Vacina chinesa para Covid-19 começa a ser testada no Brasil

Vacina chinesa começa a ser testada em São Paulo. Outra vacina desenvolvida no Brasil entra na fase 3. Ao todo, são mais de 150 vacinas em estudo no mundo

Uma médica do Hospital das Clínicas de São Paulo foi a primeira a receber a dose de uma vacina contra a Covid-19, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac Biotech, em parceria com o Instituto Butantã. A clínica geral Stefânia Teixeira Porto, de 27 anos, está entre os 890 profissionais de saúde da instituição que participam da terceira fase de testes da Coronavac. Ao todo, 9 mil voluntários receberão a dose do imunizanteem mais 12 centros de pesquisa nos estados de Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo também no Distrito Federal.

A terceira fase da pesquisa da Coronavac, autorizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), será realizada até setembro. Vinte mil doses da vacina chinesa chegaram na segunda-feira (20) ao Brasil. Se o efeito benéfico for comprovado, a Sinovac Biotech enviará 60 milhões de doses para o Brasil. O Instituto Butantã anunciou que tem capacidade de produção de 100 milhões de doses da vacina já a partir de 2021. Para a parceria, o governo de São Paulo investiu R$ 85 milhões.

Nesta terça-feira (21), foram registradas 80.493 mortes e 2,129 milhões de pessoas infectadas em todo o Brasil, de acordo com o consórcio de veículos de imprensa que monitora o avanço da doença. O Brasil é o segundo país em mortes e casos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, segundo o Ministério da Saúde. Com isso, se tornou um local ideal para testar a eficácia das vacinas no combate à pandemia.

Já são mais de 150 fórmulas de vacinas que vêm sendo criadas no mundo todo contra o novo coronavírus. Duas já se encontram na fase 3, ou seja, serão avaliadas através da aplicação em um grande grupo de voluntários. Além da Coronavac, está em estudos avançados a ChAdOx1 nCoV-19, desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e que, no Brasil será testada em parceria com a Fiocruz.

De acordo com especialistas, a busca pela vacina da Covid-19 virou uma ‘corrida de 100 metros’ para os laboratórios. A questão agora é saber qual será a mais segura e mais eficiente. De acordo com o Ministério da Saúde, são 156 projetos de vacinas em todo o mundo, sendo duas delas mais avançadas: duas com participação direta de instituições de pesquisa no Brasil – a de Oxford, em parceria com a Fiocruz e a Coronavac, em parceria com o Instituto Butantã.

Não se trata de uma competição para saber quem irá sair na frente com uma fórmula capaz de controlar o vírus. Quanto mais vacinas tivermos, melhor para conseguirmos controlar essa doença e aprendermos qual é a melhor composição vacinal”, ressalta Helena Faccioli, CEO da Farmacore.

A cada dose da vacina testada, há outra com placebo

O estudo realizado pelo Butantã é chamado de duplo cego: metade dos voluntários vai receber placebo (uma substância inócua, que não causa efeito algum), e a outra metade, a vacina. Pesquisadores e pesquisados não sabem quem recebeu qual tipo de tratamento.

Nesta metodologia que está sendo estudada, é usada uma versão do vírus inativado, ou seja, o Sars-Cov-2 é criado, morto e introduzido na pessoa para induzir a produção de anticorpos que vão combater a doença, assim como ocorre nas vacinas contra a hepatite e a influenza (gripe).

Isso quer dizer que não há a presença do coronavírus vivo na solução, o que reduz os riscos deste tipo de imunização. Segundo especialistas, esta tecnologia é bastante conhecida, mas é mais custosa e não é tão rápida quanto a outra que está sendo desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela Fiocruz.

A vacina Coronavac já foi aprovada para testes clínicos na China. Na sua sede em Pequim, na China, o laboratório Sinovac Biotech aplicou a vacina em cerca de mil voluntários nas fases 1 e 2.

Quem pode participar dos estudos da nova vacina?

