‘Amar consiste em tentar ajudar a pessoa amada a ser feliz’

Psicanalista Luiz Alberto Py dá dicas a quem busca um amor: ‘Pode ser numa fila de ônibus, numa reunião entre amigos ou nos Tinders da vida’

Amar é uma atitude de generosidade e reciprocidade, diz psicanalista Luiz Alberto Py (Foto: Pixabay)

Luiz Alberto Py*

Caso você esteja procurando encontrar uma pessoa com quem dividir sua vida, aqui vão algumas ideias que podem contribuir para alcançar seu objetivo. É claro que não existe nenhuma fórmula mágica, mas pode-se pensar sobre as estratégias para encontrar pessoas em condições favoráveis e com elas construir um relacionamento.

Em primeiro lugar, você precisa se envolver com o projeto. Quer dizer, convém estar constantemente com a atenção voltada para a possibilidade de, a qualquer momento, esbarrar com seu príncipe (ou sua princesa). Pode ser numa fila de ônibus, numa reunião em casa de amigos, em um casamento ou neste novo espaço de encontro: a Internet com seus ‘Tinders da vida’. É necessário estar sempre alerta à possibilidade do encontro transformador. E quando surgir a oportunidade, agarre-a com firmeza.

Não vale fingir que não quer, quando está interessado. Uma boa relação precisa de espontaneidade e sinceridade desde o começo. Lembre-se de que o namoro é uma relação de amor, portanto, prepare-se para amar e ser amado (a). Para amar, você precisa, em primeiro lugar, de autoestima, ter amor por si mesmo.

Só podemos dar o que temos: você precisa se sentir alvo de amor para poder fazer do outro o alvo de seu amor. Gostar de si mesmo é básico, porque se não for assim, facilmente se cai em uma atitude bastante comum de autodesvalorização a que se segue a desvalorização do outro. “Se eu não presto, quem gosta de mim também não presta ou, no mínimo, não sabe escolher.”

Amar é uma atitude de generosidade e reciprocidade

O respeito e a consideração, tanto por si próprio quanto pelo parceiro, são alicerces do relacionamento, sem os quais a evolução favorável fica prejudicada ou mesmo impossibilitada. Amar é uma atitude de generosidade e reciprocidade. Durante o relacionamento, pense sempre no interesse de seu parceiro e se assegure de que ele pensa em seu interesse. Ou seja, a sua generosidade é importantíssima, mas a do outro é também indispensável. Amar consiste em tentar ajudar a pessoa amada a ser feliz.

A felicidade é uma referência importantíssima entre duas pessoas que pretendem viver juntas. Nenhum projeto de vida pode abrir mão de uma dose plena de felicidade e bem-estar. Amor entre adultos exige reciprocidade, amar sozinho, sem ser correspondido, não tem sentido: uma relação é boa somente quando é boa para ambos. Se um está feliz e o outro não, o namoro não faz sentido.

Para uma relação evoluir é preciso que ambos se esforcem, senão ela fica estagnada. O investimento de energia e esforço precisa ser direcionado, levando-se em conta estes elementos fundamentais. A relação precisa crescer para não perecer vítima da acomodação e da mesmice. Ela deve ser nutrida com criatividade e com uma particular atenção para o fato de que coisas novas, novas atitudes e descobertas no âmbito do encontro do casal, são o alimento que mantém nutrido o amor.

Sem monotonia na vida sexual

A vida sexual precisa ser valorizada e estimulada para que a monotonia não domine o leito conjugal. Vale a pena manter uma conversa franca com o parceiro sobre a satisfação que a atividade sexual está trazendo para ambos. Criatividade e mudanças podem ser os elementos que salvam um casamento de perder a graça e a alegria.

Finalmente, lembre-se de que o ciúme – por mais natural que seja, pois existe no comportamento dos animais – é uma emoção instintiva que precisa ser dominada e deve ser cuidadosamente mantida à distância. Nada mais destrutivo para o casamento do que a indulgência para com o sentimento de ciúme e a possessividade que o acompanha.

Apesar de não terem espaço em uma relação adulta e madura, eles são seu pior inimigo e estão sempre ameaçando invadir o desejado ambiente do amor e do altruísmo com sua carga de egoísmo e intolerância. Manter reprimidos, e sob estrito controle, o egoísmo, o ciúme e a possessividade é fundamental para a sobrevivência e o crescimento de qualquer relação de amor.

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Luiz Alberto Py, psiquiatra e psicanalista, escreve para a seção Palavra de Especialista toda segunda quarta-feira do mês (Foto Divulgação)

*Luiz Alberto Py é psiquiatra e psicanalista. Atua como consultor de empresas e palestrante. Professor nas faculdades de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e da Uerj e em diversas sociedades de Psicanálise. É autor de 9 livros, foi consultor do programa Big Brother Brasil (TV Globo) e conselheiro do sistema penitenciário. Escreve uma vez por mês para a seção ‘Palavra de Especialista’. Para sugestões e informações, envie mensagem para palavradeespecialista@vidaeacao.com.br.  Conheça nossos especialistas aqui.

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