Vida sem Fumo: câncer de boca tem relação direta com cigarro

Em 90% dos casos de câncer da cavidade oral, o tabagismo está relacionado à doença, também causada por álcool e sexo oral sem proteção. Homens estão mais vulneráveis, explicam especialistas

Redação
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O tabagismo é responsável por 90% dos diagnósticos de câncer da cavidade oral, o conhecido câncer de boca, quinto tipo de tumor maligno mais frequente no país, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). De acordo com Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil é o terceiro país com mais ocorrências, cerca de 15 mil casos por ano.

O câncer de cavidade oral tem mais incidência em homens acima de 50 anos e costuma ocorrer na parte posterior da língua, mas outras regiões como o assoalho bucal, lábios, as bochechas, gengivas, glândulas salivares, amígdala e o céu da boca também podem ser afetadas. Muitas pessoas, porém, só investigam a presença de um tumor após a sensação de dor, mas isso é um equívoco a ser evitado.

Na quinta matéria da série Vida Sem Fumo, ViDA & Ação traz dois especialistas para comentar o assunto.

Fumo, álcool e sexo oral sem proteção

O desenvolvimento do câncer de boca está muito relacionado ao estilo de vida. O fumo e o álcool ainda são os principais fatores, com 90% dos casos associados a esses hábitos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Nos últimos anos, o HPV também tem sido um fator principal para o surgimento da doença, inclusive entre jovens. O contato sexual, principalmente no sexo oral, é a principal forma de contaminação do vírus.

“Apesar da queda do número de fumantes perceptível nos últimos anos, o câncer de boca aumentou cerca de 225% na duas últimas décadas, sendo o papiloma vírus um dos principais fatores responsáveis, visto que ele é capaz de acelerar o desenvolvimento desse tumor”, observa Carolina Fittipaldi, oncologista do Centro de Excelência Oncológica, unidade do Grupo Oncoclínicas no Rio de Janeiro.

Higiene oral cuidadosa ajuda a prevenir

A higiene oral feita de forma precária e inadequada, uma dieta pobre em minerais e vitaminas e a exposição aos raios UVA e UVB sem proteção nos lábios também podem contribuir para o aparecimento da doença. O dentista Luis Calicchio, do Grupo Ateliê Oral, explica que o problema começa com o aparecimento de manchas brancas ou avermelhadas nos lábios ou dentro da boca.

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Essas lesões nem sempre irão causar dor, mas já é importante que você consulte o seu dentista de forma preventiva. Assim, caso venha a má notícia, você começará a tratar da doença na sua fase inicial, com boas perspectivas de cura. Também fique atento caso você comece a sentir com frequência algum caroço na bochecha, falta de sensibilidade em alguma parte da boca, dificuldades para engolir ou mudança brusca de voz”, esclarece.

Por ser uma doença que apresenta sintomas sutis, é preciso sempre estar atento aos primeiros sinais. “Uma afta insistente é um sintoma que pode até passar despercebido, mas na realidade, pode representar um forte alerta para o tumor’, explica Dra Carolina. Sangramento repentino, feridas que não cicatrizam, manchas brancas ou qualquer lesão desse tipo que permaneça por mais de 15 dias na boca, nódulos na região, dor e dificuldade para mastigar ou engolir são outros sintomas que podem surgir e devem ser investigadas com atenção.

Tratamento inclui cirurgia, quimioterapia e radioterapia

“Higiene oral cuidadosa e consultas regulares ao dentista tem importância fundamental para o diagnóstico precoce do câncer de boca, uma vez que esse tipo de câncer é silencioso e, muitas vezes, indolor. Dessa forma, aliar o conhecimento dos sintomas à realização de cuidados com higiene da boca e consultas regulares ao dentista pode evitar que a doença seja apenas diagnosticada em estágios mais avançados, ajudando a salvar vidas”, orienta Dra Carolina.

Quando a doença é diagnosticada ainda no início, as chances de sucesso podem chegar a 90% quando o paciente realiza um tratamento adequado. Nos casos em que a doença atinge um estágio avançado, esses índices apontam uma médica de 40%. O tratamento será determinado de acordo com a localização e o estágio da doença. “Cada caso requer um tratamento específico, que pode combinar a cirurgia para a retirada do tumor, quimioterapia e a radioterapia”, esclarece a oncologista do Centro de Excelência Oncológica.

Um terço dos casos pode ser evitado

Falar em prevenção do câncer é perfeitamente viável diante dos dados alarmantes projetados pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). Estima-se que cerca de 600 mil novos casos de cânceres sejam diagnosticados neste ano na população brasileira. A boa notícia é que cerca de um terço deles é evitável.

Adotar hábitos de vida saudáveis, evitar vícios, ter uma alimentação balanceada, manter a higiene bucal em dia e acompanhamento médico periodicamente são medidas preventivas de extrema importância. Confira algumas dicas:

  1. Mantenha a higiene bucal em dia. Para os pacientes expostos aos fatores de risco, buscar o acompanhamento regular com um cirurgião de Cabeça e Pescoço é fundamental para detectar precocemente alguma lesão suspeita
  2. Abandone o cigarro. Esta é a melhor maneira de evitar a maioria dos cânceres de boca, faringe e laringe
  3. Evite o consumo excessivo de bebidas alcoólicas
  4. Procure manter uma alimentação saudável
  5. Nunca se esqueça do protetor solar
  6. Comente com seu médico de confiança, seja ele o cardiologista, ginecologista ou o clínico geral, a necessidade de incluir no seu check-up o ultrassom de tireoide, caso isso ainda não esteja sendo feito de rotina.

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Da Redação, com Assessorias