Chance para mulher empreender no Brasil é igual à de homem

Muitas ainda encaram o empreendedorismo como única forma de poder dividir trabalho com as tarefas domésticas e filhos

Redação
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No país que já foi comandado por uma mulher, a presença feminina no mercado de trabalho é superior à média mundial, mas ainda assim, como outros países, ainda tem muito para conquistar. Alguns dados ilustram bem este cenário. É o que ViDA & Ação mostra na segunda matéria da série sobre Empreendedorismo Feminino, iniciada nesta segunda-feira (14), em homenagem ao Mês das Mães (veja a primeira aqui). Afinal, tem muita mulher ‘parindo’ novos empreendimentos e que precisam de mais atenção também na hora de equilibrar a vida profissional com a saúde e a qualidade de vida.

Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que o percentual de instituições brasileiras chefiadas por mulheres flutua entre 5% e 10%. Já de acordo com o World Economic Forum, o país ocupa a 79ª posição no ranking de desigualdade de renda e política no que se refere às mulheres. A diferença salarial com os homens é de 21% e o número de mulheres em cargos executivos, por exemplo, é de apenas 19%, abaixo da já baixa média mundial, que é de 25%.

Outro estudo da Peterson Institute EY, realizado com 22 mil empresas ao redor do mundo, revela que metade das pesquisadas não possuía mulheres em funções executivas. O levantamento sugere que as empresas que saem de uma composição exclusivamente masculina de seu corpo executivo para uma participação de 30% de mulheres podem aumentar sua margem de lucro em até 15%.

Dentre as possíveis explicações para este ganho, estão a abertura para maior debate para tomadas de decisões, o melhor conhecimento da base de consumo e a capacidade de atrair mais talentos, todos propiciados pelo ambiente mais diverso.

Empreendedorismo por necessidade aumenta

O ambiente hostil de trabalho tem empurrado muitas brasileiras para o empreendedorismo. O Brasil é um dos cinco países, entre os 74 pesquisados pela Women´s Entrepeneurship Report, em que a chance de mulheres empreenderem é igual à dos homens. No entanto, muitas encaram o empreendedorismo como única forma de poder dividir trabalho com as tarefas domésticas e filhos. Um dos caminhos para o crescimento econômico é justamente estimular empreendedores com boas ideias a inovarem e criarem negócios sólidos e bem planejados.

“Somos o quarto país mais empreendedor do mundo, mas um dos que mais empreendem por necessidade. As mulheres ocupam o topo da lista doempreendedorismo por necessidade e do auto-emprego (empresa de uma pessoa só). “Mas a chave do sucesso está em saber a diferença em precisar empreender e querer empreender”, destaca a economista do Santander, Adriana Dupita.

Apoio ao empreendedorismo feminino

Para mudar essa realidade, a economista afirma que é necessário passar por uma mudança cultural, na qual a sociedade incentive a nova geração a ser criativa e a desenvolver habilidades fora da grade acadêmica. Ela ainda defende o fim do estereótipo de gênero como forma de reduzir a disparidade entre homens e mulheres. “O empoderamento feminino tem que começar dentro de casa, com pais e mães dando as mesmas oportunidades para meninos e meninas”.

De acordo com a Endeavor, organização de estímulo ao empreendedorismo, 80% dos empreendedores reconhecem que muito ainda deve ser feito para que as mulheres sintam-se atraídas por cargos de liderança. Esse desencorajamento no ambiente de trabalho, segundo a organização, é o que faz com que mulheres afirmem ter medo de fracassar e com que elas tenham receio em abrir suas próprias empresas.

Segundo ela, uma maior participação da mulher na economia está diretamente relacionada à redução dos índices de pobreza. Se queremos nos tornar um país com menos desigualdade e com mais estabilidade, entre outras ações que precisam ser tomadas para redefinir o curso da economia brasileira, temos que criar ambientes com mais equilíbrio entre homens e mulheres. Isso só é possível com a divisão de tarefas no ambiente familiar, com a criação de políticas públicas e com as empresas passando a pensar cada vez mais em diversidade”, destaca .

Para encorajar o empreendedorismo, o Santander criou em 2015 o Programa Avançar. A iniciativa tem o objetivo de dar suporte para que pequenos e médiosempreendedores  invistam em seus negócios. Para isso, são realizados durante o ano todo cursos, palestras e workshops para capacitação, além de parcerias com entidades de apoio ao empreendedorismo e universidades para o fornecimento de mão de obra qualificada por meio de um programa de estágio, e a possibilidade de crescimento por meio do mundo digital.

  • 6 passos esssenciais para tirar seus projetos do papel

    Ter um negócio próprio e conquistar sucesso profissional e independência financeira. Este é o sonho de muita gente no Brasil. Mas o que algumas dessas pessoas não sabem é como transformar uma boa ideia em um negócio sólido e perene ou como dar amplitude a um projeto já existente. Pelo menos no universo feminino, esses têm sido temas recorrentes.

    Dados de mercado dão conta que as mulheres estão presentes na administração de 51% das empresas brasileiras, além de fazerem parte do quadro societário de 20% das corporações. Nos últimos 14 anos, o número de empresárias subiu 34%, e hoje é de quase 8 milhões. Além disso, 43% dos cargos de direção e gerência em micro e pequenas empresas são ocupados por profissionais do sexo feminino.

    Seja no papel de executiva, seja como empreendedora, a mulher também precisa investir em seu marketing pessoal nessa busca pelo sucesso no mercado, segundo a consultora em Gestão de Projetos e Negócios Kênia Gama, 33, de Brasília (DF). “Promover-se adequadamente e fazer com que as pessoas notem o seu valor também são etapas primordiais a serem cumpridas por quem pretende se destacar profissionalmente”, continua ela.

    Kênia começou a empreender aos 18 anos. Apesar das dificuldades que permeiam a pouca idade, não tardou para que conquistasse uma posição de destaque no mercado. Em 2002, já comandava sua própria empresa, a SET Realizações, especializada na gestão de eventos. “Uma empreendedora precisa saber se reinventar e, mais do que qualquer outra pessoa, acreditar que tem potencial para conquistar a independência financeira e emocional”, diz Kênia.

    Segundo ela, há pelo menos seis passos essenciais que devem ser seguidos por mulheres que desejam tirar uma ideia do papel e apostar no empreendedorismo. São eles:

    1. Fazer o que gosta;
    2. Saber tudo sobre o assunto;
    3. Não procurar aprovações de terceiros;
    4. Celebrar até as menores conquistas;
    5. Analisar a concorrência; e
    6. Não ter vários focos, e sim, confiar em seu plano A até conseguir executá-lo.

  • Da Redação, com Assessorias

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