Violência contra idosos: um crime muitas vezes ignorado

No Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, advogada mostra como os direitos dos idosos são desrespeitados. Geriatra revela formas de manter um envelhecimento saudável

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O abandono e a dependência dos familiares são as primeiras coisas que passam pela cabeça dos brasileiros quando questionados sobre seu envelhecimento. É o que uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – São Paulo (SBGG-SP), em parceria com a Bayer, aponta. De acordo com o levantamento, mais de 29% das pessoas indicaram ter medo de ficarem sozinhas, enquanto que o restante apontou a dependência financeira, perda dos sentidos, doenças graves, dependência do Sistema Único de Saúde (SUS) e problemas mentais.

De acordo com a presidente da SBGG-SP, a geriatra Maisa Kairalla, tanto o receio quanto a associação dessas condições com a terceira idade podem estar relacionados ao atual cenário em que os mais velhos se encontram. Em 2017 a Secretaria de Direitos Humanos registrou 33.133 mil denúncias de agressões e maus-tratos contra idosos. Entre as reclamações frequentes estão negligência, abuso financeiro, violência física e psicológica.

Em 2006, foi instituído o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa (15 de junho) pela Organização das Nações Unidas (ONU). O principal objetivo da data é sensibilizar a sociedade sobre as inúmeras formas de violências que as pessoas idosas sofrem em seus lares, nas instituições e até mesmo em espaços públicos,  tendo em vista que o envelhecimento da população é um fenômeno mundial.

Em alguns casos, os sinais de violência são difíceis de reconhecer por se assemelharem a questões relacionadas ao avanço da idade, em outros, ficam mais claros. Alguns indicativos são: ausência de autonomia do idoso; lesões sem explicação como feridas, nódoas negras ou cicatrizes recentes; medo de estar com outras pessoas; doenças venéreas ou infeções genitais inesperadas; falta de condições de segurança da habitação; forçar a pessoa idosa a celebrar um contrato, alterar o seu testamento ou entregar seus vencimentos a familiares, entre outros.

Aplicativo ajuda a combater violações a direitos dos idosos

Com o aumento da população acima de 60 anos, aumentam também os problemas, incluindo todas as classes sociais e gêneros. A advogada Melissa Areal Pires, especialista em direito à saúde e superintendente na Subsecretaria de Políticas para Idosos da Secretaria Estadual de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos, já presenciou diversos casos, sejam eles violências patrimoniais, psicológicas, físicas e institucionais. “Infelizmente, os idosos por serem mais vulneráveis acabam sofrendo violências de várias formas e por repetidas vezes”, lamenta Melissa.

A Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro lançou recentemente o aplicativo ValoraSeg, a ser utilizado por todos os profissionais de segurança do Estado do Rio de Janeiro no combate a violações de direitos de diversos grupos vulneráveis da sociedade, inclusive a população idosa. Ao ser constatado que o idoso está sofrendo algum tipo de violência é de suma importância que o fato seja imediatamente levado ao conhecimento das autoridades. “Especialmente a Delegacia de Polícia Civil Especial de Atendimento a Pessoa Idosa, que fica em Copacabana e também ao Ministério Público ”, indica Melissa, que participou da criação do conteúdo deste aplicativo pela SEDHMI.

No Estado do Rio, existe uma ouvidoria que recebe e trata denúncias de violações de direitos da pessoa idosa, chamada Disque Idoso RJ: (21) 2334-5500.

Como conquistar um envelhecimento saudável

Nossos receios quanto à velhice ocorrem porque tememos o que costumamos ver hoje ou no passado, acontecendo com nossos pais e avós, mas esse ciclo não precisa se repetir. Se eu tenho medo de ficar doente e precisar me mudar para um asilo é prudente que eu tome medidas para evitar que essa seja minha realidade”, explica a a geriatra Maisa Kairalla. Ela lista cinco medidas que podem ser tomadas para conquistar um envelhecimento saudável, com a autonomia, saúde e bem-estar ao longo da terceira idade preservados:

Alimentação

Manter uma alimentação saudável é o mantra que ouvimos durante toda a vida para preservar a saúde, mas na maioria das vezes o envelhecimento traz consigo novas necessidades de vitaminas e nutrientes, como a suplementação do cálcio para a prevenção da osteoporose, por exemplo. Por isso, vale a consulta com um especialista para avaliar quais alimentos podem ser usados a favor do corpo nessa nova fase.

Atividade física

Muitas vezes, por ser associada ao emagrecimento e ganho muscular, as pessoas abandonam a prática de exercícios físicos conforme envelhecem, mas na verdade a doutora ressalta que o correto seria fazer exatamente o oposto. “Praticar exercícios é um dos principais componentes para envelhecer com saúde, isso porque protege contra o ganho de peso e, consequentemente contra as doenças crônicas, além de promover inúmeros benefícios ao esqueleto e musculatura do organismo”, explica.

Monitoramento da saúde

Não é à toa que os mais velhos frequentam o médico de forma mais regular, e essa prática não está errada. Ficar de olho na saúde, com visitas periódicas ao geriatra e realização de exames de rotina é o mais indicado para identificar a deterioração do corpo e prover os cuidados que ele exige.

No entanto, homens e mulheres se esquecem que mesmo após a andropausa e a menopausa é importante visitar também o urologista e ginecologista. “Existem problemas de saúde que mesmo após o período fértil do homem e da mulher podem aparecer, como é o caso do prolapso da bexiga e a hiperplasia benigna da próstata, e são justamente esses especialistas que farão a detecção precoce dessas condições”, reforça Maisa.

Saúde mental

Além da atividade física, é importante manter outras atividades ativas. A pratica da leitura, jogos de memória e quizes são particularmente efetivos na manutenção da saúde mental. “Principalmente para pacientes que têm histórico familiar de problemas como o alzheimer e doenças degenerativas, essas atividades podem auxiliar no retardo da manifestação”, explica.

Convívio social

Aproxime-se de pessoas que tenham interesses em comum e reforce os laços com aquelas que já estão em sua vida. “O melhor remédio contra a depressão e o abandono, que são os principais motivos de medo da velhice, é justamente se cercar de pessoas, encontrar amigos e sair mais, viver mais. Não há razão para achar que a velhice deve ser dentro de casa”, completa a geriatra.

Fonte: SBGG-SP, Bayer e Melissa Areal Pires

 

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