Vitiligo pode não ter cura, mas tem tratamento

Especialistas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) mostram como identificar os diferentes tipos da doença que causa manchas brancas na pele

Redação
http://www.youtube.com/watch?v=6PT9Gu3_Qfw

Eliane Medeiros é uma das raras modelos brasileiras que têm vitiligo e começam a ganhar as passarelas. Apesar de ainda ser uma doença pouco conhecida e cerca de preconceitos, ela superou tudo e hoje vive normalmente (veja no vídeo acima). A doença que afeta 1% da população mundial e 0,5% da brasileira também tem o seu dia no calendário mundial da saúde – 25 de junho.

Para romper com o preconceito, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) esclarece que o vitiligo não é uma doença contagiosa e se caracteriza por perda da coloração da pele. Os principais sintomas são manchas brancas, de diferentes dimensões e formas, com tendência a aumentar de tamanho com o tempo.

As lesões cutâneas formam-se devido à diminuição ou ausência de melanócitos (células responsáveis pela formação da melanina, pigmento que dá cor à pele) nos locais afetados. A doença traz transtornos psicológicos, como baixa autoestima, pouca qualidade de vida e retração social. Por isso, na maioria dos casos, é preciso acompanhamento psicológico.

Os pacientes com vitiligo não costumam se queixar de sintomas físicos, além das manchas. É uma doença onde os sintomas psíquicos provocados pelo preconceito são os que mais preocupam. O paciente precisa ter um acompanhamento médico e psicológico para não deixar as manchas virarem o centro da sua vida, prevenir novas lesões e garantir efeitos positivos nos resultados do tratamento. A família também é muito importante na superação da doença, principalmente na infância”, explica Caio Castro, médico dermatologista da SBD.

PRINCIPAIS CAUSAS

A doença pode acometer todas as raças, ambos os sexos e aparecer em qualquer idade, com média de aparecimento ao redor dos 20 anos. Dentre os fatores associados à causa da doença, os principais são: a herança genética, a autoimunidade e fatores ambientais. Cada caso tem um tratamento, que apesar de não ter cura, pode cessar o trauma e até mesmo promover a repigmentação da pele.

As causas da doença ainda não são totalmente conhecidas, mas a genética, exposição solar ou química, alterações autoimunes, condições emocionais de estresse e traumas psicológicos podem desencadear o surgimento ou agravamento do vitiligo.

Ainda que haja precedentes emocionais, as causas e os mecanismos exatos das manchas de vitiligo ainda não estão claros para a medicina. Há teorias que atribuem o acometimento a fenômenos autoimunes, quando o sistema imunológico ataca as próprias células, no caso do vitiligo, que produzem melanina. Ainda pode acontecer, por exemplo, como sintoma secundário da tireoidite de hashimoto, uma inflamação da glândula tireoide.

DIAGNÓSTICO

É preciso preencher a anamnese para encontrar problema de fundo emocional em quem tem vitiligo. As situações estressantes são tão variadas, como a perda de um ente querido, brigas familiares, demissão, entre outros traumas desencadeiam a doença”, explica Caroline Antunes, médica dermatologista.

Além de tentar controlar o estresse, o paciente deve evitar fatores que possam precipitar o aparecimento de novas lesões ou acentuar as já existentes, como usar roupas apertadas, que provoquem atrito ou pressão sobre a pele, e se proteger da exposição solar usando medidas fotoprotetoras (chapéus de aba larga, roupas que cubram áreas do corpo que ficam expostas ao sol, óculos com proteção UVA e UVB e protetor solar).

Também é bastante importante que pacientes com diagnóstico de vitiligo evitem situações que possam antecipar o aparecimento de novas lesões ou acelerem as que já existem, como diminuir a exposição solar, usar roupas justas ou que provoquem pressão sobre a pele”, completa Roberta Campos, médica dermatologista do Centro Médico Consulta Aqui.

Ao surgir as primeiras manchas na pele é necessário procurar um dermatologista associado à SBD (www.sbd.org.br/associados/), profissional apto para diagnosticar e realizar o tratamento individualizado da doença. A SBD alerta que quanto antes começar o tratamento, maior é a chance de controlar/interromper a propagação das manchas e repigmentar a pele. O apoio da família é fundamental, principalmente na infância.

O SOL COMO ALIADO

Apesar de a doença não ter cura, o tratamento costuma apresentar resultados satisfatórios. Há várias formas de tratar atualmente, como a fototerapia com radiação ultravioleta B, tratamento tópico com corticoides, tecnologias com laser.

A fototerapia com radiação ultravioleta B banda estreita (UVB-nb), bem como técnicas cirúrgicas de transplante de melanócitos são alguns dos tratamentos disponíveis. Também existem medicamentos em fase de pesquisas que devem surgir em médio prazo.

Existem várias possibilidades de tratamentos como medicamentos que estimulam a pigmentação da pele das regiões afetadas a partir da ativação dos melanócitos ou a fotoquimioterapia com ultravioleta, comumente denominada Puva terapia, que visa cessar o aumento das lesões, estabilizando o quadro”, explica Dra Roberta.

Os resultados podem variar consideravelmente entre uma pessoa e outra, portanto, todos os recursos terapêuticos são individualizados conforme as características de cada paciente e sempre devem ser discutidos com o médico.

O sol pode ser um aliado, já que ele estimula a melanina. Porém, deve ser aproveitado com cuidado, já que pode formar severas queimaduras no local sem pigmentação. A estimulação por raios UVA também pode ser feita em clínicas, em que há a exposição de 5 a 10 minutos para a formação de melanina no local desejado. No mais, o uso de protetor solar é indispensável para todas as pessoas.

Quando o paciente não responde aos tratamentos, enxerto ou transplante de melanócitos pode ser uma alternativa para esses casos, mediante a deposição de grupamentos de células funcionantes no local afetado”, afirma Dra Roberta.

Saiba como identificar os tipos de vitiligo

Na maioria dos casos, aparece de forma bilateral e simétrica, como se estivesse “espelhado”, e em diversos formatos, como o de uma borboleta, mas há pacientes que as manifestam em locais isolados ou somente em um lado do corpo.

No mais, as manchas de vitiligo podem aparecer em qualquer área, porém as regiões mais frequentes são em volta da boca, na ponta dos dedos, nos pés e até mesmo nos genitais.

As manchas de vitiligo podem aparecer em qualquer área, porém as regiões mais frequentes são em volta da boca, na ponta dos dedos, nos pés e até mesmo nos genitais.

1) Focal: Poucas lesões pequenas em uma área específica.

2) Mucosal: Somente nas mucosas, como lábios e região genital.

3) Segmentar: Lesões que se distribuem unilateralmente, ou seja, em apenas uma parte do corpo.

4) Acrofacial: Nos dedos e em volta da boca, dos olhos, do ânus e dos genitais.

5) Comum: No tórax, abdômen, pernas, nádegas, braços, pescoço, axilas, além das áreas acometidas pela acrofacial.

6) Universal: Manchas por quase todo o corpo.

Da redação, com Assessorias

 

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