Clínicas e laboratórios particulares ‘furam’ SUS e já vacinam contra a gripe

Vacina da infuenza só chega dia 12 no SUS. Principal orientação dos especialistas é respeitar intervalo de 15 dias entre uma vacina e outra

Redação
Em Macaé, 87% do público-alvo já foram imunizados (Foto: Guga Malheiros/Prefeitura de Macaé) Em Macaé, vacinação contra a gripe em posto do SUS, durante a campanha passada (Foto: Guga Malheiros/Prefeitura de Macaé)

A campanha nacional de imunização contra a gripe Influenza começa dia 12 de abril nos postos de vacinação do Sistema Único de Saúde de todo o país, mas nas clínicas e laboratórios particulares, a ação já começou. O custo varia de um estabelecimento para outro, mas o medo de contrair a Covid ou outras infecções respiratórias nessa época do ano faz com que muitas pessoas optem por pagar e não esperar a dose gratuita pelo SUS.

A Dasa, por exemplo, antecipou a campanha em todo o país: 217 mil doses da vacina estão disponíveis em 21 laboratórios que integram a rede, totalizando 141 unidades. Segundo a empresa, a iniciativa visa “colaborar” com a Campanha Nacional de 2021, coordenada pelo Ministério da Saúde.

Realizada todos os anos no começo do outono, a vacinação contra a gripe tem como objetivo reduzir o risco de contágio pelo vírus da Influenza, que pode causar mais casos de síndromes respiratórias agudas graves (SRAGs), especialmente entre idosos e públicos mais vulneráveis neste período. Neste ano a campanha contra a influenza coincidirá com a vacinação contra a Covid-19. Mas o que muda agora nesse contexto de pandemia?

A maioria dos especialistas recomenda que deve ser priorizada a administração da vacina contra o coronavírus e, ao programar a vacina contra a influenza, respeitar o intervalo mínimo de 14 dias entre as aplicações. “Nunca demos as duas juntas ao mesmo tempo e não conhecemos ainda todos os efeitos adversos das vacinas de Covid-19. Não seria legal encavalar com efeitos adversos das vacinas da gripe”, disse a microbiologista Natália Pasternack, em entrevista à CNN no domingo (4/4).

Para Gustavo Campana, diretor médico da Dasa, apesar de a vacina influenza não diminuir o risco de contágio pelo novo coronavírus, ela protege o indivíduo de desenvolver outras doenças respiratórias. “Como consequência, pode diminuir também a possibilidade de confundir sintomas de gripe como os de infecção por coronavírus”, reforça.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) monitora constantemente as cepas do vírus influenza em circulação e atualiza a vacina para as mutações que o vírus sofre ao circular ao redor do mundo. A versão 2021 da vacina quadrivalente é atualizada, daí a importância que, principalmente, o público-alvo prioritário seja vacinado. A vacina influenza quadrivalente protege contra quatro tipos de vírus: A/Victoria/2570/2019 (H1N1) pdm09, A/Hong Kong/2671/2019 (H3N2), B/Washington/02/2019 (Victoria) e B/Phuket/3073/2013 (Yamagata).

Diferenças entre gripe e resfriado

A gripe é uma infecção viral respiratória aguda e altamente contagiosa, podendo levar a complicações graves e ao óbito.A doença pode afetar indivíduos de todas as idades, sendo facilmente transmitida através da tosse, espirro e contato próximo com uma pessoa ou superfície contaminada. Os sintomas da gripe incluem febre/calafrios, tosse, dor de garganta, nariz entupido, dores musculares, dores de cabeça e fadiga.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), hospitalizações e óbitos ocorrem principalmente entre os grupos de alto risco – compostos por crianças menores de 5 anos, gestantes, portadores de doenças crônicas e idosos. Em todo o mundo, estima-se que epidemias anuais resultem em cerca de 3 a 5 milhões de casos de doença grave e cerca de 290 mil a 650 mil óbitos.

