Velhice, que nada! Pode ser DPOC. Mas o que é isso?

Rosayne Macedo

 

Dia dos Avós: sintomas da DPOC são confundidos com reações comuns na vida de muitos idosos
Dia dos Avós: sintomas da DPOC são confundidos com reações comuns na vida de muitos idosos

Tosse, chiado no peito, falta de energia, falta de ar e dificuldade para realizar atividades diárias. Muitas vezes confundidos com sinais comuns de envelhecimento, esses sintomas podem ser indícios de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), como são classificadas a bronquite crônica e o enfisema pulmonar. A enfermidade é pouco conhecida da população – um em cada dois brasileiros nunca ouviu falar do problema, que muitas vezes é confundido com a asma.

Especializados em medicamentos para enfrentar a doença, alguns laboratórios farmacêuticos vêm aproveitando o Dia dos Avós (26 de julho) para conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce de doenças relacionadas ao aparelho respiratório.

A pesquisa Panorama da Saúde Respiratória do Brasileiro, encomendada ao Ibope Inteligência pela Boehringer Ingelheim do Brasil, por exemplo, revelou que  55% dos 2.010 entrevistados não sabiam nada a respeito da DPOC. Do total, 44% dos entrevistados apresentavam sintomas respiratórios (tosse, falta de ar, chiado no peito, coriza).

“A DPOC limita a vida das pessoas, impedindo que elas possam aproveitar momentos de alegria com a família. Atividades simples como pegar os netos no colo se tornam extremamente difíceis e queremos aproveitar o Dia dos Avós para conscientizar as pessoas a não negligenciarem os primeiros sintomas quando eles surgirem, afirma Gilberto Pucca, portador de DPOC há 15 anos e presidente da Associação Brasileira de Pacientes Portadores de DPOC (ABP-DPOC).

Segundo ele, à medida que a DPOC evolui, a função pulmonar piora, prejudicando a qualidade de vida do paciente. Causada principalmente pelo tabagismo, a DPOC leva à dificuldade de respirar e ao cansaço progressivo e constante, impossibilitando uma série de atividades de rotina Atualmente, a estimativa é que 210 milhões de pessoas possuem a doença, que já representa a quinta causa de morte.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que em 2030 a DPOC será a terceira causa de morte no mundo.  No Brasil, são 7 milhões de pessoas atingidas pela doença,  responsável por 40 mil mortes anuais no Brasil, o equivalente a quatro pacientes por hora, segundo dados do Ministério da Saúde.

Os sintomas geralmente começam a aparecer a partir dos 40 anos de idade, fase em que adultos maduros estão em plena capacidade laboral.  Com isso, os impactos econômicos causados pela doença são elevados. Na última década, a média de gastos com internações por DPOC no país chegou a R$ 100 milhões de reais, o dobro investido nos anos 90, revelando um crescimento na incidência da doença, considerada um problema de saúde pública.  

Sintomas: fumantes passivos também estão sujeitos

Oliver Nascimento, médico assistente da Disciplina de Pneumologia da Unifesp e vice-diretor do Centro de Reabilitação Pulmonar da Unifesp/Lar Escola São Francisco (Lesf), alerta que no inverno, com o aumento dos problemas respiratórios, cresce também a preocupação com os portadores da DPOC, que aparece, geralmente, após exposição em longo prazo a partículas nocivas que lesionam os pulmões e as vias respiratórias. Entre os principais agentes causadores da DPOC estão a fumaça do cigarro, o tabagismo passivo, a poluição do ar, fumaças químicas ou a queima de biomassa no local de trabalho.

A DPOC é caracterizada por obstrução ao fluxo de ar que interfere na respiração normal. A exposição em longo prazo a partículas nocivas que lesionam os pulmões e as vias respiratórias, em geral, é a causa de DPOC. Além da dificuldade de respirar, a doença leva ao cansaço progressivo e constante, o que impossibilita uma série de atividades de rotina.

Diagnóstico precoce é fundamental

Estima-se que somente 12% dos pacientes são diagnosticados e, desses, apenas 18% recebem tratamento.  “É comum que as pessoas atribuam a falta de ar, tosse frequente e aumento na produção de muco como sinais comuns do envelhecimento, mas podem ser indícios do desenvolvimento de DPOC”, comenta Mauro Gomes, diretor da Comissão de Infecções Respiratórias da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.

“Como se trata de uma doença que não tem cura, é recomendado que, com a persistência desses sintomas, o paciente procure a ajuda de especialistas o quanto antes, para que o diagnóstico seja realizado antes que a capacidade pulmonar seja comprometida e que tratamento seja iniciado imediatamente”, completa.

Segundo o Gold – Iniciativa Global para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica – um programa mundial que trata da questão da DPOC, existem cinco perguntas básicas que ajudam o profissional de saúde a identificar pacientes que podem ter a doença, e que podem estar confundindo os sinais como parte do processo de envelhecimento.

  • Possui mais de 40 anos
  • Fumante ou ex-fumante
  • Tosse frequente
  • Expectoração ou “catarro” constante
  • Cansaço ou dificuldade para respirar, como subir escadas ou caminhar

A GSK acaba de lançar no mercado o Anoro® Ellipta®, uma combinação de broncodilatadores  em dose única diária  para o tratamento da DPOC. “Nosso objetivo é fornecer  para os médicos uma ampla gama de medicamentos  para DPOC, que permitem uma abordagem de tratamento focada no paciente, como recomendado pelas diretrizes de tratamento da doença”, disse Robson Lima, diretor médico da GSK. O medicamento foi aprovado em dezembro de 2015 pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

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