Somente profissionais de saúde que atuam diretamente no combate à Covid-19 participam da terceira fase de estudos da vacina. Os voluntários não devem ter sido contaminados pela doença e devem morar perto dos centros de pesquisa. Grávidas ou mulheres que planejem engravidar nos próximos três meses também não podem participar.

Na cidade de São Paulo, os testes são conduzidos pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Instituto de Emílio Ribas e Hospital Albert Einstein, Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Hospital das Clínicas da Unicamp (Campinas), Faculdade de Medicina de Rio Preto e o Centro de Saúde Escola da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.

As pesquisas serão realizadas em outros cinco lugares fora do estado: na Universidade de Brasília (UnB), Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos da Universidade Federal de Minas Gerais, Hospital São Lucas da PUC do Rio Grande do Sul e Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná.

Mais uma vacina em estudo no Brasil

Ainda no Brasil, está em desenvolvimento outra vacina para prevenir a infecção por Covid-19. Denominada Versamune®-CoV-2FC, a vacina é desenvolvida pela Farmacore – uma empresa fundada em 2005 e localizada em Ribeirão Preto (SP) – em parceria com a PDS Biotechnology Corporation. A previsão é que até o final de julho os resultados preliminares estejam concluídos.

Antes de ser aprovada, a vacina deverá passar por etapas importantes até ser aprovada. Após a fase pré-clinica, com testes em animais, há três fases de testes em humanos. Os testes precisam comprovar que a vacina é realmente segura, que produz anticorpos e protege contra o vírus.

Como os ensaios das fases pré-clínico, e clínico fase I/IIa  serão feitos no Brasil, a expectativa é que, além do evidente ganho tecnológico, o processo seja mais rápido e que o conjunto de ações acelere a disponibilização de uma vacina aos brasileiros.

O Versamune®-CoV-2FC é a combinação de uma proteína SARS-CoV-2 recombinante, desenvolvida pela Farmacore, com a nanotecnologia da plataforma Versamune®, da PDS Biotech, uma tecnologia patenteada para a ativação das células T. ”, explica Helena.

Laboratórios devem cobrar preço de custo no Brasil

A velocidade com que as pesquisas para a descoberta da vacina contra a Covid-19 avançam em todo o mundo e já é comparada ao voo do homem à Lua, um momento histórico. Mas ainda é prematuro dizer que de outubro a dezembro as doses da vacina já estejam disponíveis no mercado. A fase mais delicada e demorada no desenvolvimento das vacinas é a 3, que avalia se são eficientes ou não, quantas doses serão necessárias etc.

Em princípio, laboratórios que realizam as pesquisas da vacina pretendem cobrar preço de custo. Na Europa e Estados Unidos estão sendo montados consórcios para que países mais pobres possam receber vacinas a preço de custo, mas não se sabe até quando. Mas engana-se quem pensa que é só por filantropia. Só o prestígio e a ajuda para a Humanidade já justificariam, mas a corrida pela vacina representa um negócio bilionário no mercado financeiro, já que os grandes laboratórios esperam, com essa conquista, valorizar suas ações na Bolsa de Valores de Nova York, entre outras.

Outra questão importante é que essa iniciativa irá trazer grandes benefícios ao país, já que o Brasil entrará no rol das nações nas quais o setor privado é grande protagonista no desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19. Além disso, uma produção dessa vacina em escala global pode trazer muitas vantagens para a Ciência e Tecnologia Nacional. “Nenhuma indústria no mundo consegue suprir a demanda mundial dessa vacina. Vamos precisar de pelo menos umas seis ou sete vacinas diferentes no mercado para que toda a população seja imunizada” , afirma Helena.

O anúncio de duas vacinas aprovadas em segunda fase de testes e também o de uma terceira em fase de testes no Brasil dá perspectiva de retomada da economia e empresas já se prepararam para a retomada de suas atividades e começam a contratar. A prosseguir os estudos com sucesso, a previsão é de termos a vacina já no início do ano que vem, no entanto, apenas para profissionais da ‘linha de frente’ e grupos de risco. Para a população em geral, a previsão mais realista seria de maio a junho de 2021. Resta saber como e a que custo. É esperar e confiar!

Com Agências e Assessoria

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