediária da doença, com o objetivo de diminuir a taxa de pacientes que evoluem para a forma grave.

Com isso, minimiza-se o crescimento da necessidade de ocupação de UTIs e utilização de oxigênio – ponto crítico do cenário no Norte do País atualmente. Humanitariamente, entendemos que a ciência, como tem provado, é capaz de salvar vidas. Desta forma, usamos nossos recursos para apoiar o Estado do Amazonas nesse crítico enfrentamento”, enfatizou.

O governador João Doria reforçou a importância da manutenção de doação de sangue neste período de plena pandemia, apelo que foi reforçado pelo presidente da ABHH. “A doação é um ato simples, rápido e não traz risco para quem o faz. Durante a pandemia, além dos cuidados dos órgãos de saúde [distanciamento social, uso de máscara e álcool em gel], e nós orientamos os serviços de hemoterapia que passassem a agendar a doação e evitar acúmulo de pessoas nos locais de coleta”, disse.

Uso de plasma convalescente

Esta não será a primeira vez que a prática é adotada em casos de grandes epidemias ou pandemias. O uso do chamado plasma convalescente já foi avaliado em outras situações semelhantes, como na epidemia por SARS, em Hong Kong; no tratamento de pacientes infectados com Ebola; na Síndrome de Infecção Respiratória por Coronavírus, do Oriente Médio; e na pandemia pelo Influenza H1N1. Em 2020, o FDA emitiu diretrizes para utilização dessa técnica em casos graves de COVID-19, orientação que foi autorizada pela Anvisa, graças à intensa atuação da ABHH.

Assim, há mais de um ano, o protocolo de coleta do plasma de pacientes convalescentes da COVID-19 já é utilizado em pacientes que desejam, estejam aptos a doar sangue, comprovadamente foram infectados pelo novo coronavírus, já assintomáticos há 14 dias, e que apresentem exame de PCR negativo para o vírus. Outro ponto fundamental que não pode ser esquecido é a compatibilidade sanguínea.

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