ANS vai monitorar infecção hospitalar em unidades que atendem planos de saúde

A partir do 2º semestre, ANS vai monitorar taxas de sepse em hospitais que atendem planos de saúde, Professor explica riscos

Em tempos de pandemia, hospitais lotados, crise e colapso dos sistemas público e privado de saúde, um outro “fantasma” ronda as unidades de pronto atendimento e de internação: a infecção hospitalar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 100 mil brasileiros morrem a cada ano por conta de quadros de sepse ou infecção generalizada.

Já a Associação Médica Brasileira (AMB) tem projeção mais modesta: mais de 45 mil brasileiros morrem anualmente devido a infecções hospitalares. Para ter um retrato mais fiel dessa realidade em hospitais que atendem pacientes de planos de saúde, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) iniciará no segundo semestre de 2021 por meio do sistema SIHOSP, o Projeto de Monitoramento da Qualidade da Assistência Hospitalar na Saúde Suplementar.

A iniciativa é importante no contexto de pandemia em que o país vive, com alta taxa de hospitalização das vítimas da Covid-19, especialmente em ambientes de tratamento intensivo, como as UTIs. Segundo a ANS, o principal objetivo é monitorar a qualidade assistencial dos hospitais participantes, por meio da coleta mensal de indicadores gerais selecionados e divulgar à sociedade os índices de qualidade assistencial ofertada aos beneficiários pelos hospitais vinculados aos seus planos de saúde.

Dentre os indicadores relacionados ao monitoramento de infecções hospitalares, destacam-se as taxas de início de antibiótico intravenoso profilático; de infecção de sítio cirúrgico; de infecção de corrente sanguínea associada à cateter venoso central e de infecção do trato urinário associada à cateter vesical. (Saiba mais sobre os indicadores de Qualidade Hospitalar clicando aqui).

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Dia Nacional de Controle da Infecção Hospitalar

O Dia Nacional de Controle da Infecção Hospitalar (15 de maio), instituído pela Lei nº 11.723/2008, tem o objetivo de conscientizar autoridades sanitárias, diretores de hospitais e trabalhadores de saúde sobre a importância do controle da sepse, que pode ser adquirida após a admissão do paciente na unidade hospitalar e se manifestar durante a internação ou após a alta.

Também conhecida como infecção generalizada, a sepse é caracterizada por um conjunto de manifestações graves em todo o organismo produzidas em resposta à evolução de um quadro infeccioso. Pela sua gravidade e aumento do tempo de internação do paciente, a infecção hospitalar é causa importante de morbidade e mortalidade, caracterizando-se como um grave problema (mais um) de saúde pública no Brasil.

Disseminação fora do ambiente hospitalar

Para o professor Jan Carlo Delorenzi, diretor do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o paciente internado pode estar imunologicamente vulnerável à disseminação de patógenos que, muitas vezes, são resistentes aos tratamentos disponíveis.

Isso propicia o agravamento do quadro clínico, favorecendo o aparecimento de outras condições patológicas e em alguns casos evoluindo para o óbito. Muitos pacientes internados por Covid-19 têm desenvolvido pneumonias bacterianas, nefropatias infecciosas, dentre outros quadros subjacentes que são motivadores do número devastador de mortes que temos observado desde março de 2020″, explica Jan, que é graduado em Farmácia e Doutor e mestre em Ciências Biológicas (Biofísica).

Professor das disciplinas de Ciência, Tecnologia e Sociedade, Imunologia e Saúde Pública, Jan também destaca a importância de esclarecer a população sobre a Infecção Hospitalar e os perigos de uma disseminação desses patógenos fora desse ambiente.

Nesse sentido, há sempre uma discussão da higiene e paramentação para, por exemplo, entrar em UTIs – os cuidados não são apenas para evitar a entrada de patógenos, mas principalmente para evitar a saída de microrganismos que podem ser carregados nas roupas, sapatos, telefones celulares”, comenta.

Para um combate e controle eficiente de infecções causadas por patógenos do ambiente hospitalar, é preciso adequação de espaços físicos, equipes multiprofissionais treinadas e conscientes da importância de evitar a disseminação dos patógenos, informação acessível tanto aos profissionais quanto pacientes e acompanhantes. Segundo ele, os melhores hospitais possuem departamentos e comissões dedicadas ao controle e disseminação de patógenos em ambiente hospitalar.

Lavagem correta das mãos ajuda a evitar infecção hospitalar

Com o surgimento da Covid-19 e os impactos sanitários provocados pela pandemia, a lavagem correta das mãos tornou-se um hábito entre toda a população mundial, no intuito de mitigar a disseminação do novo coronavírus. 

O que poucos sabem é que esta simples medida foi aplicada há mais de 170 anos pelo médico húngaro Ignaz Semmelweis, que passou a adotar a prática como obrigatória para enfermeiros e médicos que visitavam as enfermarias do seu hospital, quando foi observada uma importante redução nas taxas de mortalidade dos pacientes.

As mãos devem ser umedecidas antes de colocar o sabão, de preferência líquido, para evitar que se toque no reservatório. Em seguida, esfregam-se bem o dorso, a palma, os dedos e os interdígitos, isto é, o vão dos dedos. É preciso tomar cuidado também com a área embaixo das unhas.

Se a pessoa tem unhas mais longas, deve colocar sabão e esfregar embaixo delas.  Os dedos devem ser virados para cima, na direção da água que cai. Não devem ser usadas toalhas de pano para secar as mãos e, sim, toalhas de papel que servirão também para fechar a torneira.

Cuidados durante visitas a uma unidade hospitalar

Muitos pacientes e frequentadores dos hospitais não entendem algumas medidas, mas sempre são tomadas para o bem do indivíduo e da população. Além disso, é imprescindível que os serviços de saúde sejam rigorosos com as metodologias adotadas para controle da infecção hospitalar, estabelecendo uma comunicação muito efetiva com todos os atores envolvidos.

O visitante deve sempre higienizar as suas mãos na chegada ao hospital, antes e após tocar o paciente ou superfícies próximas ao seu redor e ao sair da unidade. Essa higienização pode ser feita tanto com água e sabão quanto com álcool a 70%, o qual deve estar disponível em todo o hospital.

Para que a higienização das mãos possa ser mais efetiva, é importante que os adornos sejam retirados (por exemplo, anéis, pulseiras e relógios), para facilitar o contato da água ou do álcool com a superfície da pele que está sendo higienizada.

Além da higienização das mãos, visitantes e acompanhantes também podem contribuir para o combate às infecções hospitalares, adotando os seguintes cuidados:

·        Não visite o paciente caso você esteja doente;

·        Não circule com alimentos no hospital nem leve para o paciente;

·        Não sente no leito do paciente;

·        Não leve flores ou plantas para o quarto do paciente;

·        Evite trazer crianças para o ambiente hospitalar;

·        Evite o excesso de visitantes e acompanhantes;

·        Não mantenha contato com outros pacientes.

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Com ANS e Mackenzie

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  1. […] – COVID X SEPSE – Recentemente demos em nosso site uma matéria especial sobre INFECÇÕES HOSPITALARES. Qual a diferença entre os dois tipos de infecção e quais os riscos? Há casos de sepse que […]

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