Brasil passa dos 100 mil casos de Covid-19

Enquanto isso, Jair Bolsonaro volta a minimizar casos e vai até apoiadores em carreata pela volta ao trabalho. Sem apoio federal, Rio teme possível pico esta semana

Redação

Como projetado horas antes por ViDA & Ação, o Brasil ultrapassou a barreira do 100 mil casos de novo coronavírus neste domingo (3). O Ministério da Saúde divulgou 101.147 casos confirmados da doença e 7.025 mortes. Nas últimas 24 horas, o ministério registrou 4.588 novos casos e 275 mortes. A Região Sudeste registra 48.115 (47,6% dos casos) pacientes com a doença. Em seguida, aparecem as regiões Nordeste (30.022 – 29,7%), Norte (14.376 – 14,2%), Sul (5.526 – 5,5%) e Centro-Oeste (3.108 – 3,1%). A taxa de letalidade é de 6,4%. O número de pessoas recuperadas da Covid-19 é de 42.991.

Ignorando mais uma vez ao avanço da doença e as medidas se isolamento social defendidas até por seu novo ministro da Saúde, Nelson Teich, o presidente Jair Bolsonaro voltou a dar suas voltinhas neste domingo (3). Ele foi até o encontro de apoiadores que participaram de uma carreata na Esplanada dos Ministérios, desceu a rampa do Palácio do Planalto e cumprimentou os apoiadores à distância. O encontro foi transmitido pela rede social do presidente e durou cerca uma hora. Segundo Bolsonaro, a manifestação foi realizada de forma espontânea pelos apoiadores em favor da governabilidade e por muitas pessoas que querem voltar ao trabalho.

O Brasil, como um todo, reclama a volta ao trabalho. Essa destruição de empregos irresponsável por parte de alguns governadores é inadmissível. O preço vai ser muito alto na frente, fome, desemprego, miséria, isso não é bom. Sabemos do efeito do vírus, mas, infelizmente, muitos serão infectados, muitos perderão suas vidas também, mas é uma realidade que temos que enfrentar”, afirmou o presidente.

Rio em 11.139 casos confirmados e 1.019 mortos

O Estado do Rio permanece como o segundo em número de casos de Covid-19 no país, atrás apenas de São Paulo. Foram registrados 593 novos casos e 48 óbitos nas últimas 24 horas. Há ainda 338 óbitos em investigação e 6.284 pacientes se recuperaram da doença. Por conta disso, o governador Wilson Witzel prorrogou as medidas de isolamento até o dia 11 de maio e o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, até 15 de maio. No estado, são 11.139 casos confirmados de Covid-19 e o número de mortos chegou a 1.019.

A capital lidera o número de mortos, com 631 óbitos, isso representa 61,9% do total do estado. Em segundo lugar, está o município de Duque de Caxias, com 84 mortos; seguido por Nova Iguaçu (44); Niterói (27), São Gonçalo (24); São João de Meriti (20); Volta Redonda (16); Belford Roxo (15); Mesquita (15); Macaé (13); Maricá (12); Itaboraí (10); Petrópolis (9); Itaguaí (8); Nilópolis (7); Rio das Ostras (7); Magé (6); Tanguá (6) e Nova Friburgo (5). Os demais casos estão espalhados entre outros 29 municípios.

No número de doentes, a liderança também é da capital, com 6.750 casos, o que representa 60,5% do total do estado. Em segundo lugar, aparece Duque de Caxias, com 484 casos; seguido por Nova Iguaçu (435); Niterói (422); Volta Redonda (341); São Gonçalo (325); Itaboraí (232); São João de Meriti (225); Belford Roxo (193); Mesquita (175); Magé (119); Petrópolis (103); Nilópolis (93); Maricá (90); Campos dos Goytacazes (70); Queimados (69); Nova Friburgo (60); Teresópolis (60); Angra dos Reis (56); Cabo Frio (53) e Itaguaí (50). Os demais casos estão divididos em outros 60 municípios.

Semana será ‘a mais angustiante’, diz prefeito do Rio

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, alertou aos cariocas que esta semana será a mais decisiva na luta contra o coronavírus na cidade. Segundo ele, ao mesmo tempo em que a curva de contágio se acelera, estão chegando novos equipamentos comprados da China, mas que somente deverão funcionar na outra semana. Durante coletiva de imprensa, na tarde deste domingo (3), no hospital de campanha do Riocentro, Crivella disse:

“Esta semana é a que mais nos preocupa. Porque se acelerou o número de contágios e as pessoas precisando dos hospitais. Nós aguardávamos, já há bastante tempo, ajuda de outros entes, o que, até agora, não ocorreu. Nós tivemos uma notícia de que o estado não está, neste momento, conseguindo os equipamentos necessários. E os nossos só chegam durante esta semana. Esta semana, para nós, talvez seja a mais decisiva, a mais difícil, a mais angustiante”.

Tomógrafos ajudam na identificação de casos

O prefeito lembrou que estão sendo instalados tomógrafos, aparelhos que podem realizar imagens em alta definição do pulmão, mostrando se há algum tipo de infecção pelo novo coronavírus, mesmo que em fase inicial. Isto ajuda muito aos pacientes que têm outras doenças, chamadas de comorbidades, fazendo parte do chamado grupo de risco.

Eu peço a todos que possuem comorbidade – e 90% das vidas que perdemos foram de pessoas com comorbidade. A chance que temos de salvá-las é o diagnóstico precoce, a pneumonia no início. Esta semana para nós é o Dia D. Estamos com os tomógrafos sendo instalados e nossos equipamentos chegando da China nesta semana. É o momento mais difícil para nós. Eu não sei se é o pico, não sei se será nesta semana ou na outra. É o momento mais delicado”, declarou Crivella.

Lockdown está descartado no momento

Segundo ele, também foi discutido com o grupo de especialistas em saúde que balizam as ações da prefeitura se deverá haver um aumento ainda maior na circulação das pessoas na cidade, o que, segundo o prefeito, não deverá ocorrer no momento: “Não foram consideradas como uma hipótese, adequada para este momento, medidas como lockdown shutdown. Os nossos especialistas, e são mais de 20, não consideraram isso”.

Crivella também abordou as filas nas lotéricas, que estariam causando aglomerações e possibilitando o contágio da doença. Segundo ele, se a Caixa e os lotéricos não conseguirem reduzir as filas, a prefeitura irá pedir que não haja mais apostas nas casas lotéricas, que continuariam com outras funções, como operações bancárias e pagamentos de benefícios.

O estado do Rio de Janeiro chegou, neste domingo, a 11.139 casos e 1.019 óbitos causados pela covid-19. Desses, 6.750 infectados estão na capital, que registrou 631 mortes.

Com Agência Brasil