No resfriado, os sintomas, apesar de parecidos e comumente confundidos com os da gripe, são mais brandos e duram menos tempo.Neste caso, também se trata de uma doença respiratória, mas causada por vírus diferentes, como os rinovírus, os vírus parainfluenza e o vírus sincicial respiratório, que geralmente acometem crianças.

A vacinação é a melhor medida de prevenção, de redução de complicações graves e de redução de óbitos relacionados a esta doença. Anualmente, a OMS emite recomendações sobre a composição das vacinas contra influenza, tanto para o hemisfério norte quanto para o hemisfério sul. Emersom Mesquita, infectologista e gerente médico de vacinas da GSK, explica a importância e o motivo dessas recomendações.

Como acontece com outros vírus, o vírus influenza sofre pequenas modificações durante o processo de multiplicação. Na prática, essas modificações são uma forma de escapar à resposta imunológica gerada com a vacinação. Por este motivo, a OMS emite todos os anos recomendações para a composição das vacinas contra gripe”, explica,

O objetivo destas recomendações é atualizar a composição dos imunizantes para acompanhar as modificações do vírus. Por isso a vacinação contra gripe deve ser realizada anualmente. “Além disso, vale destacar que a vacinação anual permite que a concentração de anticorpos, as moléculas protetoras do sistema imune, atinjam concentrações ideais”, explica o Dr. Emersom.

Mito sobre vacinação contra gripe

Um dos maiores mitos sobre a vacinação contra gripe é o de que a vacina causa a doença. Contudo, esclarece Dr. Emersom, isso não é possível.

O que impede que a vacina seja capaz de causar a doença é o fato desta ser composta por vírus inativado, ou seja, vírus que tiveram seu potencial de multiplicação eliminado. Na prática, algumas reações relacionadas à vacinação, como dor de cabeça e dor muscular, por exemplo, podem ser erroneamente confundidas com a gripe”, pontua.

Atualizada anualmente para proteger contra as cepas dos vírus influenza de maior circulação, a vacinação contra a gripe é um serviço essencial e deve ser mantido mesmo em tempos de pandemia, como alerta o Dr. Emersom Mesquita.

O momento único que atravessamos deixa claro a importância da vacinação para o controle das doenças infecciosas. Apesar disso, nos últimos anos, temos observado uma queda importante nas coberturas vacinais, dificultando o controle de doenças no nível populacional. Por isso, precisamos ratificar que a vacinação é um serviço essencial e que deve ser mantido mesmo em tempos de pandemia”, explica.

Ele afirma que a vacinação contra gripe neste momento é necessária porque a gripe é uma doença que possui sazonalidade, ou seja, uma doença em que a maior parte dos casos está concentrada em um período específico do ano. “Por isso a importância do timing de vacinação, ou seja, garantir a vacinação antes que esse período conhecido de aumento dos casos chegue”, explica o Dr. Emersom.

Quem deve tomar a vacina da gripe?

A vacina trivalente é fornecida gratuitamente pelo Ministério da Saúde nos postos de saúde de todo Brasil. Fazem parte do grupo de risco adultos a partir de 60 anos, além de gestantes, puérperas, crianças, idosos e portadores de doenças crônicas.

De acordo com Gustavo Campana, da Dasa, em função da epidemia, toda a população deve tomar a vacina da influenza, mas, prioritariamente, tomam os grupos de risco:

  • Idosos com 60 anos ou mais
  • Crianças de 6 meses a 6 anos incompletos (5 anos, 11 meses e 29 dias)
  • Gestantes
  • Puérperas que deram à luz nos últimos 45 dias
  • Trabalhadores da área de saúde
  • Professores de escolas públicas e privadas
  • Povos indígenas
  • Portadores de doenças crônicas e outras condições clínicas (veja mais abaixo)
  • Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos que estão sob medidas socioeducativas
  • População privada de liberdade
  • Funcionários do sistema prisional
  • Profissionais de forças de segurança e salvamento (policiais e bombeiros, por exemplo)

Além da vacinação, outras formas de prevenção da gripe incluem manter hábitos de higiene, como lavar bem e com frequência as mãos com água e sabão, e cobrir a boca e o nariz com lenço descartável ao tossir ou espirrar.

Com GSK e Dasa

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